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      Início Sociedade Aumentos salariais e bónus não chegam às empregadas domésticas

      Aumentos salariais e bónus não chegam às empregadas domésticas

      Numa altura em que funcionários públicos e trabalhadores das concessionárias de jogo vão receber aumentos salariais ou bónus, a retoma económica da região não chega ao bolso das trabalhadoras domésticas. Jassy Santos, presidente da União Progressista dos Trabalhadores Domésticos de Macau, disse ao PONTO FINAL que as empregadas domésticas não estão a ter aumentos nem outros benefícios. Para a responsável, há uma desvalorização do trabalho das domésticas.

       

      Este ano, os funcionários públicos vão beneficiar de aumentos salariais de 3,3% e os trabalhadores da generalidade das concessionárias de jogo terão também direito a aumentos salariais ou a bónus equivalentes a um mês de salários. Estes são já alguns dos efeitos positivos da retoma económica do território. No entanto, a recuperação parece não estar a chegar a todos os sectores.

      Os trabalhadores domésticos, por exemplo, não estão a sentir efeitos práticos da retoma. “Estamos contentes por saber que os trabalhadores dos casinos estão a receber bónus e aumentos salariais, mas as empregadas domésticas continuam na mesma”, indicou Jassy Santos, presidente da União Progressista dos Trabalhadores Domésticos de Macau, ao PONTO FINAL.

      A representante do sector disse mesmo que, actualmente, as domésticas que chegam ao território estão a receber salários mais baixos, na ordem das 3.500 a 4.000 patacas mensais.

      Por outro lado, Jassy Santos disse ainda que as domésticas estão felizes por verem que o território está a recuperar economicamente, o que está a fazer com que mais famílias contratem trabalhadoras domésticas, o que beneficia também as domésticas que perderam o trabalho durante a pandemia e querem voltar a Macau.

      Ainda assim, a responsável voltou a lançar críticas ao Governo pela falta de protecção ao sector. Recorde-se que a revisão à lei do salário mínimo no território, que entrou em vigor este ano e que aumentou o valor para 7.072 patacas por mês, continua a não contemplar as trabalhadoras domésticas. Em Macau, o salário mínimo das empregadas domésticas é 3.500 patacas mensais, menos de metade do salário mínimo das outras profissões.

      Jassy Santos diz-se triste por não haver “protecção às trabalhadoras domésticas”. Segundo a presidente da União Progressista dos Trabalhadores Domésticos de Macau, “o Governo da RAEM não só subestima o trabalho e o valor das trabalhadoras domésticas como nem reconhece que o trabalho doméstico é um trabalho”. “Se reconhecesse, incluíam-nos na revisão à lei do salário mínimo”, comentou, sublinhando que as empregadas domésticas continuam a não ser beneficiadas tal como outras profissões.

      Recorde-se que, durante o período da pandemia, houve vários deputados e associações a pedirem uma maior facilidade para a importação de empregadas domésticas, dada a escassez no território na altura e as necessidades das famílias locais. Wong Kit Cheng, deputada e vice-presidente da Associação Geral das Mulheres, chegou a dizer na Assembleia Legislativa que a falta de empregadas domésticas estava “a preocupar muitas famílias”. Ngan Iek Hang, deputado ligado à União Geral das Associações dos Moradores, chegou a sugerir que fosse fretado um avião exclusivamente para importar empregadas domésticas, dada a necessidade urgente das famílias.