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      Sector de logística preocupado com inflação devido ao conflito israelo-palestiniano

      A Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau alertou para uma maior inflação em Macau no futuro devido aos impactos causados no sector da logística pelas guerras contínuas no mundo. Lei Kuok Fai, representante da associação, realçou que o conflito israelo-palestiniano irá prejudicar ainda mais a capacidade de transporte mundial de mercadorias, e o aumento de despesas será afinal transferido aos consumidores, fazendo subir o preço dos produtos vindos da Europa para Macau.

       

      A continuidade da crise no Médio Oriente está a atrasar e tornar mais caro o transporte de produtos provenientes da Europa para Macau, podendo assim chegar a afectar o índice de preços no consumidor da região, agravando a inflação. A Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau defende que a guerra em Israel e na Palestina, bem como a guerra na Ucrânia, vão continuar a causar impacto ao sector de logística local.

      “Desde o fim da pandemia, a taxa de abertura das ligações pelas companhias internacionais de transporte marítimo em todo o mundo ainda não regressou à normalidade, pelo que o conflito israelo-palestiniano irá certamente prejudicar ainda mais a capacidade de transporte global”, justificou Lei Kuok Fai, presidente da direcção da Associação de Logística e Transportes Internacionais de Macau.

      Lei Kuok Fai, em declarações ao Jornal Ou Mun, enfatizou que a oferta de contentores em vários locais é actualmente “muito reduzida”, verificando-se “uma corrida aos contentores e aos voos”.

      Grande parte do tráfego mundial de contentores, recorde-se, passa pelo Mar Vermelho. Devido à guerra entre Israel e o grupo terrorista Hamas, houve recentemente ataques a navios mercantes nesta zona marítima, resultando em perturbações no transporte de mercadorias, levando a um aumento dos preços do frete marítimo.

      O representante da indústria adiantou que a maior parte das mercadorias europeias que serão entregues a Macau já solicitaram o adiamento do embarque. “Se fizerem um desvio [da trajectória] para chegar a Macau, estima-se, de forma conservadora, que o período de transporte será prolongado por duas semanas em relação ao período inicialmente previsto”, disse.

      Lei apontou que o problema de logística causado pela instabilidade da situação política mundial tem um certo impacto em Macau, dado que “Macau tem uma relação estreita com a União Europeia e os países de língua portuguesa”.

      No entanto, o impacto ainda não é significativo neste momento na vida da população do território, uma vez que os bens essenciais que se vendem em Macau provêm geralmente do interior da China e do Sudeste Asiático, onde o preço das mercadorias ainda não foi afectado. Segundo o responsável, os produtos vindos da Europa para Macau são, na sua maioria, “produtos de gama média e alta”, tais como vestuário, peças de equipamento e carne congelada, que deverão sofrer mais ajustes de preço.

      Neste caso, as taxas de frete mais do que duplicaram e os períodos de carga foram alargados, mas a crise israelo-palestiniana não é o único problema com que os carregadores se deparam. “Questões políticas como a guerra entre a Rússia e a Ucrânia continuarão a afectar o sector do transporte de mercadorias este ano, criando problemas incomensuráveis”, lamentou.

      Lei Kuok Fai manifestou preocupação de que o prolongamento da chegada das cargas para Macau possa passar de duas semanas para dois meses ou mesmo mais tempo, cujos custos de frete acabarão por ser transferidos à venda, o que resultará em custos mais elevados em toda a cadeia de abastecimento.

      Um relatório publicado no início do mês pela Oxford Economics, empresa de consultoria económica, analisou que, caso o encerramento do Mar Vermelho se mantiver durante mais alguns meses e os preços do transporte de mercadorias dispararem devido à forte procura, o índice de preços no consumidor global poderá aumentar 0,7 pontos percentuais até ao final do ano, de acordo com o modelo de cálculo.