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      Artelli apresenta a maior exposição a solo de Chen Wei Zhu até à data

      Com apenas 23 anos, Chen Wei Zhu já é conhecido no universo da moda e dos coleccionadores de arte contemporânea pela forma como reinterpreta elementos da cultura pop e produtos de luxo. As telas e esculturas de cores vivas e linhas rabiscadas que parecem ter sido desenhadas num ‘tablet’ vão adornar as paredes do espaço pioneiro multidimensional até ao dia 19 de Janeiro.

      Numa estreia em Macau, e com aquela que será a maior exposição a solo do artista taiwanês, “The Madness Never Ends” é uma mostra de mais de 50 pinturas e esculturas de Chen Wei Zhu. O jovem nascido no ano 2000 tomará a cerco a Artelli até 19 de Janeiro do próximo ano. Com humor e energia, este criativo taiwanês explora elementos da cultura popular, absorvendo essas referências no seu universo estético, e reproduzindo-as com os traços e técnicas que se tornaram na sua imagem de marca: cores garridas e quase florescentes, traços que parecem ter sido esboçados num ‘tablet’ de forma tosca, e os típicos sorrisos e olhos de linhas básicas. A Artelli assinou um contrato com o artista para os próximos três anos, com o objectivo de desenvolver o mercado asiático da arte.

      Na cerimónia de abertura da exposição, a Artelli anunciou a parceria, marcando um passo significativo na colaboração com Chen Wei Zhu. Nos próximos três anos, a Artelli planeia estabelecer novas parcerias em Hong Kong, Macau e outras regiões como o Japão e a Coreia do Sul, unindo forças com o artista fazendo uma incursão no mercado de arte asiático.

      Como explicou Chen Wei Zhu ao PONTO FINAL, o seu trabalho procura mostrar estilos visuais que são característicos da actualidade. “Inicialmente, gosto de desenhar no meu ‘tablet’, usando pinceladas básicas redondas no software. Depois, transfiro essas pinceladas digitais para telas físicas, apresentando assim traços visuais que são distintivos desta era – é esse o meu estilo artístico”. Recorrendo à pintura acrílica, mas também à escultura, o artista diz que gosta de se inspirar em experiências do dia-a-dia, observando as últimas tendências da moda e do mercado, e por vezes fazendo “extensões imaginativas de história de arte”. Um exemplo deste exercício é “Young Dionysus”, onde se vê a figura mitológica grega transposta para a actualidade, com o seu habitual copo de vinho, mas agora ostentando abdominais tonificados, uma pulseira da marca Van Cleef & Arpels e um colar da Vivienne Westwood, adereços de marcas de luxo cobiçados pelas gerações mais novas. “Na minha perspectiva, a arte e a vida quotidiana estão interligadas. A minha geração tem várias marcas, ou elementos de cultura pop, ou outras coisas que estão na moda, e isso inspira-me. Eu quero contar com elas uma história, sobre a linguagem desta geração. Daqui a dez anos não será a mesma linguagem, com as mesmas referências. Quero mostrar a forma como os meus sentidos se apercebem destes elementos”.

      Os responsáveis do espaço artístico acreditam que esta exposição é uma concretização da filosofia do espaço, que ambiciona introduzir em Macau projectos das artes visuais que sejam mais “inovadores, dinâmicos e diversos”, e que “melhorem a atmosfera artística e cultural da cidade”. Referindo que em 2022 Chen Wei Zhu se tornou no mais jovem artista a participar na feira de arte de Taipé, a “Taipei Dangdai Arts & Ideas”, os organizadores acreditam que o artista possui um olhar “perspicaz” sobre a cultura contemporânea. “Temas da cultura popular, das redes sociais, do modo de pensar do consumidor” são explorados de forma “cativante, caótica e divertida”. Ao trabalhar “com destreza com o vernáculo cultural da cultura pop contemporânea, o trabalho de Zhu estabeleceu uma forte ressonância com o público”, acrescentou a organização, defendendo ainda que o trabalho criativo do artista de Taiwan de certo modo “faz avançar a noção de cultura pop através da integração das belas-artes tradicionais, dos meios digitais e da cultura popular”.

      Em Macau, para além de telas com referências ao beijo de Klimt e o baloiço de Fragonard, poderemos também contemplar um quadro em três secções dedicado ao “Eterno T-Rex”, e ainda outras pinturas com produtos como embalagens de rebuçados, e outras explorações de ícones da modernidade, como a Branca de Neve, ou “Eddie”, uma personagem da série Stranger Things. Outro elemento que o artista taiwanês gosta de explorar é a imagem de um Tengu, que os responsáveis da Artelli dizem ser utilizado pelo artista como uma sátira da sociedade consumista moderna, de “um Tengu que persegue as tendências”. Esse Tengu e outros estarão expostos no espaço de arte: A Escultura única “SUNNY”, com uns imponentes dois metros de altura, foi criada expressa e exclusivamente para esta exposição e Macau, e é acompanhada pela colecção “SUNNY Sculpture”, composta por 28 esculturas de 30cm. “Cada escultura possui uma linguagem visual cativante e uma paleta de cores inigualável, encapsulando a filosofia criativa de Zhu”, defenderam os responsáveis, acrescentando que a “série exclusiva é revelada ao mundo pela primeira vez, tendo um valor significativo para os colecionadores”. Linwood Lin, chefe de Inovação da Artelli e da Forward Fashion, explicou que a série dos cães foi feita especificamente para a exposição. “Todas são únicas, feitas à medida e personalizadas. São muito especiais. Das 28 que estão expostas, algumas já foram reservadas para os nossos clientes VIP para que estes possam adicionar os seus próprios detalhes personalizados”, revelou. “É uma obra de arte original de pode ser personalizada. É uma tendência do mercado”.

      No passado dia 14 de Dezembro, o jovem artista participou numa performance de arte ao vivo na Artelli, seguida de uma sessão de encontro com coleccionadores e entusiastas de arte no dia 16. Sobre Macau, Chen Wei Zhu diz ser uma cidade “compacta, densa e condensada”, e também “cheia de edifícios históricos de fusão de oriente e ocidente”, elementos que serviram de inspiração a uma das obras que foram criadas no local e estão patentes na exposição.

      Como influências, diz apreciar muito o trabalho do artista nova iorquino Todd James. Foi o uso de cores muito vivas e com muito impacto, que o ajudaram a descobrir a sua própria forma de combinar certas cores. “O trabalho de Zhu está repleto de cores vivas e reluzentes, quase agressivas, mas que ainda assim nos faz sentir confortáveis. Há harmonia nos amarelos e verdes muitos brilhantes, numa proposta que é desafiante, mas que revela a própria personalidade do artista”, partilhou Linwood Lin.

      MODA, ARTE E TURISMO

      “A Artelli é um espaço pioneiro e multidimensional muito diferente das galerias tradicionais, e também muito diferente dos museus”, continuou a responsável por explicar ao PONTO FINAL, esclarecendo que o espaço na verdade funciona mais como um conceito de marca. “Na Ásia e no mundo esta é uma nova tendência, a fusão entre arte e retalho. O intuito é criar esta sinergia entre artistas e marcas para criar uma nova forma de ecossistema de arte. É uma nova forma de criar, e de proporcionar uma experiência singular, com produtos artísticos originais que impressionam o mercado e seduzem o consumidor”, avançou. O objectivo, diz, é ir mais longe, expandido os limites do mercado da arte tradicional, onde o foco está nos coleccionadores. “Na Artelli, queremos servir não só o coleccionador experiente, mas também pessoas que nunca compraram arte e querem começar a investir nesse mercado. Agora, esta geração gosta de ‘lifestyle’, e quer adquirir coisas que as representam”.

      Linwood Lin referiu que a Artelli não só representa um conceito pioneiro que combina arte e retalho através de colaborações com “artistas x IP x marcas” de renome, mas também se posiciona como um fornecedor líder de conteúdos artísticos que traz os primeiros, mais diversificados e inovadores projectos artísticos a Macau, em colaboração com o governo local e empresas, enquanto constrói a Artelli como um dos marcos da cidade de Macau.

      “Um destaque inclui a grande exposição deste verão em Macau do artista internacionalmente aclamado Mr Doodle, durante a Bienal de Arte de Macau”, mencionou, acrescentando que esta “atraiu mais de seis milhões de visitantes, mais de 2 mil referência nos meios de comunicação social, e dezenas de milhares de ‘hashtags’ em todas as redes sociais, chamando a atenção do mundo para Macau”.

      Apesar de o mercado ainda estar a desenvolver-se, Lin está bastante confiante no potencial do mercado de arte da cidade. “O comércio de arte é isento de impostos em Macau, e o florescimento do turismo de lazer continua a trazer-nos novos clientes, entre estes visitantes internacionais. Há também uma grande base de dados de VIPs de retalho de luxo e a geração emergente da Geração Z que potencialmente se tornarão nossos clientes”, defendeu.

      “Acreditamos que os Millennials e a Geração Z, que constituem 40% da população da China e representam 80% do consumo de luxo, irão dominar os futuros mercados de arte e de consumo”, prevê Linwood Lin. “Este grupo demográfico tem preferência por marcas personalizadas e customizadas, colocando uma maior ênfase no valor social e cultural dos produtos, procurando experiências que sejam enriquecedoras em termos de conhecimento, valores e espiritualidade. Alinhamos com o estilo de vida e hábitos sociais desta geração, facilitando o seu acesso e interação com a arte no nosso espaço, promovendo a popularização da arte”.

      Acima de tudo, em relação a Macau, o espaço de arte pretende promover continuamente projectos artísticos internacionais e estreias em Macau, atraindo turistas do mundo inteiro e enriquecendo o ambiente cultural e a experiência de viagem da região. “Isto dará uma enorme visibilidade à arte feita em Macau, levando, em última análise, à promoção do turismo.”

      Durante o “Arte Macau”, a Forward Fashion, a empresa-mãe da Artelli, convidou mais de 14 artistas internacionais e de Macau para uma colaboração inter-industrial com marcas de moda e IPs internacionais, criando conteúdos artísticos originais para Macau.

      “A nossa visão é continuar a trazer projectos artísticos internacionais mais diversificados e inovadores para Macau, melhorar o ambiente artístico e cultural urbano, e estabelecer

      Macau como a ‘Capital dos Eventos Artísticos’ para enriquecer ainda mais o fascínio diversificado do turismo na cidade”, acrescentou. “Aspiramos a ser um pioneiro no mercado da arte, introduzindo consistentemente conteúdos mais ricos, originais e inovadores para o mercado asiático no futuro.”