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      Início Internacional COP28: Compromisso sobre transição para fim de combustíveis fósseis marca cimeira

      COP28: Compromisso sobre transição para fim de combustíveis fósseis marca cimeira

       

      O compromisso de abandonar os combustíveis fósseis nos sistemas energéticos foi adoptado na cimeira do clima que terminou ontem no Dubai, embora sem a expressão “eliminação progressiva” que muitos países pediam.

      Depois de um adiamento de quase um dia, o texto mais importante da conferência das Nações Unidas sobre alterações climáticas (COP28) foi aprovado e nele os países concordaram com uma transição para o abandono dos combustíveis fósseis nos sistemas energéticos “de forma justa, ordenada e equitativa”, acelerando a acção nesta década para atingir as emissões zero de gases com efeito de estufa em 2050.

      Muitos países defenderam na cimeira que do Dubai, que decorreu durante duas semanas, devia sair uma decisão mais concreta, indicando definitivamente o início do fim dos combustíveis fósseis, sendo o documento ontem aprovado um bom começo para alguns e uma decepção para outros. No documento é reconhecida a necessidade de reduções profundas, rápidas e sustentadas das emissões de gases com efeito de estufa (GEE), em conformidade com a necessidade de impedir um aquecimento global superior a 1,5ºC em relação à época pré-industrial, como preconiza o Acordo de Paris. Triplicar a produção de energia renovável a nível mundial e duplicar até 2030 a taxa média anual global de melhoria da eficiência energética, bem como acelerar os esforços no sentido da eliminação progressiva da produção de energia a partir do carvão estão também na lista de intenções saídas da COP28. A lista inclui igualmente a necessidade de acelerar as tecnologias de emissões nulas e reduzidas, incluindo as renováveis, a produção de hidrogénio, a energia nuclear, e as tecnologias de redução e eliminação de dióxido de carbono (CO2).

      A questão da energia nuclear também não foi consensual na COP28, com países a defendê-la como forma de descarbonizar as economias e outros a querer o seu afastamento. Na cimeira os países também se comprometeram, segundo o mesmo documento, a reduzir substancialmente as emissões de CO2, e em especial as emissões de metano até 2030. E também acelerar a redução das emissões de GEE provenientes dos transportes rodoviários, optando por “veículos com emissões nulas e reduzidas”. “Eliminar gradualmente, o mais rapidamente possível, os subsídios ineficientes aos combustíveis fósseis, que não resolvem o problema da pobreza energética ou das transições justas”, é também preconizado no documento.

      Os países manifestaram-se ainda preocupados com o facto de 2023 ser o ano mais quente de que há registo, salientaram a necessidade de acções urgentes para manter o aumento da temperatura abaixo de 1,5ºC, e registaram que as actividades humanas já provocaram um aumento de 1,1ºC.

      No documento salientam a importância da conservação, protecção e recuperação da natureza e dos ecossistemas para alcançar os objectivos do Acordo de Paris, invertendo a desflorestação e degradação florestal até 2030. A COP28 instou ainda os países a preservarem e restaurarem os oceanos e os ecossistemas costeiros porque são, como as florestas, importantes sumidouros de carbono.

      De acordo com a agência de notícias AFP, o acordo foi bem recebido pela presidência da COP28 – assumida pelos Emirados Árabes Unidos (EAU) -, pelos Estados Unidos, pela União Europeia (UE), pela França, Espanha, Holanda, pelos países árabes, mas foi menos comemorado pela Austrália. As Nações Unidas e Samoa, que falaram em nome das pequenas ilhas, foram mais comedidos na celebração do pacto.

      A China afirmou que os países desenvolvidos devem “assumir a liderança” na transição energética global e “fornecer sem demora” apoio financeiro e técnico para a transição nos países em desenvolvimento, na conclusão da COP28, no Dubai. “Os países desenvolvidos têm uma responsabilidade histórica e indiscutível no que respeita às alterações climáticas: devem assumir a liderança na meta do 1,5°C” e “alcançar a neutralidade carbónica o mais rapidamente possível”, afirmou Zhao Yingmin, vice-ministro chinês do Ambiente. A China é o maior emissor mundial de gases com efeito de estufa. Quase dois terços da energia consumida no país assentam na queima do carvão. No entanto, o país é também o maior investidor do mundo em energias renováveis. Em 2022, o país asiático acrescentou tanta capacidade instalada de energia eólica e solar quanto todos os outros países do mundo combinados. O Presidente chinês, Xi Jinping, delineou, em 2020, os compromissos chineses para o clima: neutralidade carbónica “antes de 2060” e atingir o pico das emissões “antes de 2030”.

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau