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      COP28: Guterres pede flexibilidade e ambição nas negociações finais para cumprir objectivos de Paris

      O secretário-geral das Nações Unidas pediu ontem flexibilidade e ambição máximas nas negociações finais da cimeira do clima, mas sem perder de vista os objectivos assumidos no Acordo de Paris.

       

       

      “Estamos numa corrida contra o tempo”, disse António Guterres, defendendo que “é tempo para ambição máxima e flexibilidade máxima”. No dia em que começam as negociações finais na 28.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28), a decorrer no Dubai, o secretário-geral da ONU pediu aos países que não percam de vista os objectivos assumidos no Acordo de Paris e defendeu que o único caminho é o fim dos combustíveis fósseis.

      Adoptado em 2015, o Acordo de Paris impôs como objectivos a redução das emissões de gases com efeito de estufa para a atmosfera e a limitação do aumento das temperaturas mundiais além de 2ºC acima dos valores da época pré-industrial, e de preferência que não aumentem além de 1,5ºC.

      O primeiro balanço do acordo está a ser feito na COP28, através do Global Stocktake, cujo texto final deverá ter alguma referência ao fim dos combustíveis fósseis, um tema que não está, no entanto, a ser consensual entre as partes.

      “É essencial que o Global Stocktake [o principal mecanismo através do qual são avaliados os progressos efectuados no âmbito do Acordo de Paris] reconheça a necessidade de iniciar a eliminação de todos os combustíveis fósseis num período consistente com a meta de 1,5ºC e de acelerar uma transição energética justa para todos”, afirmou António Guterres, numa declaração aos jornalistas.

      Neste momento, estão ainda em cima da mesa diferentes opções de formulação do que diz respeito ao tema dos combustíveis fósseis: duas, fortemente contestadas pelos produtores de petróleo, que referem a eliminação dos combustíveis fósseis, e outras duas que apontam apenas o fim dos combustíveis fósseis em que não é possível a captura de carbono, chamados ‘unabated’.

      Insistindo na eliminação dos combustíveis fósseis alinhada com as metas de Paris, António Guterres ressalvou, no entanto, que “não significa que todos os países tenham de eliminar os combustíveis fósseis ao mesmo tempo, mas que, globalmente, a eliminação tem de ser compatível com a neutralidade carbónica até 2050 e a limitação do aumento da temperatura a 1,5ºC.

      Outros dos aspectos fundamentais, acrescentou o secretário-geral, é a ambição em relação ao tema da adaptação às alterações climáticas, outra das matérias menos consensuais nestas negociais.

      Sobretudo no que diz respeito ao apoio dos países em desenvolvimento, António Guterres defendeu um esforço acrescido pelos países entre os maiores emissores de gases com efeito de estufa, mais financiamento climático, mas também mecanismos que aliviem a “situação financeira dramática” que muitos desses países enfrentam.

      “Uma das coisas essenciais é que todos os compromissos assumidos por países desenvolvidos sejam implementados de forma transparente, mas não vamos resolver os problemas de equidade em relação ao clima apenas com financiamento climático”, sublinhou.

      Em concreto, António Guterres defendeu na arquitetura financeira internacional, mecanismos de alívio da dívida e o aumento de capital e mudança do modelo de negócio dos bancos internacionais multilaterais.

      “Os próximos dois anos são vitais”, afirmou o responsável, que espera que os países saiam do Dubai “com uma compreensão clara daquilo que é exigido entre este momento e a COP30”, que se realiza em 2025 no Brasil.

       

      CHEFE DA ONU PARA O CLIMA PEDE FIM DE “BLOQUEIOS TÁTICOS DESNECESSÁRIOS”

       

      O chefe da agência da ONU para o clima apelou aos países reunidos na COP28 para que eliminem “bloqueios táticos desnecessários”, em vésperas do final previsto da conferência, que se centra no futuro dos combustíveis fósseis.

      “Estamos aqui para discutir duas questões”, afirmou Simon Stiell, no Dubai, citando a redução das emissões de gases com efeito de estufa e “as formas” de apoio à transição dos países menos desenvolvidos para as energias renováveis, enquanto se aguarda para breve uma nova proposta de texto final.

      É necessário chegar a um compromisso sobre a eliminação progressiva ou, pelo menos, a redução da utilização de combustíveis fósseis, assegurando simultaneamente o financiamento para os países mais pobres.

      As duas questões estão indissociavelmente ligadas, afirmou o secretário executivo da ONU para as Alterações Climáticas. “Os níveis mais elevados de ambição são possíveis para ambas as questões (…). Cada passo atrás em relação à ambição máxima custará milhões de vidas”, disse aos jornalistas, sublinhando a sua oposição a uma política de pequenos passos.

      “Não temos um minuto a perder”, frisou, numa altura em que a COP28 está prestes a terminar, mas as questões-chave ainda não foram resolvidas.

      O presidente da COP28, sultão Al Jaber, também diretor da companhia petrolífera dos Emirados Árabes Unidos, prometeu um “acordo histórico” a 12 de Dezembro, aniversário do acordo de Paris.

       

      PORTUGAL INSISTE NO FIM DOS COMBUSTÍVEIS FÓSSEIS

       

      A secretária de Estado da Energia e Clima reconheceu ontem a dificuldade de chegar a um consenso sobre o tema dos combustíveis fósseis, mas reafirmou a posição de Portugal quanto à sua eliminação nas próximas décadas.

      Na véspera do primeiro de, pelo menos, dois dias exclusivamente dedicados às negociações finais na 28.ª Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP28), Ana Fontoura Gouveia afirmou que, da parte de Portugal e da União Europeia, os combustíveis fósseis são mesmo para eliminar até 2050.

      “A matéria dos combustíveis fósseis é uma das mais difíceis e é por isso que aqui estamos, para conseguir encontrar uma linguagem comum. O objectivo central é que os combustíveis fósseis sejam eliminados até 2050”, disse a governante em declarações aos jornalistas ao final do dia.

      Na discussão do ‘Global Stocktake’ estão em cima da mesa diferentes opções de formulação do que diz respeito ao tema dos combustíveis fósseis. Duas das opções, fortemente contestadas pelos produtores de petróleo, referem a eliminação dos combustíveis fósseis, enquanto outras duas apontam apenas o fim dos combustíveis fósseis em que não é possível a captura de carbono, chamados ‘unabated’.

      “As tecnologias que nos permitem capturar as emissões de carbono associadas aos combustíveis fósseis são muito caras ou ainda inexistentes, portanto, o caminho tem de ser a eliminação dos combustíveis fósseis até 2050”, insistiu a secretária de Estado.

      À beira das negociações finais, o tema continua a ser dos menos consensuais, mas Ana Fontoura Gouveia acredita que será possível um acordo até ao final previsto da cimeira e espera, acima de tudo, que o resultado permita cumprir os objectivos da União Europeia.

      “Temos muitos textos, muitas propostas, muitas discussões bilaterais no sentido de aproximarmos posições. Estamos muito convictos de que, com mais algum trabalho, conseguiremos chegar a um texto final que esteja à altura daquilo que nos trouxe a todos ao Dubai”, antecipou.

      Questionada sobre a posição de alguns países produtores de petróleo e comentando também a hipótese de a próxima cimeira se realizar no Azerbaijão, a secretária de Estado considerou que “essas são as geografias certas para termos esta discussão”.

      “Não podemos ter uma discussão séria sobre uma transição climática se excluirmos estes países que, na verdade, estão aqui comprometidos com o diálogo. É isso que temos visto”, referindo o exemplo dos Emirados Árabes Unidos e do presidente da COP28, Sultan Al Jaber, que é também presidente da companhia petrolífera nacional.

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau