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      Início Internacional Morreu Henry Kissinger, o homem que aproximou Washington de Pequim

      Morreu Henry Kissinger, o homem que aproximou Washington de Pequim

       

      Morreu na quarta-feira, aos 100 anos, o antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, responsável pela aproximação entre os Estados Unidos e a China nos anos 70. Pequim reagiu à morte de Kissinger salientando as “contribuições históricas” para as relações entre os dois países.

       

       

      Peça-chave da diplomacia mundial durante a Guerra Fria, Henry Kissinger aproximou Moscovo e Pequim, mas o ex-secretário de Estado norte-americano também permanece ligado a episódios controversos, como o golpe militar de 1973 no Chile. O antigo responsável pela diplomacia norte-americana morreu esta quarta-feira, aos 100 anos, “na sua casa em Connecticut”, anunciou a sua empresa de consultadoria em comunicado.

      Sinal da aura e da influência do ex-governante que dirigiu a política externa dos presidentes Richard Nixon e Gerald Ford, este pequeno homem de voz grave e forte sotaque alemão era, apesar da idade avançada, ainda recentemente consultado por toda a classe política e recebido em todo o mundo por chefes de Estado ou convidado para conferências.

      O exemplo mais recente foi a visita a Pequim, em Julho, para se encontrar com o Presidente chinês, Xi Jinping, que o saudou como um “diplomata lendário”, por ter sido o responsável pela aproximação entre a China e os Estados Unidos na década de 1970.

      Ninguém deixou uma marca maior na política externa norte-americana da segunda metade do século XX, sendo elogiado pelas suas capacidades de negociação, conseguindo ser tanto sensível como autoritário.

      O nazismo teve um efeito profundo no jovem judeu alemão Heinz Alfred Kissinger, nascido a 27 de Maio de 1923 em Fürth, na Baviera, Sul da Alemanha. Acabou por se refugiar nos Estados Unidos com a família aos 15 anos. Naturalizado cidadão norte-americano aos 20 anos, este filho de um professor entrou para o serviço militar de contraespionagem e para o exército norte-americano, e seguiu para a Europa como intérprete alemão.

      Após a Segunda Guerra Mundial, desejoso de regressar aos estudos, inscreveu-se em Harvard, licenciando-se em relações internacionais, antes de aí leccionar e de se tornar um dos seus directores. Foi nessa altura que os presidentes democratas John Kennedy e Lyndon Johnson começaram a aconselhar-se regularmente com este professor, brilhante e ambicioso.

      Mas o homem dos óculos de armação grossa impôs-se como o rosto da diplomacia mundial quando o republicano Richard Nixon o chamou para a Casa Branca, em 1969, como conselheiro de Segurança Nacional, depois como secretário de Estado – ocupou os dois cargos de 1973 a 1975 e permaneceu nos Negócios Estrangeiros sob a direcção de Gerald Ford até 1977.

      Foi então que deu início à “Realpolitik” norte-americana, começando o desanuviar das tensões com a União Soviética e o descongelamento das relações com a China de Mao Tsé-Tung, durante viagens secretas para organizar a visita histórica de Nixon a Pequim em 1972.

      Kissinger liderou também as negociações com Le Duc Tho para pôr fim à guerra do Vietname, também no maior secretismo. A assinatura de um cessar-fogo valeu-lhe mesmo o Prémio Nobel da Paz, juntamente com o norte-vietnamita, em 1973. Mas Le Duc Tho recusou o prémio, um dos mais polémicos da história do Nobel.

      Os detratores de Kissinger há muito que pediam que fosse julgado por crimes de guerra, denunciando o seu envolvimento em casos como os bombardeamentos maciços no Camboja e o apoio ao ex-Presidente indonésio Suharto, cuja invasão pelas forças indonésias a Timor-Leste causou 200 mil mortos em 1975.

      Mas foi sobretudo o papel da CIA na América Latina, muitas vezes por sua instigação directa, que manchou a sua imagem, a começar pelo golpe de Estado de 1973 no Chile, que levou Augusto Pinochet ao poder após a morte de Salvador Allende.

      Ao longo dos anos, os arquivos revelaram os contornos e a extensão do “Plano Condor” para a eliminação dos opositores das ditaduras sul-americanas dos anos 70 e 80. Apesar destes episódios, o autor de “A Ordem do Mundo”, de 2014, pai de dois filhos e casado com a filantropa Nancy Maginnes, manteve-se sempre influente.

       

       

       

      Morte de ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger é “enorme perda”, diz embaixador da China nos EUA

       

      O embaixador da China nos Estados Unidos, Xie Feng, qualificou de “enorme perda” a morte do antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger, arquitecto da aproximação entre Pequim e Washington nos anos 70. “Estou profundamente chocado e triste por saber da morte do dr. Kissinger aos 100 anos”, escreveu o embaixador Xie Feng nas redes sociais, naquela que foi a primeira reacção oficial de Pequim sobre o assunto.”Esta é uma enorme perda para os nossos dois países e para o mundo”, acrescentou o diplomata chinês, acrescentando que “a história recordará o que (…) trouxe às relações entre a China e os Estados Unidos”.

       

       

      MNE chinês saúda contribuições históricas para as relações sino-americanas

       

      A China saudou as “contribuições históricas” de Henry Kissinger para as relações entre Pequim e Washington, após a morte, aos 100 anos, do antigo diplomata norte-americano, descrito como “um velho e bom amigo do povo chinês”. Kissinger “apoiou o desenvolvimento das relações entre China e Estados Unidos durante muito tempo e visitou a China por mais de 100 vezes, fazendo contribuições históricas para promover a normalização” das relações entre os dois países, disse o porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Wenbin. “Durante toda a sua vida, Kissinger atribuiu grande importância às relações entre China e Estados Unidos e acreditou que estas eram vitais para a paz e prosperidade dos dois países e do mundo”, acrescentou. Conselheiro de segurança nacional e secretário de Estado dos presidentes norte-americanos Richard Nixon e Gerald Ford, entre 1969 e 1977, Kissinger desempenhou um papel fundamental no degelo gradual das relações entre Washington e a China, o que lhe valeu a alcunha de “velho amigo do povo chinês”. O Presidente chinês, Xi Jinping, que se encontrou com o antigo diplomata em Pequim em Julho passado, enviou as suas condolências ao homólogo norte-americano, Joe Biden, de acordo com o porta-voz. O primeiro-ministro Li Qiang e o ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi também enviaram mensagens de condolências, segundo a mesma fonte. “A China e os Estados Unidos devem herdar a visão estratégica, a coragem política e a sabedoria diplomática de Kissinger”, afirmou Wang. Os dois países devem “aderir ao respeito mútuo, à coexistência pacífica e à cooperação vantajosa para todos”, sublinhou o porta-voz, apelando a um “consenso” entre as duas potências.

       

       

       

      Líderes mundiais lembram político visionário

       

      Vários líderes mundiais enalteceram o legado do ex-secretário de Estado dos EUA Henry Kissinger, lembrando-o como “político visionário” e “grande diplomata”. O Presidente russo, Vladimir Putin, expressou as suas condolências pela morte de Henry Kissinger, num telegrama enviado à viúva do ex-chefe da diplomacia dos EUA divulgado pelo Kremlin, lembrando-o como um político visionário de grande autoridade em todo o mundo. “Morreu um diplomata muito notável, um estadista sábio e visionário, que durante muitas décadas gozou de autoridade merecida em todo o mundo”, refere o telegrama. Na nota, Putin realçou que Kissinger, com quem se encontrou em mais de 20 ocasiões, sempre defendeu “uma política externa pragmática”, que “lhe permitiu alcançar a redução da escalada das tensões internacionais”. “E alcançar importantes acordos soviético americanos que contribuíram para o fortalecimento da segurança global”, acrescentou. O Presidente russo lembrou que teve a oportunidade de falar com Kissinger – que destacou como “homem profundo e extraordinário” – em inúmeras ocasiões: “Sem dúvida, guardarei dele as melhores lembranças”.

      Da Ucrânia surgiu uma declaração do ministro dos Negócios Estrangeiros, que na rede social X considerou que o “legado intelectual” de Kissinger “continuará a influenciar” a “diplomacia e a ordem mundial”, mesmo após a sua morte. “O seu legado intelectual continuará a influenciar a compreensão da diplomacia e da ordem mundial”, escreveu o ministro Dmytro Kouleba.

      Por seu lado, o chanceler alemão Olaf Scholz saudou o “compromisso significativo” de Henry Kissinger para com a amizade entre a Alemanha e os Estados Unidos, acrescentando que o mundo perdeu “um grande diplomata”. Henry Kissinger, que fugiu da Alemanha nazi para se instalar com a família nos Estados Unidos, “permaneceu sempre ligado ao seu país natal”, acrescentou o chanceler na sua conta na rede social X.

      Também o Presidente israelita expressou as suas condolências pela morte do ex-secretário de Estado dos EUA, elogiando-o como um grande diplomata que amava Israel. “Henry Kissinger foi um dos maiores diplomatas. Um adolescente judeu que fugiu dos nazis e se tornou um gigante que moldou a política mundial com suas próprias mãos e mente”, disse Herzog, num comunicado divulgado pelo seu gabinete. Isaac Herzog sublinhou ainda os “frutos dos processos históricos” que Kissinger liderou, “incluindo o estabelecimento das bases do acordo de paz de Israel com o Egipto”.

      Já o primeiro-ministro japonês saudou as “contribuições significativas para a paz e a estabilidade” na Ásia dadas pelo antigo secretário de Estado norte-americano Henry Kissinger. Kissinger deu “contribuições significativas para a paz e a estabilidade regionais, incluindo a normalização das relações diplomáticas entre os Estados Unidos e a China”, disse Fumio Kishida aos jornalistas.

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau