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      Wong Sio Chak admite que há muitas fugas de dados pessoais que possibilitam burlas

       

      Os casos de burlas já causaram um prejuízo monetário total de 215 milhões de patacas em Macau entre Janeiro e Setembro. Preocupado com a alta incidência das burlas, o secretário para a Segurança disse também ter recebido, ele próprio, chamadas de burlas que o ameaçavam de detenção. Wong Sio Chak admitiu assim que há muitas fugas de dados pessoais, no entanto, é difícil detectar a fonte.

       

       

      O secretário para a Segurança está preocupado com o aumento dos casos de burlas, defendendo o aumento da prevenção e da consciencialização do público sobre esse tipo de crimes. Alertando para a alta incidência das burlas que simulam chamadas telefónicas de funcionários de “polícia, procuradoria e tribunal”, Wong Sio Chak admitiu que “há muitas lacunas” na fuga de dados pessoais em Macau, mas “é difícil encontrar a fonte”.

      Wong Sio Chak considera que muitas ocasiões na vida quotidiana podem dar origem a fugas de informações pessoais, como por exemplo as compras online, as reservas de viagens, check-in nos hotéis, e até o Código de Saúde. “Os dados pessoais estão por todo o lado e é difícil saber a fonte [das fugas], pelo que só resta que os cidadãos tenham de ter cuidado e prestem atenção”, frisou.

      Na sessão de apresentação das Linhas de Acção Governativa, o secretário disse que o próprio também foi alvo de burlas telefónicas. “Ligaram antes de uma reunião da comissão permanente da Assembleia Legislativa, disseram que era de Fuzhou e que eu era suspeito de enviar mensagens fraudulentas, e estava sujeito a uma investigação”, detalhou o responsável.

      Wong Sio Chak acrescentou que, nessa altura, sugeriu que o indivíduo não praticasse burlas, mas a outra parte insistiu na necessidade da “investigação”. “Disse que ia mandar alguém para me prender, e assim eu disse que podem vir de imediato”. “A pessoa conseguiu dizer o meu nome e o meu número de telemóvel, mas claro que não sabia o meu cargo. Não deve ter feito uma recolha de informação completa, não sabia que sou o secretário para a Segurança”, afirmou.

      Desse modo, o secretário chamou a atenção do público para não acreditar nos telefonemas de burlas, mesmo que a pessoa que ligou saiba o seu nome ou outros dados pessoais, reiterando que não é possível as autoridades policiais usarem a chamada para investigar os casos.

      Entre Janeiro e Setembro deste ano, as perdas da população nos casos de burlas atingiram 215 milhões de patacas, com registo de 1.640 casos, o que representa um aumento de 69,2% em relação à época homóloga do ano passado. De acordo com Wong Sio Chak, comparando com as perdas de cinco mil milhões em Hong Kong e mais de três mil milhões em Singapura, o prejuízo em Macau foi relativamente pequeno, mas um caso já é “demais”. O secretário elogiou, no entanto, os trabalhos de prevenção de burla, tendo os bancos locais impedido o pagamento de 110 milhões de patacas.

      “Os esquemas fraudulentos são todos antiquados, mas algumas pessoas têm a mentalidade de que não serão enganadas, e assim tornaram-se vítimas”, lembrou. Wong Sio Chak apontou que no passado a maioria dos lesados eram pessoas com poucos conhecimentos, contudo agora são cada vez mais pessoas com conhecimentos, como mestrados e doutorados, a serem burladas em milhões de patacas de cada vez.

      Assumindo que as autoridades “estão tristes” com o facto de que “os intelectuais não prestarem atenção às mensagens de prevenção de burlas divulgadas pelo Governo”, o secretário alertou também para as burlas que visam estudantes, bem como aquelas que tiram partido da intimidade emocional, com esquemas de detenção da família que pedem dinheiro para as salvar.