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      Início Opinião Missão a Tokushima

      Missão a Tokushima

       

      A bem dos laços históricos que nos unem ao Japão, há coisas que, como Embaixador de Portugal, não posso deixar de fazer e visitar Tokushima foi uma delas, numa missão que realizei nos dias 30 e 31 de outubro.

      Esta cidade é conhecida dos portugueses por ser a última morada de Wenceslau de Moraes. Foi ali que um dos nossos grandes escritores do Oriente decidiu aposentar-se como cônsul em Kobe e ser sepultado, em 1929. Por essa razão, existem diversas ligações afetivas que definem a identidade cultural de Tokushima.

      O elo com Moraes está visível por toda a cidade. Desde logo, há uma avenida e uma rua com o seu nome, esta conduzindo à antiga residência do escritor, que não sobreviveu à guerra. Há também um parque, uma praça, e um busto em frente da escola primária. Por fim, há um modesto núcleo museológico sedeado no Centro “Awa” – nome da famosa dança folclórica que todos os anos traz milhões de visitantes à cidade e que deu o mote ao seu livro “O Bon-Odori Em Tokushima”.

      Como muitas outras cidades japonesas destruídas durante a II Guerra Mundial, Tokushima pretendeu tirar proveito do milagre económico iniciado nos anos 1960 para criar uma nova imagem e abrir-se ao mundo. Foi nesta altura que se recuperou a ligação a Portugal, com um dos meus antecessores, Embaixador Martins Janeira, a lançar um programa de geminação com Leiria que até hoje constitui a mais antiga ligação entre cidades dos dois países.

      Desde então, criaram-se também a Associação Wenceslau de Moraes, a Sociedade Luso-Nipónica de Tokushima, e o Consulado Honorário de Portugal, agora ocupado pela Sra. Miki Reiko. Todos eles tentam, com fundos que escasseiam e com associados envelhecidos, alimentar o interesse dos seus concidadãos sobre Portugal.

      Como tive oportunidade de constatar nos encontros que mantive com a Mayor Naito Sawako, com o Governador prefeitural Gotoda Masazumi, e com o presidente do Jornal de Tokushima, Ikegami Harunori, este é, infelizmente, um retrato de uma parceria que há muito se encontra dormente e que agora importa revitalizar.

      As minhas mensagens, particularmente junto das autoridades municipais e prefeiturais, centraram-se justamente na estratégia diplomática que tem animado as relações luso-nipónicas desde a minha chegada. Sem esquecer os 480 anos e as comemorações que temos vindo a levar a cabo, lancei diversos desafios aos nossos parceiros em Tokushima para inaugurar uma nova fase no relacionamento bilateral em linha com o Portugal moderno e competitivo que tanto defendo.

      Concluída a visita, estamos agora a trabalhar para identificar projetos de cooperação na área da saúde, eletrónica e turismo para renovar os nossos laços com Tokushima.

       

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras