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      Início Grande China Cimeira Biden–Xi pode devolver estabilidade a relação competitiva

      Cimeira Biden–Xi pode devolver estabilidade a relação competitiva

       

      Um analista norte-americano salientou que o encontro entre os líderes norte-americano e chinês pode sinalizar ao sistema chinês que é seguro dialogar com Washington, apesar de a natureza da relação permanecer “competitiva

       

      O encontro entre Biden e Xi Jinping deverá realizar-se na próxima quarta-feira, à margem da cimeira da Cooperação Económica Ásia – Pacífico, em São Francisco.

      A relação bilateral deteriorou-se nos últimos anos, com várias disputas simultâneas entre as duas maiores economias do mundo, incluindo uma prolongada guerra comercial e tecnológica e diferendos em questões envolvendo os Direitos Humanos, o estatuto de Taiwan e Hong Kong ou a soberania do Mar do Sul da China. “As expectativas são baixas”, reconheceu Jude Blanchette, presidente do Departamento para Estudos da China no Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, um grupo de reflexão (‘think tank’) com sede em Washington. “O ambiente continua muito pesado”, notou.

      O analista lembrou como, logo após o encontro entre Biden e Xi em Bali, no ano passado, à margem da cimeira do G20, as tensões foram agravadas pela passagem de um balão chinês pelo espaço aéreo dos Estados Unidos. “Grande parte da classe política norte-americana perdeu a cabeça por causa do balão: foi como se tivéssemos sido atacados nas praias da Normandia”, descreveu Blanchette.

      No Mar do Sul da China, que Pequim reclama quase na totalidade e onde o Exército norte-americano conduz regularmente operações denominadas “liberdade de navegação”, despiques entre aeronaves militares e navios de guerra dos dois países são cada vez mais frequentes.

      No mês passado, o Exército norte-americano divulgou imagens que mostram um caça bimotor Shenyang J-11 a aproximar-se de um bombardeiro da Força Aérea dos EUA a uma “velocidade excessiva e descontrolada, voando por baixo, à frente e a menos de três metros, colocando ambas as aeronaves em risco de embate”. “Se isto for feito por 10 ou 20 vezes, a certa altura vai resultar num embate”, avisou o analista.

      Outros pontos de fricção incluem Taiwan e as restrições impostas pelos Estados Unidos sobre o fornecimento de ‘chips’ semicondutores a empresas chinesas. Aqueles componentes são essenciais para a produção de veículos elétricos ou sistemas de inteligência artificial e têm aplicação militar.

      Jude Blanchette não espera uma redução das “acções competitivas”, mas antes uma estabilização das relações. “Trata-se de uma tentativa de ter uma conversa profunda em que os dois lados partilham diretamente as suas preocupações, mas o mais importante é que a reunião sinaliza ao sistema chinês de que é seguro dialogar com o lado norte-americano”, disse.

      O analista considerou que a cimeira pode produzir resultados concretos, incluindo o aumento dos voos diretos entre os dois países, que permanecem muito aquém do nível anterior à pandemia, a luta contra a produção de fentanil, a droga responsável por cerca de 300 mortes por dia nos EUA e que é produzida com químicos provenientes da China, e a criação de grupos de trabalho conjuntos em questões como o clima, tecnologia e inteligência artificial.

      Defendeu ainda que Xi vai chegar ao encontro a sentir-se numa “boa posição”. “Penso que Xi continua a ver os Estados Unidos com problemas estruturais muito significativos e profundos, apesar de ter estabilizado, certamente, em relação à administração de [Donald] Trump”, disse. “Aposto que a sua noção de que o Oriente está a ascender e o Ocidente está em declínio se mantém”, afirmou. Lusa

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau