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      Panda gigante feito a partir de lixo de Bordalo II na exposição de artes sino-lusófonas do IC

       

      Um total de 21 pinturas, vídeos, instalações e arte pública vão estar expostas na galeria da Casa da Nostalgia, na Taipa. As obras de artistas locais, da China, do Brasil, Portugal e Angola fazem parte da mostra anual de artes chinesas e de países lusófonos organizada pelo Instituto Cultural. Numa estreia no território, o conceituado artista português Bordalo II traz duas peças em grande escala a Macau, entre elas um panda feito com materiais reciclados, que podem ser vistas a partir de Dezembro na Antiga Fábrica de Panchões e nos Estaleiros de Lai Chi Vun.

       

      Com o intuito de dar a conhecer “o charme único do encontro e intercâmbio entre as culturas chinesa e lusófona e da fusão harmoniosa de culturas”, o Instituto Cultural (IC) organizou mais uma Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa, uma iniciativa que faz parte do “5.º Encontro em Macau – Festival de Artes e Cultura entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. Recém-inaugurada no sábado passado, a exposição sob o tema “Relações” estará na galeria da Casa de Nostalgia, nas Casas-Museu da Taipa até 1 de Janeiro de 2024. As 21 peças seleccionadas são da autoria de artistas da China continental, de Macau, Angola, Brasil e Portugal, e recorrem a diferentes media como pintura, vídeo, instalação e, pela primeira vez no programa desta exposição anual do IC, de arte pública urbana.

      O artista português Bordalo II, nome artístico de Artur Bordalo, que se tem tornado numa das figuras de destaque do movimento de “Upcycled Art”, produção artística contemporânea feita a partir de lixo, traz a Macau duas obras de grandes dimensões que estarão expostas a partir de meados de Dezembro na Antiga Fábrica de Panchões Iec Long e dos Estaleiros Navais de Lai Chi Vun. Uma delas, revelou o IC em comunicado, será um panda gigante, “espécie única na China”, que servirá “para revelar as características festivas do intercâmbio cultural entre a China e os Países de Língua Portuguesa”. A entidade organizadora referiu ainda que o artista neto do pintor Rafael Bordalo transforma “lixo em tesouro” e recorre aos resíduos urbanos “como meio para chamar a atenção das pessoas para as questões da protecção ambiental”.

      Segundo a página de Bordalo II, as peças de pequena e grande escala que este tem construído e espalhado em cidades pelo mundo inteiro são acima de tudo um “veículo de um manifesto universal” de crítica da produção e consumo excessivos de coisas, que resultam na produção contínua de lixo e consequente destruição do Planeta.

      Também ainda estabelecendo uma ligação ao universo dos animais chineses, o artista brasileiro Eduardo Fonseca, cujas pinturas são uma explosão de cores e de construções engenhosas, vai estar nesta exposição com uma pintura sua do coelho do zodíaco chinês, e de “paisagens chinesas para apresentar o imaginário cultural chinês”, acrescentou o IC. O terceiro artista lusófono, o angolano Lino Damião, por seu turno, traz a Macau a cultura urbana angolana que é expressa nas suas pinturas “através da sobreposição de formas geométricas e da utilização de cores especiais” que, de forma abstracta, evocam memórias de passeios do artista pela cidade.

      Da China continental, vêm por sua vez dois artistas: Zhou Wei, que através de uma instalação pretende explorar a “forma simbiótica” como a cultura de Macau interage com as memórias do passado, e acaba por interagir com o presente e o futuro da cidade. Zhang Wenxin, também do interior da China, criou duas crisálidas “manifestando as suas formas húmidas numa rede de confrontos generativos entre o real e o irreal”, divulgou a organização.

      Mel Cheong, de Macau, estará presente na galeria do Carmo com uma obra que procura mostrar as diferentes interpretações que cada indivíduo pode ter, reflexo de “uma sociedade colorida e diversificada”, partilhou o IC, referindo-se também a Lai Sio Kit, o segundo artista de Macau que irá expor o seu trabalho na mostra sino-lusófona. O pintor tem uma predileção pela patine do antigo, e gosta de expressar a “marca do tempo através da pintura, dando uma aparência envelhecida e desbotada aos pisos antigos” presentes nas suas criações.

      A organização indicou ainda em nota que a “Exposição Anual de Artes entre a China e os Países de Língua Portuguesa” está aberta gratuitamente todos os dias entre as 10h e 19h, excepto segundas, com visitas guiadas em cantonense, mandarim e inglês todos os sábados e domingos às 15h e 16h.