Edição do dia

Terça-feira, 18 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
chuva forte
30.7 ° C
33.7 °
29.9 °
89 %
4.1kmh
40 %
Ter
31 °
Qua
30 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedadeRelatório do IAS revela que jovens infractores estão a aumentar e começam...

      Relatório do IAS revela que jovens infractores estão a aumentar e começam cada vez mais cedo  

       

      Um relatório do Instituto de Acção Social descobriu que os casos de jovens infractores, encaminhados para o organismo entre 2020 e 2022, revelam uma tendência de aumento e de começarem cada vez mais cedo. A maior parte dos indivíduos é do sexo masculino, mora na Zona Norte, são estudantes e vivem com os pais. O estudo expôs ainda a diferença sobre a expectativa de serviços entre os pais e os jovens: “melhorar a rede de amizades” é o serviço mais pretendido pelos pais, enquanto os jovens esperam mais apoio de acesso aos estudos.

       

      Foi um aumento de 13% no número de casos de delinquência juvenil que o tribunal entregou ao Instituto de Acção Social (IAS) para avaliação ou seguimento nos últimos três anos, revelou o relatório sobre as características dos Jovens Infractores, publicado pelo Departamento de Reinserção Social do organismo. O documento aponta ainda que os jovens infractores em Macau são cada vez mais novos, com uma média de idade de 13,8 anos quando cometeram os crimes.

      O relatório do inquérito analisou os dados relativos a casos de jovens infractores que o tribunal encaminhou para o Departamento de Reinserção Social, entre 2020 e 2022, no âmbito do relatório social prévio da decisão final do juiz ou do acompanhamento pela primeira vez.

      Sendo o nono inquérito do género realizado pelas autoridades desde 1998, foi feita uma comparação entre os resultados dos últimos três anos e os de 2020 com dados recolhidos entre 2016 e 2019, para “acompanhar as mudanças nas características e comportamentos dos jovens infractores, servindo como referência para o desenvolvimento e formulação de estratégias de retificação no futuro”.

      De acordo com o documento, nos últimos três anos, houve 169 casos de jovens infractores remetidos para o IAS, 20 casos mais em relação ao número registado no relatório de 2020. Entre os inquéritos, 54 pessoas (32%) tinham 14 anos de idade, enquanto 30,2% tinham 15 anos, 25,4% tinham 13 anos e 12,4% tinham 12 anos.

      “A idade de 14 anos foi a mais comum e a idade em média é de 13,8 anos. Os 15 anos foi a idade mais comum no relatório de 2020 e a média etária foi de 13,9 anos, o que mostra que a idade dos infractores está a diminuir”, indicou.

      Mais de 82% dos infractores são do sexo masculino, maioritariamente nasceram em Macau, quase metade reside na Freguesia de Nossa Senhora de Fátima, ou seja, na Zona Norte do território, seguindo-se a Freguesia de Nossa Senhora do Carmo (16%). Nos tempos livres, mais de 40% navegavam na internet, nas redes sociais e em videojogos como actividades de lazer, tendo as actividades em grupo diminuído 12,6%. “A redução de actividades em grupo pode ser devido às restrições da pandemia”, frisou.

      O relatório diz ainda que a maioria dos inquiridos eram estudantes no momento em que praticaram a violação da lei, tendo a percentagem aumentado ligeiramente de 82,6%, no relatório de 2020, para 88,8% no relatório de 2023. E os motivos para deixar os estudos foram sobretudo a falta de motivação e infringirem as regras escolares.

       

      CRIMES CONTRA A PESSOA PREDOMINAM

       

      Por outro lado, segundo o documento, os crimes contra a pessoa continuam a ser as infracções predominantes, seguidos dos crimes contra o património. No entanto, a percentagem sobre os crimes contra a pessoa desceu de 61,7%, no relatório de 2020, para 53,3% nos últimos três anos; a relativa aos crimes contra o património subiu levemente, de 26,7% para 32,6%.

      Mais de 26% das infracções dos jovens deveram-se a ofensas à integridade física, sendo que o crime de furto apresentou 19,1%, e 19,6% dos crimes cometidos são relacionados com crimes sexuais, como o abuso sexual de crianças, estupro e fraude sexual. A proporção de jovens que cometeram crimes relacionados com drogas reduziu de 1,8% para 0,6% no presente relatório.

      Apesar de a prática de crimes em grupo voltar a ser a principal forma de comportamentos infractores dos jovens, a percentagem revela uma diminuição ligeira de 59,7% para 53,3%. Aliás, nos últimos três anos, entre os 169 jovens infractores, 13,6% tinham antecedentes criminais, mas 47,3% disseram que não tinham conhecimentos jurídicos relevantes antes de cometer as infracções.

       

      RENDIMENTO DAS FAMÍLIAS EM CAUSA DIMINUIU

       

      No que diz respeito à situação familiar, os relatórios deste ano e de 2020 mostram algumas semelhanças, sendo que a maioria dos jovens em questão vive com os pais. A faixa etária dos progenitores situava-se, em maioria, entre os 41 e os 50 anos, que têm o nível de escolaridade do ensino secundário. Os pais destes jovens infractores são, principalmente, “chefes ou gerentes” (16%) e mães como “funcionárias” (44,4%).

      “O rendimento per capita dos jovens infractores diminuiu, mas cerca de 80% das famílias relacionadas continuam a ter rendimento per capita superior ao valor do risco social [de 4.350 patacas]”, pode ler-se.

      No relatório de 2020, o maior grupo dos inquiridos tem um rendimento familiar per capita superior a 10 mil patacas, representando 40,9% do total, enquanto no relatório deste ano fixou-se, entretanto, em 28,4%, o que foi uma descida de 12,5%. Neste caso, a maioria está inserida em agregados familiares com rendimento per capita entre quatro e seis mil patacas.

      Os resultados da pesquisa referem também que 35,5% dos pais disseram que adoptam uma educação de forma “permissiva”, ou seja, com expectativas parentais reduzidas e valorização da comunicação com as crianças.

       

      EXPECTATIVAS DIFERENTES

       

      O relatório refere ainda que “conviver com amigos com maus comportamentos” é o factor primário responsável pela delinquência juvenil, com uma percentagem de 40,2%, seguido pela “má relação com os amigos” (7,8%) e “má relação com a família” (5,9%).

      Assim, “a melhoria da situação de amizade representa uma parte considerável dos serviços esperados pelos pais, e a percentagem é quatro vezes superior à de jovens que esperam este serviço”, salientou o IAS, frisando que “é necessário reforçar a educação e o apoio sobre amizades positivas para os jovens nos serviços de apoio correcional prestados pelo Departamento de Reinserção Social”.

      Os jovens infractores, todavia, tinham expectativas diferentes dos seus pais, mostrando que o seu maior desejo é receber mais apoio ao acesso aos estudos, com 38,8% das pessoas a pedirem um reforço desse serviço.

      “O facto de apenas 10 dos jovens inquiridos terem mencionado a necessidade de melhores serviços sobre a situação de fazer amigos revela que a maioria dos jovens não abordou a causa principal de delinquência e não estava consciente da questão de melhorar a sua situação em termos de amizade”, denuncia ainda o relatório.

      De forma geral, tendo em conta a procura de serviços de reinserção social, os pais e os jovens classificaram a melhoria de conhecimentos jurídicos como a prioridade dos serviços pretendidos.