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      Desenhos a carvão de Vincent Cheang e “caverna celestial” de Tan Bin no Foursquare Space  

       

      Com a curadoria de Alice Kok, a exposição “Sincronicity – Topology of the Mind” pretende criar paralelos entre três planos da consciência humana: a realidade, o sonho, e o estado meditativo. Através dos desenhos e instalações com projecções vídeo de Vincent Cheang e Tan Bin, os visitantes são imersos numa viagem onírica. Naquele que é mais um projecto de criação local apoiado pela Bienal de Arte, a exposição no Foursquare Space, nas imediações do Mercado Vermelho, arranca no dia 28 às 18h30, tendo um concerto agendado para as 20h do mesmo dia com Hong Iat U e Akitsugu Fukushima.

       

      Esta quinta-feira, dia 28, estreia mais uma exposição da Bienal de Arte: “Sincronicity – Topology of the Mind”, projecto de curadoria local que conta com obras do artista de Macau Vincent Cheang, e Tan Bin, de Hangzhou. A exposição estará na galeria Foursquare Space, no n.º 121A da Avenida Almirante Lacerda, até 26 de Novembro. Alice Kok, a curadora e porta-voz do projecto, partilhou que procurou-se criar um “ambiente de consciencialização sensorial”: o espaço de exposição foi concebido segundo conceitos de Geometria Sagrada, “criando um espaço espiritual que induz a uma sensação de harmonia, equilíbrio e ordem”.

      A exposição, acrescentou a responsável, divide-se em três níveis, a realidade, o sonho e “o núcleo interior da consciência”. Recorrendo a elementos de desenho, escultura, instalações de vídeo móveis e imagens geradas por computador, os artistas exploram os três planos. Para além disso, a exposição contará também com actuações de música ao vivo dos artistas Hong Iat U, de Macau, Oneness, de Xangai, e Akitsugu Fukushima, do Japão. No dia 30 de Outubro e a 11 de Novembro vão ainda decorrer workshops de meditação, arte terapia e de consciência sensorial pela mão das artistas Oneness e Alice Kok.

      “Symphony of Destruction: Insect Zombies Series”, são desenhos inteiramente a carvão da autoria do designer de moda e artista Vincent Cheang. “Os desenhos são altamente pormenorizados, com camadas, padrões e formas sobrepostas que criam uma sensação de profundidade dimensional”, partilhou o autor das peças. “Os desenhos são abstractos, mas representativos de criaturas que se assemelham a animais e insectos”. Estes desenhos representam a realidade, e são expostos nos corredores mais exteriores da exposição, em que o visitante é especificamente guiado para espaços longos e estreitos para observar as obras de perto, “descobrindo novas ligações e significados em cada visionamento”. Deste trabalho, Vincent Cheang diz estar ligado ao seu destino, e explora a desconstrução da vida, e a capacidade de o artista reorganizar a vida à sua maneira.

      Em contraste, a instalação do artista chinês Tan Bin “Cave Heaven”, explora o conceito de sonho através de uma instalação de uma escultura de uma montanha em forma de 8, símbolo do infinito. Um comboio percorre a montanha, cujo interior contém uma série de cenas: o poço, a caverna, a superfície da lua, o fundo do mar. Estas cenas, que não podem ser visionadas pelos visitantes, são transpostas para um ecrã externo em tempo real.

      A organização esclareceu que o conceito desta “caverna celestial” partiu de uma ideia espacial de geografia sagrada da dinastia Han, “um conceito entre religião, mitologia, filosofia e ficção científica que considera o universo como um corpo orgânico”. A narrativa de vídeo da obra é ambientada num estilo chinês de “ficção científica das cavernas”, e está organizada em sete capítulos espácio-temporais: Entrada incorrecta, Encolher, Abrir asas, Explorar a Lua, Conservação do Pensamento, Revelações de Vermes e Sonhos Assustadores, sendo que “todos exploram os limites e as possibilidades do espaço e do tempo de uma forma discursiva”, acrescentaram os responsáveis. Esta justaposição da dimensão da escultura da montanha, das imagens captadas pela câmara do comboio dentro da montanha, e da projecção das imagens no exterior ajudam a criar ainda mais esta dimensão onírica, com a escultura e o conteúdo desta a serem explorados através de diferentes dimensões e ângulos. “A estrutura topológica do sonho é explorada através de distâncias visuais e físicas nas imagens de vídeo, como se o sonho estivesse ao mesmo tempo perto e longe”.

      Entre sonho e realidade, um terceiro elemento também é explorado, o da “sincronicidade”: “a parte final do espaço de exposição é a Sala de Imagem Pinhole”, indicou a organização, “onde a janela original é selada, e é deixado um pequeno buraco para projectar a paisagem exterior na sala”. Porque o espaço Fourspace é do lado oposto do Mercado Vermelho, uma imagem deste será projectado na sala de forma invertida, “para que os visitantes possam entrar na sala e experimentar a magia da óptica, e explorar a interação entre realidade e ilusão”.

      Quanto ao concerto “Synchronicity” de Hong Iat Yu, Oneness e Aktsugu Fukushima, este propõe-se a explorar a “ressonância entre pessoas diferentes, como uma experiência de ‘déjà vu’, em que a vida das pessoas parece estar a repetir-se todos os dias, mudando continuamente e permanecendo a mesma”. Para além do concerto do dia de abertura da exposição no dia 28 às 20h, vai haver uma actuação adicional à mesma hora no dia 29, sexta-feira.

      Combinando a experiência sensorial, a exploração intuitiva e a fusão da arte e da espiritualidade, a artista chinesa Oneness vai coordenar um workshop de consciência sensorial no dia 30 de Outubro, que oferece aos participantes a oportunidade de explorar conceitos de espiritualidade através da arte e dos seis sentidos. No dia 11 de Novembro, sábado, às 11h e às 15h, Alice Kok vai conduzir os participantes por uma série de exercícios e experiências artísticas, explorando o potencial criativo destes através de exercícios artísticos pós-meditação, que serão depois desenvolvidos em criações externas que podem ser apreciadas como obras de arte. A prática inclui meditação, poesia, escrita, pintura e tarot.