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      InícioEconomiaCloee Chao defende aumento de salário para ‘croupiers’  

      Cloee Chao defende aumento de salário para ‘croupiers’  

      Os ‘croupiers’ estão à espera de um ajuste salarial com a retoma das actividades turísticas e o regresso de jogadores após a reabertura da cidade após a pandemia. A presidente da Associação Novo Macau pelos Direitos dos Trabalhadores do Jogo, Cloee Chao, sugeriu um aumento de 5%, mas lamentou a fraca possibilidade de as concessionárias elevarem o salário dos ‘croupiers’ e emitirem o prémio de Verão este ano. Ao PONTO FINAL, Cloee Chao revelou que o volume de trabalho dos ‘croupiers’ é maior e a exigência das operadoras também aumentou.

       

      Cloee Chao, presidente da Associação Novo Macau pelos Direitos dos Trabalhadores do Jogo, pediu um aumento de salário para funcionários de casinos, nomeadamente os ‘croupiers’, que não recebem ajuste salarial desde o ano de 2019. “Foram quase cinco anos em que não se aumentou o salário dos ‘croupiers’. Estão a receber o mesmo agora do que em 2019”, revelou Cloee Chao, em declarações ao PONTO FINAL.

      Após os tempos difíceis para o sector de jogo durante a pandemia, aconteceu este ano a reabertura da cidade, e a responsável apontou que os funcionários esperam que “haja boas notícias” relativamente a um aumento salarial. “Janeiro é normalmente o mês para implementar o ajustamento, ou dentro do primeiro trimestre. Já estamos em Agosto, muitos pensam que não vai acontecer o aumento este ano”, indicou.

      Cloee Chao, ao referir-se aos dados estatísticos recentes sobre o sector do jogo, disse que vê a percentagem de diferença positiva de 5% na remuneração média dos ‘croupiers’ como “uma piada”.

      “Estamos muito surpreendidos. Sobretudo muitos membros da nossa associação são ‘croupiers’ e duvidaram dos dados”, salientou Chao. “Vemos isto como uma piada, porque sabemos que este ano não houve aumento salarial. Com esses dados, perguntamo-nos de onde veio o aumento?”, prosseguiu.

      Recorde-se que a Direcção dos Serviços de Estatística e Censos (DSEC) divulgou há uma semana os resultados referentes ao segundo trimestre de 2023 do Inquérito às Necessidades de Mão-de-Obra e às Remunerações do Sector das Lotarias e Outros Jogos de Aposta, onde revelou que, em Junho deste ano, a remuneração média dos trabalhadores a tempo completo no sector do jogo cifrou-se em 24.730 patacas, mais 6,3%, em termos anuais. O inquérito revelou ainda que a remuneração média dos ‘croupiers’ se situou em 20.330 patacas, mais 5%.

      “Os membros estão com muitas dúvidas porque não recebemos nada de aumentos. Não estou a dizer que os dados da DSEC são falsos, se calhar são números fornecidos pelas operadoras”, realçou. Cloee Chao destacou ainda que, segundo as informações recolhidas pela Associação, os novos ‘croupiers’ não receberam um aumento salarial depois de completarem um ano de trabalho, como prometido pelos seus patrões nas operadoras de jogo. Neste sentido, Cloee Chao espera que as concessionárias implementem um aumento salarial de 5%. “para que sejam concretizadas as expectativas desses dados”.

      Além disso, segundo a mesma, o habitual prémio de Verão para os funcionários dos casinos também não volta a acontecer este ano depois da pandemia.

       

      TRABALHO MAIS EXIGENTE

       

      A também ex-candidata às eleições legislativas adiantou que, apesar da remuneração inalterada, o trabalho dos ‘croupiers’ ficou agora mais duro, pelo facto de as operadoras terem reduzido a mão-de-obra nos últimos anos e não completaram com mais pessoal este ano.

      Confessando que há “mais pressão no trabalho”, Cloee Chao explicou que a situação não causou problemas durante a pandemia, porque não havia muitos clientes. “Agora, uma mesa pode ter até dezenas de jogadores. Quer dizer que, pelos vistos, o número de jogadores já recuperou o nível antes da pandemia. Contudo, com menos pessoal, todos trabalham mais duramente”, frisou.

      Questionada se a Associação recebeu queixas sobre conflitos laborais, Cloee Chao disse que não há pedidos de ajuda sobre demissão sem causa justificada, mas a demissão acontece de vez em quando e que “parece que as operadoras têm actualmente uma exigência mais rigorosa para os funcionários”.

      A líder da Associação salientou que as concessionárias são mais exigentes em executar a fiscalização dos trabalhadores, impondo sanções mais pesadas. “Por exemplo, para os ‘croupiers’, quando distribuem as cartas de jogo, às vezes cometem erros. No passado, recebiam normalmente uma advertência verbal, e registava-se no sistema até se acumular cinco vezes num determinado período. Agora o período é mais curto, como meio ano”, apontou. “Claro que cada empresa tem um regulamento diferente, algumas implementam um mecanismo de pontuação e deduzem pontos conforme a gravidade de erro”, ressalvou.

      Cloee Chao avançou ainda que a Associação recebeu relatos de seguranças de casinos sobre a redução do tempo de descanso, que costumava ser de meia hora e passou para 15 minutos. “Os superiores disseram que não viola a lei laboral”, disse.