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      Início Sociedade IAM aumenta amostras e frequência das inspecções de radionuclídeos  

      IAM aumenta amostras e frequência das inspecções de radionuclídeos  

      Com a eminência de o Japão iniciar as descargas de águas contaminadas, as autoridades vão aumentar o volume de amostras submetidas a análise, bem como da frequência das inspecções, prometeu José Tavares. O IAM e departamentos locais e regionais estão atentos à situação dos radionuclídeos específicos como o trítio, elemento que não pode ser filtrado e constituiu uma ameaça à ecologia marinha, e por extensão a toda a cadeia alimentar, alerta o deputado Ngan Iek Hang.

       

      O presidente do Instituto para os Assuntos Municipais de Macau (IAM) garantiu que até à data “não foi detectada nenhuma anomalia” nas amostras das inspecções aos níveis radioactivos do mar circundante e alimentos e produtos que entram no território. José Tavares, em resposta a Ngan Iek Hang, assegurou que o Governo da RAEM “está muito atento ao incidente sobre a pretensão do Japão de proceder a descarga de águas residuais nucleares no mar” e que tem nesse sentido aumentado a frequência e quantidade de amostras, “continuando a reforçar a inspecção do nível de radiação nuclear nos respectivos géneros alimentícios, e a inspecção e monitorização de substâncias radioactivas no âmbito da importação e venda a retalho, com o aumento do volume de amostras submetidas a análise, bem como da frequência das inspecções”.

      O deputado Ngan Iek Hang, na sua interpelação, tinha feito referência aos 60 elementos radioactivos, “entre os quais o trítio, que não pode ser filtrado”, com efeitos adversos “incalculáveis” na “na ecologia marinha, nos recursos haliêuticos, na cadeia alimentar e na segurança alimentar”. Para apaziguar as preocupações do também presidente da Associação de Juventude para os Quarteirões de Macau, José Tavares destacou a existência de um regulamento de 2014 em que ficaram definidos “os critérios dos limites máximos de radionuclídeos nos géneros alimentícios, de modo a monitorizar e avaliar os radionuclídeos nos géneros alimentícios importados de zonas onde tenha havido acidente nuclear”, prometendo, embora sem fazer referência directa ao trítio, que as autoridades estão atentas à medição de radionuclídeos “específicos”.

      Também em 2014, recordou o presidente do IAM, “tomando como referência os padrões nacionais relevantes, os Serviços Meteorológicos e Geofísicos estabeleceram, em 2014, um mecanismo permanente de monitorização do nível de radioactividade da água do mar ao longo da costa de Macau e áreas marítimas circundantes, procedendo, anualmente, à recolha de amostras para análise, mantendo uma ligação estreita com as regiões vizinhas”. Porque o Japão anunciou que planeia libertar águas radioactivas para o Oceano Pacífico, os respectivos serviços locais e regionais aumentaram a frequência da recolha de amostras de água do mar, “com vista a reforçar a monitorização, acompanhar de perto o desenvolvimento da situação e ajustar a intensidade da monitorização em tempo oportuno”, salientou.

      Outra das questões levantadas pelo deputado foi de saber quais são as outras estratégias, para além de restringir as importações e fazer inspecções, e qual é o plano a longo prazo para fazer face à situação à medida que ela for evoluindo, para “identificar a fonte de contaminação e reforçar o controlo da contaminação na origem”. Ngan Iek Hang gostaria de saber se foram criadas directrizes interdepartamentais e regionais, algo que foi confirmado pelo representante do Governo. Este garantiu que “o IAM tem mantido uma ligação estreita com a Administração Geral da Alfândega da RPC e as regiões vizinhas, tendo estabelecido um mecanismo de comunicação com Hong Kong”, para que se possa acompanhar de perto as últimas actualizações a da situação.

      A Direcção dos Serviços de Economia e Desenvolvimento Tecnológico da RAEM (DSEDT), por outro lado, “já estabeleceu um mecanismo de cooperação em matéria de segurança dos produtos, a longo prazo, com os serviços competentes do interior da China e das regiões vizinhas, divulgando atempadamente as informações sobre a segurança de vários tipos de produtos, para salvaguardar eficazmente a segurança dos produtos em circulação em Macau, através da cooperação regional, da coordenação entre os serviços competentes e da colaboração entre instituições de análise”, assegurou ainda o responsável.

      O deputado, na sua interpelação, recordou ainda que no início de Junho, a Tokyo Electric Power Company iniciou o funcionamento experimental do equipamento de descarga das águas contaminadas da central nuclear de Fukushima Daiichi, causando grande preocupação na comunidade internacional.

      Em 2011, após o acidente nuclear de Fukushima, o Governo da RAEM suspendeu a importação de géneros alimentícios vivos e frescos de Fukushima, tais como produtos aquáticos, frutas e produtos lácteos, bem como de gado e carne de Macau, medida que se mantém até hoje, relembrou. O representante do IAM destacou ainda que também ficou assente que caso o Japão inicie o lançamento de águas residuais nucleares no mar, o âmbito de suspensão de requerimento de importação será imediatamente alargado, de Fukushima para as nove prefeituras de maior risco nas suas proximidades, incluindo Chiba, Tochigi, Ibaraki, Gunma, Miyagi, Niigata, Nagano, Saitama e Área Metropolitana de Tóquio, abrangendo produtos hortícolas, frutas, leite e lacticínios, produtos aquáticos e seus derivados, carne de gado e seus derivados. Para já, o responsável esclareceu que, quanto à importação actual destes produtos, para além de preencherem os requisitos documentais sanitários de importação vigentes, estes devem ser também acompanhados da declaração de controlo radioactivo emitida pelo Japão e o certificado de origem, estando sujeitos ainda a inspecção e quarentena sanitária. O IAM não exclui a possibilidade futura de exigir também que todos os alimentos vivos e frescos importados de outras prefeituras sejam acompanhados de certificado de teste de radiação e aprovados nas respectivas medidas de inspecção e quarentena sanitária antes de serem importados, destacou.

      Referindo-se ao facto de muitos residentes do território estarem cépticos em relação à descarga de efluentes nucleares do Japão, o deputado quis ainda saber se as autoridades vão procurar comunicar melhor com o público e aumentar a divulgação de informações relativas ao assunto, ao que o representante máximo do IAM retorquiu que na página oficial  www.foodsafety.gov.mo dedicada à segurança alimentar existe uma secção inteiramente dedicada à “Contaminação Radioactiva e Segurança Alimentar”. Aqui, pode-se consultar as medidas administrativas que estão a ser tomadas pelo Governo e outras “informações de divulgação científica para a população”. Ficou a promessa de que as autoridades continuarão a comunicar atempadamente na página electrónica, WeChat, e outras plataformas, para “reforçar o conhecimento científico e a confiança do público na segurança alimentar”, garantiu José Tavares.