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      Paisagens interiores expressivas da moçambicana Suzy Bila vêm à Galeria Amagao  

      Esta sexta-feira, dia 11, a galeria Amagao recebe uma nova exposição intitulada “Paisagens Interiores”, que dá a conhecer o expressivo e dinâmico trabalho da pintora moçambicana Susy Bila, que também é educadora de infância, e vem a Macau para um workshop de pintura para crianças no mesmo fim de semana.

       

      Inserida no programa do Festival de Artes de Macau, a mostra a solo da pintora Suzy Bila vai trazer telas carregadas de pinceladas vivas e dinâmicas à Galeria Amagao, no Hotel Artyzen Grand Lapa. De 11 de Agosto a 6 de Outubro vai ser possível visitar a exposição da artista baseada em Lisboa, de origem moçambicana. A mostra reúne 40 peças de vários tamanhos. A artista, que é conhecida pelas suas telas de grandes dimensões, explicou ao PONTO FINAL que teve de adaptar a selecção, porque não havia possibilidade de levar as peças com as dimensões maiores: “Há três peças de grandes dimensões, de cerca de 2 metros cada, e as outras são mais pequenas, adaptadas ao espaço da exposição”. A maior parte delas, aliás, “já foram construídas pensadas para o espaço em si, porque eu já tinha tido o convite da Galeria Amagao, mas depois com a epidemia fomos esperando que as coisas atenuassem”. A artista revelou que os representantes da galeria foram ao seu atelier no Alentejo “duas vezes, para vivenciar o processo de construção das peças, e o que estava a ser feito. Foi um prazer recebê-los, porque nunca influenciaram o processo artístico. É uma equipa fantástica”, diz dos representantes da galeria Amagao, José Isaac Duarte e Lina Ramadas.

      Perguntámos à artista como é o seu processo criativo. A pintora diz que é de “sentimentos fortes” quando está a trabalhar, e não gosta de se “fechar em territórios”, preferindo antes ser guiada pela intuição e influências exteriores, e sem intenções específicas de veicular certas mensagens. “Já tive alturas em que pensava muito no que queria construir, mas agora vivo muito destes processos dinâmicos, e sofro muitas influências daquilo que acontece no mundo, mas de uma forma mais interiorizada, sem me preocupar muito com a imagem no sentido de construção, de ser pensada para causar impacto. Deixo que as coisas fluam sem uma ideia fixa”, professa. Suzy Bila diz-se “muito influenciada pela paleta na forma de construção das peças”, e que gosta da versatilidade de materiais, e tanto pode trabalhar com um material como outro, ou uma linguagem ou outra. “O atelier permite-me trabalhar com diversos materiais, e depois eu selecciono as peças. Há um lado de estruturação e organização”, esclarece.

      “Quando o trabalho está a sair, eu deixo que ele se mova, e que agarre os sentimentos que me movem naquele momento. É uma metamorfose sem territórios, este diálogo multidisciplinar que flui em diversas linguagens”.  No texto introdutório da página promocional do “Art Macao”, podemos ler que “a obra de Suzy Bila está carregada de transcendência. As suas pinceladas instintivas transformam-se em formas abstractas, expressas em cores dramáticas e/ou tons monocromáticos. Nas suas cores, afasta-se das outras abordagens ‘meditativas’, como, por exemplo, a tradição da pintura Chan; na sua abordagem intuitiva e espontânea da tela, converge com elas. Ninguém expressa isso melhor do que a própria artista”. É esta ideia de meditação expressiva e expansiva que dá mote ao título “Paisagens Interiores”? A artista explica que os títulos das 40 peças são “uma viagem, um diálogo das tais paisagens interiores”. Um diálogo interno, entre a sua vida, a sua arte, e também a natureza com as suas paisagens. A sua exposição na galeria Amagao é “composta por poemas em diálogo. É um reflexo da minha relação com a vida, da arte como prática que abraça a vida. Há uma ideia de uma viagem que eu não sei o que é que poderá trazer”, revela.

      “O silêncio como voz, o som da chuva, o pássaro falante, a liberdade” são alguns nomes das peças que vêm a Macau. Perguntámos à artista se sente uma ligação ao movimento e elementos da natureza. “Sou ligada à natureza, sempre fui, não no sentido de dizer que a posso dominar, mas mais de aceitar a pertença, e aceitar esta fluidez, e de estar presente neste diálogo com ela”.

       

      PINTAR A FANTASIA COM AS CRIANÇAS

       

      No dia 13 ou 14 de Agosto, entre as 14h30 e 17h30, no jardim do restaurante tailandês Naam do Hotel Artyzen Grand Lapa vai decorrer um atelier de pintura para crianças como actividade complementar à exposição. A Galeria Amagao quis organizar um atelier para crianças já que a artista também é educadora de infância, e já fez “vários workshops para crianças em espaços diferentes”. “Pintar a Tua Fantasia” é um workshop de três horas destinado a crianças entre os 7 e 14 anos, em que estas podem explorar a pintura a acrílico e também têm direito a bebidas e comidas, e acesso complementar à piscina e outras instalações do Resort Artyzen. A artista partilhou que esta actividade não é novidade para si, já que sempre tentou “construir uma ponte entre a arte e a educação”, e trabalha a educação artística já há alguns anos. Mas Suzy Bila diz que não gosta de condicionar e orientar muito as crianças. “Simplesmente escuto o que a criança quer explorar, e tento acompanhá-la através das artes”. A iniciativa, diz, partiu dos responsáveis da galeria, que sabiam do seu background e sentiram a necessidade “partilhar isto em Macau”. No dia, a educadora vai trazer uma “história simples que não está ligada a territórios políticos nem religiosos, simplesmente é um poema que as crianças vão poder interpretar”, ou também podem pintar o que quiserem. “Eu vou escutar o que elas têm para partilhar e vamos criar no momento”, explicou.

      Maria Suzete Carmona Bila, ou “Suzy”, como se apelida, nasceu em Maputo, Moçambique, em 1974. Desde 1996 que vive em Lisboa, tendo feito a sua formação artística no AR.CO. O PONTO FINAL quis saber se esta se considera uma pintora que pertence ao movimento artístico moçambicano, algo que ela considera não ser possível de responder, já que para si, os artistas não pertencem a nenhum lado. “Eu não sei quem eu sou, em termos de territórios. Eu sei que nasci em Moçambique, e tenho tudo dentro de mim que me liga a Moçambique, agora pertenças, não sei”. Recordando os tempos em que chegou a Portugal, partilhou que foi o escritor Herberto Helder e a mulher que lhe recomendaram que fosse estudar para a AR.CO. “Quando viram o meu trabalho, disseram que eu tinha mesmo de ir para aquela escola, e na altura falaram com o Manuel Castro Cabral, que estava na Gulbenkian. Entretanto, acabei conhecendo uma empresa que me apoiou na bolsa”. A exposição que a traz a Macau é a sua 13a exposição individual, depois de já ter exposto em Portugal, Espanha, Moçambique, Joanesburgo e no Dubai. Em relação à vinda a Macau, diz-se entusiasmada, e sente que “há algo novo em processo, porque todas as pessoas envolvidas trouxeram uma energia boa e isso já é muito bom, de poder usufruir desta liberdade e deste momento tão bom que vai acontecer”, confessa.