Edição do dia

Quinta-feira, 29 de Fevereiro, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
nevoeiro
18.9 ° C
18.9 °
17.9 °
77 %
3.1kmh
40 %
Qui
21 °
Sex
17 °
Sáb
16 °
Dom
20 °
Seg
22 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      Início Lusofonia Fundo Soberano de Moçambique com promessa de “poupanças” para o futuro

      Fundo Soberano de Moçambique com promessa de “poupanças” para o futuro

      O Fundo Soberano de Moçambique (FSM) terá gestão do banco central, pretende “acumular poupanças para as futuras gerações” com as receitas de petróleo e gás natural, mas não será utilizado para garantias de empréstimos contraídos pelo Estado.

       

      “Na sua estrutura de governação, pretende-se que o Fundo faça o aproveitamento integral das instituições existentes no país, guiando-se pelos princípios de boa governação, transparência, responsabilização, independência e inclusão, em linha com as melhores práticas internacionais”, define a proposta de lei que cria o Fundo Soberano aprovada em Conselho de Ministros e que sobe à discussão da 42.ª sessão ordinária parlamentar, que vai decorrer em Maputo de 3 a 7 de Agosto.

      No preâmbulo da proposta, o Governo recorda que no âmbito das actividades de pesquisa realizadas nas Áreas 1 e 4, ‘offshore’ do bloco do Rovuma, “foram descobertos enormes depósitos de petróleo e de gás natural não associado”, estimados em cerca de 180 triliões de pés cúbicos.

      Neste quadro, os operadores e parceiros das Área 1 e 4 submeteram ao Governo três projetos de liquefação de gás natural, já aprovados, nomeadamente o de Gás Natural Liquefeito Coral Sul FLNG, em alto mar, o de Gás Natural Liquefeito Golfinho/Atum, e o de Gás Natural Liquefeito Rovuma LNG.

      Destes projectos é destacado o Coral Sul FLNG, que iniciou a produção de gás natural no último trimestre do ano 2022 e que “para além da geração de oportunidades significativas para o desenvolvimento de empresas nacionais”, a sua exploração “vai gerar lucros diretos para o Estado de mais de 30 milhões de dólares americanos para o ano de 2022”, prevendo-se “uma média anual” de 740 milhões de dólares “durante a vida do projecto”, até 2047.

      Paralelamente, decorrem trabalhos de pesquisa em cinco áreas de concessão de pesquisa e produção de petróleo e gás, localizadas em Angoche, Delta do Zambeze, “esperando-se, em caso de descoberta comercial, benefícios ainda maiores”.

      “Neste contexto, visando a maximização dos ganhos decorrentes da exploração e desenvolvimento desses recursos naturais não renováveis, defendendo-se contra a elevada volatilidade que caracteriza os preços internacionais dos mesmos e com o objetivo primordial de beneficiar as gerações presentes e futuras”, o Governo afirma ser de “suma importância a criação” do FSM.

      A proposta de lei que cria o fundo define que são objetivos “contribuir para alavancar o desenvolvimento económico e social do país”, bem como para a “estabilização do Orçamento do Estado, contrariando a volatilidade das receitas petrolíferas” e para “acumular poupanças para as futuras gerações, através da coleta de receitas provenientes da exploração de petróleo e gás natural e as resultantes dos respetivos investimentos”.

      São receitas do FSM as provenientes da produção de gás natural liquefeito das áreas 1 e 4, ‘offshore’ da bacia do Rovuma e futuros projetos de desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural, bem como “retorno dos investimentos das receitas” do fundo.

      Essas receitas resultam do Imposto sobre a Produção de Petróleo e pelo Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Coletivas, incluindo a tributação de mais-valias, além de “bónus de produção” em termos a regulamentar, e partilha de produção a partir do petróleo-lucro.

      “Sempre que num determinado ano ocorrer uma calamidade pública que leve à declaração de Estado de Sítio, Estado de Emergência e/ou de Guerra (…) podem ser transferidos recursos financeiros do FSM para o apoio ao Orçamento do Estado”, neste caso em percentagem superiores ao previsto (entre 50 a 60% das receitas), sob proposta do Governo. “O FSM deve investir em ativos que não sejam do setor do petróleo e gás”, estabelece ainda a proposta no parlamento, assumindo igualmente que esses investimentos devem ser feitos “com base na política” aprovada pelo Governo.

      Fica também definida a “proibição” de utilização de recursos do FSM para “concessão de garantias na contratação de empréstimos pelo Estado ou outras entidades”, ainda para “pagamento de dívidas e serviço da dívida sem passar pelo Orçamento do Estado”, para financiamento de “atividades políticas e partidárias” e na “contração de dívidas”.

      Serão “responsáveis pela governação e gestão” do FSM a Assembleia da República, o Governo, o Banco de Moçambique, o Comité de Supervisão e o Conselho Consultivo de Investimento. Contudo, o Banco de Moçambique será o “gestor operacional” do fundo e o governador do banco central a “entidade máxima responsável”, mas a gestão “deve ser efetuada através de uma unidade dedicada” dentro daquela instituição. Lusa

       

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau