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      InícioOpiniãoA Marca Portugal (ou a sua ausência)

      A Marca Portugal (ou a sua ausência)

      Hoje trago-vos uma perspetiva diferente e um tanto humorística sobre a questão da inexistência da Marca “Portugal”. Num contexto onde existem inúmeras marcas relacionadas com o nosso país, desde o “Porco.pt” ao “Portuguese Olive Oil”, passando pelas “Conservas de Portugal”, “Portugal Original”, “Portugal sou Eu”, “Compro o que é nosso”, até aos “Wines of Portugal”, é difícil ignorar o facto de não termos uma imagem unificada que represente de forma coerente e estratégica tudo o que temos para oferecer. E, infelizmente, não é só no setor agroalimentar (aqui contei mais de quinze…).

      A verdade é que, sem uma Marca unificada, perdemos a oportunidade de destacar a excelência dos nossos produtos, serviços e setores relacionados com o país. A falta de uma identidade única impede-nos de nos diferenciarmos da concorrência internacional e conquistar um lugar de destaque nos mercados globais.

      Poderíamos até, no limite, criar um concurso nacional para encontrar a Marca “Portugal”. Imaginem só: “À Procura da Marca Perdida”. Os concorrentes enfrentariam desafios criativos e de marketing para tentar encontrar a combinação perfeita de elementos que representasse Portugal.

      Brincadeiras à parte, a falta de uma Marca “Portugal” unificada parece refletir a ausência de uma visão estratégica e de um esforço conjunto entre o setor público e privado. É necessário estabelecer parcerias colaborativas e um organismo responsável pela sua gestão e promoção. Caso contrário, continuaremos a ser um país de múltiplas marcas isoladas, perdidas no oceano da concorrência global, enquanto outros desfrutam do prestígio de ter uma única, forte e reconhecível, como por exemplo a Itália e a sua associação ao conceito “Eataly” que até aqui em Tóquio encontro.

      Caros leitores, à medida que nos aproximamos de celebrar 900 anos de história como nação independente, é chegada a hora de refletirmos seriamente sobre o poder e o potencial que uma Marca unificada pode trazer para o nosso país.

      Imaginemos um Portugal que desperte a curiosidade e o fascínio do mundo, levando-o a perguntar-se: “O que é que eles têm lá que nós não temos?” Essa resposta reside na identidade única, nas paisagens deslumbrantes, nos produtos de excelência, na fantástica gastronomia, cultura rica e na hospitalidade do nosso povo. Uma Marca forte e estratégica pode abrir ainda mais portas para o investimento estrangeiro, impulsionar o crescimento económico e criar oportunidades de emprego para as gerações futuras.

      O futuro está ao nosso alcance, basta que acreditemos.

       

      Ps – Na crónica anterior escrevi que o Porto tinha sido a primeira cidade a geminar-se com uma localidade japonesa, no caso, Nagasaqui, em 1979. Não foi. O correto seria Leiria que se geminou com Tokushima em 1969. As minhas desculpas.

       

      Vítor Sereno

      Diplomata

      Texto originalmente publicado no Diário As Beiras