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      Deputado quer Governo a investigar causas do aumento dos casos de suicídio

      A saúde mental da população tem sido uma preocupação da sociedade nos últimos anos, e a ocorrência recente de mais casos de suicídio levou Ho Ion Sang a exigir que as autoridades se inteirem dos motivos das vítimas. O deputado realçou que a razão de se cometer suicídio não é necessariamente por causa de doença psicológica, mas sim do “dilema da vida”. Ho voltou a pedir, assim, mais cuidados e apoio aos cidadãos.

       

      Ho Ion Sang pediu ao Executivo que inicie os trabalhos de identificação das causas dos casos de suicídio, cuja frequência está a aumentar acentuadamente nos tempos recentes. O deputado considera que é necessário o Governo prestar mais atenção à prevenção do suicídio em Macau, avaliando os riscos e aumentando o investimento de recursos de cuidados e proteção da saúde mental do público.

      Num comunicado enviado à imprensa, Ho Ion Sang sublinhou que se registaram várias tentativas de suicídio recentemente no território, incluindo alguns casos fatais. “Entre os casos, os cidadãos envolvidos são de diferentes grupos etários e de identidades muito distintas. As causas do comportamento são obviamente complicadas, não pode ser descartado que esteja relacionado com alguma doença mental, doença física, personalidade, ou pressão económica, familiar e do trabalho”, afirmou.

      O legislador acredita que uma análise prudente e detalhada é indispensável para as intervenções dos casos de suicídio, nomeadamente para se apurar os motivos das práticas referentes, e avaliar os factores de risco na comunidade para uma melhor prevenção deste tipo de ocorrências.

      Na opinião de Ho Ion Sang, o Governo deve ajustar as políticas sociais consoante a necessidade da população, sobretudo a situação do apoio aos grupos desfavorecidos, a relação entre as pressões económicas dos residentes e o índice dos preços, a promoção e o progresso da implementação das políticas de família, bem como as fontes de pressão sobre os adolescentes, de forma a dar os devidos recursos e lançar estratégias preventivas.

      “Nem todos os que tentam o suicídio têm doenças mentais. Mais frequentemente, aqueles que se suicidam sentem-se presos no dilema vida e não conseguem ver o caminho a seguir, por isso estão muito confusos, solitários e vazios”, alertou.

      O deputado eleito por sufrágio indirecto propôs, assim, que se promova, através de diversos canais, a educação popular sobre o significado e o valor da vida, fortalecendo a educação em saúde mental. Além disso, Ho Ion Sang acha oportuno reforçar a identificação de grupos de alto risco que têm tendência de cometer suicídio, por parte do público, principalmente os trabalhadores do sector da educação e os profissionais da assistência social, aumentando o conhecimento da sociedade sobre como dar respostas aos possíveis casos de suicídio.

      Apesar de existirem serviços de apoio à emoção e à saúde mental nos centros de saúde e nas associações de serviços comunitários, Ho Ion Sang alerta que “até um caso de suicídio já é demasiado”.

      Macau registou no primeiro trimestre deste ano um total de 23 casos de suicídio, sendo um aumento de oito casos em relação ao trimestre anterior. As pessoas que cometeram o suicídio tinham idades compreendidas entre os 18 e os 92 anos. Já em 2022 foram registados 80 casos de suicídio.

      Como o PONTO FINAL já tinha noticiado, a linha de apoio para a prevenção do suicídio da Caritas recebeu no primeiro semestre 260 chamadas, sendo a média mensal 43 chamadas. Paul Pun, secretário-geral da Caritas Macau, prevê que haja este ano um aumento de pedidos de apoio na linha devido aos impactos emocionais porque “as expectativas pós-pandemia não se têm cumprido”.