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      Prevenção e tratamento de droga em Macau é exemplo para o resto da Ásia, diz representante da ONU  

      Num panorama asiático em que quase não há políticas sociais de acompanhamento do consumo de droga, Macau é excepção, e um modelo a seguir, defende Jeremy Douglas. Este tenciona até trazer a Macau vários representantes de países do sudeste asiático para verem pelos “próprios olhos” o exemplo da ARTM, e participarem num seminário e formação em Outubro. Em visita recente à Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau, o representante regional do escritório da ONU para o combate à droga e crime no sudeste asiático e pacífico falou sobre a regulamentação “algo caótica” do consumo de canábis na Tailândia, e o problema “preocupante” das drogas sintéticas em países como Filipinas, Tailândia e Laos. Uma questão que, a seu ver, nunca será controlada apenas através da força policial – e para a qual a prevenção e tratamento podem ser uma ajuda crucial. 

       

      O representante do escritório da ONU para o combate à droga e crime no sudeste asiático e pacífico – em inglês UNODC, United Nations Office for Drugs and Crime – Jeremy Douglas, visitou na sexta-feira, dia 21, as instalações da Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) em Ka-Hó, ficando impressionado com os trabalhos desenvolvidos pela associação. A Macau News Agency descreveu num artigo recente a visita, em que o representante regional da UNODC ficou a par dos programas da ARTM de reintegração de antigos toxicodependentes na sociedade que, a seu ver, são “bem estruturados” e com resultados positivos. “De um modo geral, Macau fez um bom trabalho no controlo do uso de drogas e, em parte, é por causa do trabalho desenvolvido pela ARTM, que contribuiu nesse sentido”, defendeu Jeremy Douglas. Na sua perspectiva, Macau é culturalmente semelhante a muitas zonas do sudoeste asiático, “com uma grande diáspora chinesa, mas também com muitos outros elementos culturais,” e o modelo de prevenção de drogas seguido em Macau “pode muito provavelmente ser considerado por estes países”. Este acredita que o modelo pode ser mais facilmente acolhido por estes países, por ser um programa que não veio “do exterior” e foi concebido por um país da mesma região. “Espero poder levar isto de volta para alguns dos Governos com que estou a trabalhar directamente.”

      Numa iniciativa das Nações Unidas, revelou ainda Jeremy Douglas, em fins de Outubro vai trazer a Macau vários representantes de ONG de Hong Kong e de outras cidades asiáticas, para participarem num seminário e formação focados na prevenção do consumo de droga que terá a duração de três dias. “Se conseguirmos trazer políticos até aqui, para verem isto, isso deixa uma marca nas pessoas e pode ser que levem algo de volta para o seu país. Basicamente quero dizer-lhes, ‘vi coisas que estão a funcionar, porque não consideram fazer o mesmo nos vossos países? É um investimento que não é dispendioso, e que tem um bom impacto na juventude’”, argumentou o especialista da UNODC.

      Para além de reflectir sobre o caso de Macau, Jeremy Douglas falou sobre o panorama do sudoeste asiático, desde o tipo de drogas que estão a ser comercializadas nas ruas, à polémica em torno da Tailândia e da recente liberalização do consumo de canábis desde o Verão passado. “O que falta é prevenção e tratamento. Não há qualquer investimento nisso”, admitiu Jeremy Douglas à Macau News Agency. “A situação é clara, com o caso das drogas sintéticas. Não basta apenas continuar a prender mais traficantes. Eles vão apenas continuar a fabricar mais e mais anfetaminas. Eles agora andam basicamente a puxar pelos limites do mercado”, alertou. “Há cada vez mais drogas, e é bastante óbvio que a força policial sozinha não chega”. Um defensor da prevenção e tratamento, o especialista esclareceu que a maioria dos países do sudeste asiático “não investe nada” nestas formas de controlo do abuso de drogas. O representante da UNODC diz que o consumo de droga nas Filipinas, Tailândia e Laos, por exemplo, é “preocupante”, e vai empenhar-se em levar o exemplo de Macau a estes países. “O problema é enorme, especialmente quanto ao consumo de metanfetamina, portanto, precisamos de exemplos como este para mostrar aos governos, que se investirem em coisas diferentes, podem alcançar mais efeitos na sociedade”. Citado pela TDM, Jeremy Douglas fez ainda referência a novas drogas sintéticas, como a “happy water”, que andam a circular entre jovens e “são cada vez mais populares” nas discotecas tailandesas.

      Argumentando que o papel da sua equipa é de, “fundamentalmente, informar os Governos sobre boas políticas de combate às drogas”, este esforço contrasta com a nova política em torno do canábis na Tailândia que, sustenta, “é algo caótica”. Na perspectiva do representante da ONU, a explosão do mercado do consumo de marijuana na Tailândia está a preocupar muitos governos de regiões como Singapura, Vietname e Malásia: “Eles estão mesmo muito preocupados, e estão a avisar aos turistas que vão viajar, que se eles voltarem da Tailândia e testarem positivo, por terem consumido drogas enquanto estavam lá, ainda podem sofrer consequências legais”, revelou. “Confesso que a situação tem causado um pouco de caos por todo o sudeste asiático”, partilhou Jeremy Douglas, explicando que, por outro lado há também outros países que estão a ver a situação por outro prisma, e “a considerar fazer algo semelhante ao que a Tailândia fez”.

      A posição oficial da agência das Nações Unidas é, reitera, de que “nenhuma droga deve ser comercializada desta forma. Não ajuda, e francamente, cria confusão”, desabafa, acrescentando que a agência tem vindo a aconselhar a Tailândia a regular o seu mercado com cuidado, e não deixar que a venda seja em grande escala, que é o que está a acontecer na realidade actual daquela monarquia asiática. “É a situação que temos”, confessa.

      A embaixada da China na Tailândia emitiu recentemente um aviso em que alerta os turistas chineses para o facto de que consumir “fora de portas” é o mesmo que consumir no território chinês, e que por isso, estes estão sujeitos às mesmas consequências legais., Em resposta ao PONTO FINAL, o Instituto de Acção Social (IAS) assumiu estar “muito atento” à legalização da canábis na Tailândia. As autoridades avisam que, caso sejam transportados produtos relacionados com a canábis para Macau, os cidadãos podem ser condenados a pena de prisão.