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      Miniconcerto para crianças em Patuá com conto de história em cantonense na UPM  

       

      Este sábado à tarde Delfino Gabriel vai à “Book Carnival” da UPM para cantar em patuá e acompanhar o conto de histórias para crianças com as suas músicas e ‘handpan’. Dirigido ao público que fala cantonense, a iniciativa de promoção do dialecto macaense é antecedida da partilha do livro infantil trilingue “Luz dentro de nós”, da autoria de Delfino Gabriel e Delora Sinha.  

       

      “Luz dentro de nós” é um livro para crianças em patuá, chinês e português escrito por Delfino Gabriel e Delora Sinha, pseudónimo de Teresinha Gabriel, mulher do autor. Este sábado, dia 15, às 17h, o casal vai estar na 26.ª edição do “Book Carnival” que está a decorrer no ginásio da Universidade Politécnica de Macau (UPM), para divulgar a obra e promover a cultura macaense. Para além da apresentação do livro, Delfino Gabriel partilhou com o PONTO FINAL que às 18h também haverá um miniconcerto com narração da história “Céu não é cinzento” em patuá e cantonense. A história será intercalada com músicas da autoria de Delfino Gabriel, em que este cantará canções em patuá, e tocará ‘handpan’, um instrumento de percussão.

      Foi através da editora UMA que o autor e a sua companheira foram convidados a participar nesta feira de livro na UPM, uma iniciativa que este considera ser óptima para promover o patuá na comunidade chinesa. “Quando lançámos o livro na Fundação Rui Cunha, o foco era mais a comunidade portuguesa e macaense. Tivemos muita sorte de, durante este ano, conhecermos diferentes pessoas ligadas a livros, e foi a partir da livraria UMA que tivemos o convite para participar nesta feira do livro”.

      Originalmente publicado em Maio de 2022 e lançado na Fundação Rui Cunha, a obra trilingue “Luz dentro de nós” conta a história de quatro luzes diferentes. São “quatro amigos que se encontram num momento mágico do calendário chinês. Brincam, conversam, mas devido a diferentes traços de personalidade e culturas, chateiam-se. Quando chega a lua cheia, uma estrela cadente aparece, e eles sobem para dentro da estrela que funciona como um meio de transporte e leva estas luzes para uma zona mágica onde elas podem descansar, relaxar, e ser quem realmente são”, descreve Delfino Gabriel. “A história tem como objectivo promover o conhecimento sobre diferentes tipos de emoções, sobre o autoconhecimento emocional, e falar de amizade”, esclarece.

      Depois da apresentação da obra às 17h, em que se vai abordar a importância do patuá, e “a ideia, o conceito e razão de termos feito este livro”, Delfino Gabriel dará início ao seu miniconcerto com um conto de história às 18h. “É uma coisa nova que estou a tentar fazer”, revelou. “Canto em patuá, que sinceramente muitos poucos entendem, embora quando oiçam consigam perceber que é patuá, que até parece português… Desta vez tive a ideia de combinar um conto de história e cantonês, que liga as músicas ao conto. Ou seja, uma pessoa consegue perceber em cantonense a história, e no meio da história vou cantar em patuá com assuntos semelhantes, que complementam a história”, esclarece. Para o autor, o objectivo central é o de promover o patuá na comunidade chinesa. “Para mim, macaense é um conceito de quem gosta de Macau, quem sente interesse na cultura local, é macaense, por isso, de agora em diante, uma das coisas que quero desenvolver é oferecer essa experiência a mais pessoas, em particular chinesas”.

      Gabriel Delfino, que é membro activo da Associação dos Jovens Macaenses e de outras associações macaenses, revela que estas organizações estão “sempre a pensar em formas de promover a cultura macaense”, e que nesse sentido tencionam promover workshops de patuá para adolescentes e crianças. “Em fim de Abril do ano passado fizemos uma peça de teatro para crianças baseada neste livro, portanto, certamente vamos continuar a fazer mais coisas semelhantes, mas talvez o livro trilingue não seja a melhor forma”, admite. Explicando que no caso dos livros, cada pessoa vai escolher a sua língua materna, e acaba por não ficar exposta ao patuá, no caso do formato da peça de teatro, o mesmo já não acontece. “Numa peça de teatro, já é possível haver mais exposição, porque, por exemplo, tivemos crianças actores que não falam patuá nem português, mas que com o processo ficaram a aprender. O livro é muito estático, e estou a ver se encontro algo mais dinâmico, de modo a que quem não fala português possa aprender patuá”, partilhou.

      É possível visitar a “Book Carnival” hoje e até domingo, dia 16, entre as 10h30 e a 21h. A feira começou no dia 7 e tem à venda várias obras didáticas e lúdicas para todas as idades, em chinês e inglês. De acordo com o jornal em língua chinesa Ou Mun, na feira da UPM “os livros especialmente concebidos para as crianças venderam-se bem”, ao passo que os adultos preferiram os livros sobre psicologia, saúde e medicina, e educação dos filhos. A “Book Carnival” contou com a presença de cerca de 40 professores e alunos da Escola Sheng Kung Hui Choi Kou, que vieram ao mercado do livro e compraram livros para a escola. “Cerca de 100 estudantes da UPM, acompanhados pelos seus tutores, escolheram os seus livros preferidos”, indicou ainda o jornal chinês.