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      Receitas das operadoras podem duplicar em 10 anos, e talvez terão hotéis em Hengqin, dizem especialistas  

      Palestrantes presentes na Global Gaming Expo Asia (G2E) no Venetian estão de acordo: “sim, as receitas do jogo vão duplicar daqui a 10 anos”. No futuro, o mais certo é que Macau terá mais visitantes que viajam para cá várias vezes por ano, e muito provavelmente Hengqin passará a fazer parte da estadia, com a construção de hotéis a complementar a falta de oferta de quartos que existe na RAEM.

       

      As receitas do jogo daqui a uma década poderão duplicar para 70 mil milhões, prevê Kenneth Fong, director-geral do Credit Suisse, mas tudo dependerá da política do Governo Central, e da capacidade de Macau compensar a falta de actividades não relacionadas com o jogo. Kenneth Fong e outros especialistas do sector participaram ontem no segundo dia de conferências da Global Gaming Expo Asia (G2E), no Venetian, onde que se discutiram igualmente outros temas relacionados com o sector do turismo, desde a capacidade hoteleira a factores que condicionam a competitividade entre resorts integrados.

      Afirmando que não se sente desanimado em relação ao mercado de Macau, Fong referiu que aquilo que é o “factor mais crucial, é política de vistos” chinesa, visto que “o desenvolvimento dos mercados de jogo no estrangeiro depende também das relações com a China”, relaciona, em declarações publicadas pelo Macau News Agency. Prevendo que as receitas do jogo este ano serão de 25 a 30 mil milhões, e que deverão duplicar para 60 a 70 mil milhões nos próximos 10 anos, o director-geral do Credit Suisse diz que tudo “depende da política do continente, da capacidade de Macau compensar a falta de actividades não relacionadas com o jogo, e da forma como Hengqin complementará o desenvolvimento da cidade”.

      Outros consultores e especialistas do jogo também defendem a ideia de que as receitas podem duplicar em 10 anos. Michael Zhu, vice-presidente do grupo The Innovation, concordou que desde que as receitas do jogo de Macau aumentem 7,3% ao ano, poderão duplicar dentro de 10 anos, e que o aumento das instalações não relacionadas com o jogo, o desenvolvimento das infra-estruturas locais, e uma melhor oferta de voos poderá atrair mais visitantes. O consultor Andy Choi, por seu turno, afirmou que, no futuro, será muito conveniente para os residentes da área da Grande Baía viajar para Macau em duas horas, e que a indústria aguarda com expectativa o futuro desenvolvimento de Macau. “O mercado da China continental ainda é um mercado mal servido”, defende Michael Zhu, prevendo que Macau vai ter cada vez mais visitantes do interior da China que voltam várias vezes ao território, especialmente graças a Henqgin, e aos esforços de criar mais infraestruturas não jogo pela cidade. “Não me surpreenderia de todo de ver Macau com cada vez mais clientes que regressam várias vezes. Estamos a falar de uma frequência anual de estes clientes virem pelo menos três ou quatro vezes a Macau”, argumentou.

       

      HOTÉIS EM HENGQIN

       

      O director-geral do Credit Suisse recordou na mesma palestra que “os problemas dos preços elevados dos hotéis, e da insuficiência de quartos em Macau ainda não foram resolvidos”, sugerindo que uma possível solução seria a de “no futuro, se Hengqin e Macau ficarem com melhores ligações, os visitantes jogarem aqui e ficarem instalados em Hengqin. Isto poderia aumentar a capacidade hoteleira de Macau”.

      Kenneth Fong resume que os três factores que farão a diferença, quando comparamos as seis operadoras de jogo de Macau com as suas rivais, são a capacidade de oferta de mesas de jogo, a quantidade de quartos disponíveis, mas também as infra-estruturas não jogo. “Estas [infra-estruturas] estão finalmente a sintonizar com aquilo que o mercado quer e precisa. As operadoras estão a aprender com aquilo que funciona, ou não”, observou Andy Choy. Este e os outros palestrantes estão de acordo quanto à evolução modesta deste tipo de oferta, que actualmente representa apenas 10% das receitas das operadoras. “Acho que os lucros do sector não-jogo daqui a 10 anos vão representar 15% das receitas brutas totais. As receitas do jogo vão continuar a ser mais rápidas e mais fortes”, antevê Kenneth Fong. Já Michael Zhu diz que Macau nunca chegará a uma Las Vegas, em que a percentagem é de 60 a 65%, mas está mais optimista: “Provavelmente vai ser de entre 20 a 25 por cento. A questão da oferta dos quartos de hotel é crucial”.

      Já noutra palestra, o académico Davis Fong argumentou que a questão não pode ser quantificada e avaliada apenas através das receitas das operadoras de jogo. “No futuro próximo, vão ser implementadas mais ofertas não jogo na sociedade de Macau. Quem irá beneficiar destas iniciativas? A sociedade e as pequenas e médias empresas”, defendeu o director do Instituto de Estudos sobre o Jogo da Universidade de Macau. “Acredito que as despesas dos turistas em actividades não relacionadas com o jogo podem vir a ser mais ou menos iguais às das de Las Vegas”.

      O académico acredita igualmente que Macau e Hengqin vão no futuro ter ligações mais fáceis, e que os visitantes chineses vão poder mais facilmente circular repetidas vezes entre as duas zonas. “Se isso acontecer, abrir hotéis em Hengqin será uma forma de ajudar as operadoras a aumentar a capacidade de oferta de quartos”, defendeu. “E como Hengqin tem mais território, em vez de apenas construírem hotéis, pode ser que possam considerar construir algumas instalações não-jogo em Hengqin também”, sustentou.