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      InícioSociedadeAmbientalistas defendem implementação de princípio de “poluidor-pagador”  

      Ambientalistas defendem implementação de princípio de “poluidor-pagador”  

      A associação Green Future de Macau vê necessidade de pôr em prática o princípio “poluidor-pagador”, bem como aumentar a consciência dos cidadãos sobre a reciclagem, nomeadamente entre as crianças. A Sap Fong Recycling concorda com a política e indicou que cada vez mais residentes estão dispostos a pagar para a recolha de resíduos. Rix U e Pun Weng Lai, representantes das duas entidades, destacam que a recolha de resíduos alimentares e recicláveis deve ser mais conveniente para incentivar a reciclagem por parte dos cidadãos.

       

      É urgente e importante implementar a medida “poluidor-pagador” em Macau, defende o grupo ambiental Green Future. Rix Un, presidente da associação, acredita que a respectiva política será eficaz para reduzir a quantidade de resíduos descartados pelos cidadãos e aumentar simultaneamente a taxa de recolha de resíduos recicláveis.

      “Temos a necessidade de adoptar essa medida. Há necessidade, senão a política do ‘poluidor-pagador’ não estava a ser implementada em várias regiões do mundo. Isso comprova. Honestamente, é difícil aumentar a taxa de reciclagem apenas com o aumento de consciência dos cidadãos”, apontou o ambientalista, em declarações ao Fórum Macau, programa do canal chinês da Rádio Macau.

      Rix Un considera que, para aumentar efectivamente a taxa de recolha de resíduos recicláveis, é preciso a coexistência entre a cobrança pelos resíduos e a educação. Na sua opinião, quando há “medidas punitivas”, os cidadãos ficam mais sensibilizados para a produção de desperdício no dia-a-dia.

      Segundo o ambientalista, que citou exemplos de outros locais, a implementação do projecto “poluidor-pagador” pode elevar, em termos gerais, a taxa de recolha de resíduos recicláveis até 50% a 60%, e a taxa pode chegar até 80% em algumas regiões.

      Lamentando que a quantidade de resíduos sólidos urbanos descartados em Macau se mantenha elevada, Rix Un frisou que os cidadãos não têm grande motivo para reciclar. “O descarte de lixo da vida quotidiana é gratuito, então apenas as pessoas que têm muita vontade para a protecção ambiental vão fazer reciclagem, para reduzir o volume de lixo”.

      Recorde-se que o princípio do “poluidor-pagador” foi discutido pela primeira vez em 1992 na Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente e o Desenvolvimento no Rio de Janeiro, e foi amplamente adoptado mundialmente. Nas regiões vizinhas de Macau, como o Japão, Coreia do Sul e Taiwan, já foi implementada a cobrança pelo lixo, e Hong Kong também adoptou a medida no tratamento de água residual. Em Hong Kong, a entrada em vigor da lei de Descarte de Resíduos, que prevê cobrança, acontece em Abril do próximo ano.

      O porta-voz do Green Future enfatizou ainda que a educação é uma das tarefas principais para promover a protecção ambiental. “A sensibilização do público para a reciclagem deve começar desde a infância, devendo ser colocados ecopontos de papéis usados, garrafas de plástico e latas de alumínio nas salas de aulas, o que é propício para promover a prática dos alunos”, sublinhou.

      Também a Sap Fong Recycling quer reforçar a promoção do conceito “poluidor-pagador”. Pun Weng Lai, responsável da empresa social ligada ao ambiente, destacou que cada vez mais cidadãos estão dispostos a pagar por serviços domésticos de reciclagem em Macau, o que se deve ao aumento de consciência dos residentes sobre a protecção ambiental.

      O responsável da empresa que presta serviços de recolha de resíduos recicláveis ao domicílio observou que a conveniência é um factor muito importante para incentivar a reciclagem, no entanto, “a localização de instalações para a reciclagem, como dos Centros Ambientais Alegria, não é conveniente o suficiente”.

      Em relação ao declínio no volume de reciclagem de resíduos no ano passado, Pun Weng Lai referiu que o preço de papéis tem caído devido ao impacto do mercado do Continente e está mais baixo hoje em dia, o que reduz a quantidade de papéis recolhidos pelas pessoas que se dedicam à revenda de resíduos.

      De acordo com o Relatório do Estado do Ambiente de Macau do ano passado, a taxa de recolha de resíduos recicláveis foi de 22,5%, tendo sido mais baixa do que a de 2021, correspondente a 24,5%.

      Leong Hong Sai, membro do Conselho Consultivo do Ambiente e deputado da Assembleia Legislativa, que esteve também no programa, sugeriu que Macau pode tomar como referência a eficácia do princípio “poluidor-pagador” em Hong Kong e depois discutir a viabilidade da medida entre o Governo e o público.