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      InícioSociedadeAgressão no Colégio Mateus Ricci suscita preocupações sociais  

      Agressão no Colégio Mateus Ricci suscita preocupações sociais  

      Deputados e assistentes sociais querem mais recursos para apoio emocional aos estudantes em Macau. Após o esfaqueamento no Colégio Mateus Ricci, cometido por um aluno necessitado de apoio psicológico a longo prazo, Ho Ion Sang apelou à sociedade para prestar atenção à ansiedade e à depressão dos jovens. Ma Io Fong considera necessário aumentar o número e a qualidade de agentes de aconselhamento psicológico nas escolas, e Lam Lon Wai pede mais protecção e segurança nas escolas. Já os assistentes sociais estão atentos aos alunos que testemunharam a agressão.

       

      O caso da agressão com faca no Colégio Mateus Ricci na segunda-feira, onde uma estudante foi ferida por um ex-aluno da escola, provocou preocupações na sociedade sobre o cuidado da saúde psicológica dos jovens e o mecanismo de segurança do campus. Vários deputados à Assembleia Legislativa e assistentes sociais deixaram um alerta para que seja prestado mais apoio emocional aos estudantes sobre as suas pressões do estudo e da vida pessoal, bem como atentos ao estado psicológico das testemunhas do referido incidente violento.

      Ho Ion Sang sublinhou que os jovens de hoje estão cada vez mais sobrecarregados e, devido à mudança na sociedade, são mais precoces e sensíveis. Segundo o deputado, a pressão da escola, das relações com colegas e até da família fazem com que alguns alunos locais sofram de ansiedade, depressão e outras emoções negativas, afectando a vida pessoal e o estudo, e em alguns casos evoluindo para uma doença mental.

      O director dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude, Kong Chi Meng, tinha revelado que o suposto agressor “tem perturbações emocionais” e “necessitava de ajuda há muito tempo e era acompanhado por um assistente social”.

      Na perspectiva do deputado, muitos pais e encarregados de educação exigem sempre que os jovens se comportem adequadamente e obtenham boas notas, no entanto, o pressuposto do mesmo deve ser criar um ambiente da escola e familiar acolhedor e harmonioso. “É importante entender as diferentes necessidades dos estudantes, valorizar os pontos fortes de cada jovem e dar oportunidades para desenvolver o seu potencial”, frisou o deputado, num comunicado enviado à comunicação social.

      Um maior investimento de recursos de apoio emocional é também o pedido de Ma Io Fong. O deputado sugeriu que o Governo aumente o número de agentes de aconselhamento psicológico nas escolas, bem como preste serviços altamente qualificados. Disse esperar que se reforce a educação dos alunos sobre a capacidade de resolução de problemas e de libertar pressão.

      O também professor de ensino não superior quer fortalecer ainda as medidas de contingência de segurança de campus em Macau. “Muitas escolas locais não possuem pessoal de segurança, o trabalho relevante é geralmente realizado por docentes ou outros funcionários da escola. Caso exista um incidente inesperado ou premeditado, podem não haver forças de segurança suficientes”, disse Ma Io Fong.

      Já o deputado Lam Lon Wai apelou que o uso de violência não resolve problemas e pede à sociedade para não “fazer especulação demais sobre o caso”, solicitando que seja criado um sistema de contingência mais completo para aumentar o apoio e protecção para estudantes e escolas.

      Recorde-se que um ex-aluno do Colégio Mateus Ricci, que tinha regressado à escola na segunda-feira para buscar os seus pertences, esfaqueou uma aluna de 16 anos. O assistente social da União Geral das Associações dos Moradores, Ieong Chi Leong, salientou que as testemunhas do incidente podem ter sintomas e reacções de síndrome de stress pós-traumático.

      O assistente social, citado pelo Jornal Ou Mun, apelou que os alunos procurem assistência se tiverem pesadelos, insónia, sentimentos negativos, ou até repetição da cena violenta no cérebro, dores de cabeça ou de estômago frequentes, depois de terem testemunhado o incidente.

      Por sua vez, Un Su Kei, representante da Associação Geral de Estudantes Chong Wa de Macau, destacou que o incidente terá, inevitavelmente, um impacto negativo na vítima e nos alunos da escola, pelo que pediu mais apoio psicológico aos estudantes. Segundo a mesma, a longo prazo, é preciso, na educação escolar, deixar os jovens entenderem que devem recorrer à ajuda profissional quando se deparam com problemas emocionais.