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      InícioSociedadeEstudo retrata jovens de Macau: Patriotas, tolerantes, resilientes e moderadamente felizes

      Estudo retrata jovens de Macau: Patriotas, tolerantes, resilientes e moderadamente felizes

      A Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) divulgou ontem os resultados do “Estudo Social dos Indicadores sobre a Juventude em Macau de 2022”, com base num inquérito feito a mais de dois milhares de jovens locais. Segundo a análise às respostas, os jovens de Macau têm um “nível relativamente elevado de sentimento patriótico”, são “tolerantes e respeitadores de pessoas de diferentes contextos” e têm um “nível médio” de felicidade.

      Tolerantes, respeitadores, resilientes, patriotas e moderadamente felizes. É este o retrato aos jovens de Macau feito pela Direcção dos Serviços de Educação e de Desenvolvimento da Juventude (DSEDJ) nos resultados do “Estudo Social dos Indicadores sobre a Juventude em Macau de 2022”, divulgados ontem.

      O estudo foi realizado através de questionários, entre Setembro e Novembro de 2022. A população-alvo do estudo incluiu jovens de Macau, com idades compreendidas entre os 13 e os 35 anos. Foram enviados 2.500 questionários, tendo sido recolhidos 2.376 questionários válidos.

      FELICIDADE A NÍVEL MÉDIO

      O estudo diz que a felicidade e satisfação com a vida dos jovens de Macau está no nível médio de 3,24 pontos, sendo que os jovens dos 13 aos 18 são mais felizes do que os dos 19 aos 35.

      Em termos de stresse e resiliência, os valores de todos os tipos de stresse entre os jovens inquiridos registaram um nível médio, diz a DSEDJ, acrescentando que, em geral, as três principais fontes de stresse incluem o stresse no trabalho (3,21 pontos), o stresse económico (3,16 pontos) e o stresse na saúde (3,04 pontos).

      Já a média geral de resiliência é 3,51, o que corresponde a um nível médio a elevado, “reflectindo que os jovens de Macau têm um certo grau de resiliência ao stresse”. “Em geral, a maioria dos jovens entrevistados tem capacidade para lidar com o stresse. Analisando o estatuto dos jovens entrevistados, os trabalhadores-estudantes têm o nível mais elevado de resiliência, com uma média de 3,65”, aponta o estudo.

      O inquérito também abordou a duração e a qualidade do sono. Os jovens de Macau dormem, em média, 6,84 horas por noite, o que está dentro do recomendado pela Fundação Nacional do Sono dos Estados Unidos da América, salienta a DSEDJ.

      28% DOMINA O CHINÊS, PORTUGUÊS E INGLÊS

      No que toca às competências linguísticas, o estudo mostra que 28% dos jovens entrevistados afirmou dominar três línguas (chinês, português e inglês), 67,9% afirmou dominar duas línguas (qualquer duas entre chinês, português e inglês) e apenas 4,1% afirmou dominar apenas uma língua (chinês ou português ou inglês).

      O domínio das técnicas de uso de diferentes tipos de software de computador está num nível médio-alto. As capacidades de uso de software de desenho (2,62), edição de vídeo (2,60), produção de páginas Web (2,10), produção de animação (2,01) e programação informática (1,90) registam pontuações inferiores ao nível médio.

      O estudo diz também que, em termos de planeamento de carreira, os jovens de Macau “têm ideias claras quanto ao ramo e perspectivas da sua aprendizagem / prosseguimento de estudos / carreira profissional e que percebem o conteúdo do seu próprio trabalho e interesses”.

      JOVENS COM ESPÍRITO ASSOCIATIVO E SATISFEITOS COM A ORDEM PÚBLICA

      Os dados divulgados mostram também que 37,8% dos jovens inquiridos participavam em associações. Aliás, cada jovem participa, em média, em 1,83 associações. No que toca à participação social, o voluntariado foi a forma de participação mais comum entre os 13-18 anos e os 19-24 anos, com 39,5% e 41,4% respectivamente, enquanto a dádiva foi a forma de participação mais comum entre os 25-29 anos e os 30-35 anos, com 37,1% e 43,8%, respectivamente.

      Por outro lado, os jovens também estão, segundo o estudo da DSEDJ, satisfeitos com as condições da economia e da sociedade. Os jovens inquiridos indicam estar satisfeitos com a ordem pública, a educação e as instalações públicas de recreio e desporto, com 3,69, 3,27 e 3,20 pontos, respectivamente.

      Em termos de utilização e confiança nos meios de comunicação social, os cinco meios de comunicação social mais utilizados pelos jovens entrevistados são o WeChat (83,9%), o Youtube (75,8%), o Instagram (64,4%), o Facebook (57,2%) e o Xiaohongshu (51,6%). Em termos de utilização da internet, os três principais objectivos foram, por ordem descendente de número médio de horas para utilização em cada semana, nos últimos seis meses, as plataformas de redes sociais (8,13 horas), apoio à aprendizagem ou ao trabalho (7,66 horas) e a visualização de vídeos (7,06 horas).

      No que toca à leitura, os jovens inquiridos despendem mais tempo, em média por semana, na leitura de livros de apoio à aprendizagem (2,97 horas), seguida da leitura de livros académicos/profissionais (2,08 horas), romances (1,71 horas) e, por último, jornais (0,99 horas). Os resultados do estudo revelam, ainda, que o modo predominante de leitura dos jovens inquiridos é electrónico, começando pelos telemóveis (89%), depois os computadores (47,4%), seguidos de tablets (40,9%) e, por último, as publicações físicas (40,5%).

      MAIORIA RECEBE ENTRE 20 MIL E 30 MIL PATACAS

      No inquérito, a maioria dos jovens no mercado de trabalho (38,2%) disseram que, no último ano, o seu rendimento mensal do trabalho a tempo inteiro andou entre as 20 mil e as 29.999 patacas. Os outros variaram entre 10.000 e 19.999 patacas (34,3%), 30.000 e 39.999 patacas (14,8%), 40.000 e 49.999 patacas (5,3%), 3,8% para menos de 10.000 patacas e 3,6% para 50.000 patacas ou mais.

      No que se refere às principais despesas, as cinco principais despesas dos jovens são, por ordem decrescente, a alimentação (79,5%), as despesas de habitação (37,4%), o entretenimento e lazer (32,9%), o vestuário (26,7%) e as despesas básicas de subsistência (24,5%).

      No que diz respeito à situação habitacional, 63,8% dos jovens entrevistados vivem em habitação privada comprada, 20,2% em habitação privada arrendada, 9,7% em habitação económica, 6,7% em dormitórios, 4,8% em habitação social e 1,2% em lares específicos.

      TOLERANTES E RESPEITADORES

      Os resultados do estudo dizem também que os jovens de Macau têm um elevado índice de inclusão. Os inquiridos tendem a ser “tolerantes e respeitadores de pessoas de diferentes contextos e capazes de comunicar e de se dar bem com diferentes comunidades”. Além disso, segundo o estudo, os jovens “tendem a acreditar que os pais, o Governo e a sociedade podem fornecer recursos e oportunidades para os ajudar a crescer e a desenvolver-se”.

      Por outro lado, através da análise do Coeficiente de Correlação de Pearson (Pearson Correlation), mostrase que quanto maiores são as capacidades de comunicação, de trabalho em grupo e de colaboração, de perspectiva internacional e de participação social dos jovens inquiridos, mais elevado é o nível de inclusão de pluralismo na sociedade. Ao mesmo tempo, não se registaram diferenças significativas nos índices de felicidade, satisfação com a vida e condições para desenvolvimento individual, entre os inquiridos com diferentes naturalidades e línguas.  

      ELEVADO SENTIMENTO PATRIÓTICO

      O estudo também faz as contas ao sentimento patriótico dos jovens locais: Em termos de valores, o nível de sentimento patriótico global dos jovens inquiridos tende a ser elevado (3,99 pontos), com uma tendência para reconhecerem e respeitarem o sistema e a cultura do seu país e para atribuírem a importância ao desenvolvimento do país. Os dados revelam que os estudantes são ligeiramente mais patriotas do que os que estão no mercado laboral. Os desempregados são os menos patriotas.

      A maioria dos jovens também concorda que o desenvolvimento do país e da sociedade de Macau é sustentável e positivo, estando dispostos a prestar atenção e a participar dedicadamente no mesmo.