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      InícioSociedadeAmbientalista Joe Chan alarmado com despejo de águas radioactivas do Japão

      Ambientalista Joe Chan alarmado com despejo de águas radioactivas do Japão

      Toneladas de esgotos da central Fukushima – o equivalente a 500 piscinas olímpicas – estão prestes a ser despejadas nos mares japoneses. O ambientalista Joe Chan diz que este problema não é, nem nunca foi,apenas do Japão, e que a longo prazo Macau, e todo o planeta, terá que se preparar para os efeitos nefastosnos ecossistemas, e por extensão, nos seres humanos. A questão nuclear, sustenta, é outra questão que também tem de ser repensada pelo Governo Central, e deve ser encontrada uma forma de cumprir o objectivo de redução das emissões de carbono, mas sem que isso ponha em risco a segurança das populações.

      Joe Chan, da Green Student Union, partilhou com o PONTO FINAL a sua tristeza com a decisão do governo japonês de seguir em frente com o despejo de mais de um milhão de toneladas de água contaminada e tratada de Fukushima no Oceano Pacífico a partir de Julho. “Tenho mesmo pena que eles tenham decidido ir com isto para a frente, referiu. Frisando que este é um problema do mundo inteiro, e não apenas do Japão, o activista argumentou que ninguém consegue gerir a questão do lixo nuclear sozinho. “Se tivéssemos cooperado todos juntos, o mundo inteiro com o Japão, em vez de deixar o problema ser gerido apenas pelo Japão, teria sido diferente, porque o problema é de todos, afecta o mundo inteiro”.

      Opiniões dividem-se quanto ao verdadeiro impacto da libertação destas águas contaminadas. Entidades como o governo nipónico e a agência nuclear atómica do Japãogarantem que os níveis de elementos radioactivos nocivos foram limpos da água, e que apenas resta um elemento que a TEPCO – a Companhia de Energia Eléctrica de Tóquio – não consegue eliminar: o elemento radioactivo Tritium.  Enquanto que a TEPCO e o governo japonês defendem que o tritium já existe naturalmente na natureza, e que libertá-lo em pequenas doses é inofensivo e seguro, a comunidade científica e ambientalistas dividem-se quanto ao risco que a disseminação deste elemento carrega. O tritium pode ser tóxico para o ADNe para os processos reprodutivos de animais aquáticos, em particular para invertebrados, revelou recentemente um estudo científico francês.

      Para o activista ambiental Joe Chan, a libertação deste elemento nos mares é algo que no imediato “talvez não tenha um efeito muito sério, porque será diluído nos oceanos, mas pouco a pouco irá afectar alguém. Alguém mais sensível vai acabar por sofrer, especialmente as grávidas, ou pessoas que dependam do mar, ou vivam lá perto, serão mais afectadas. Talvez venham a ficar doentes e pode-se vir a descobrir que a origem estava neste incidente”, avisa.

      Recorde-se que o Governo japonês tinha várias opçõespara eliminar estas águas: sob forma de hidrogénio, enterrar debaixo de terra, ou libertar por vapor, após se ter fervido a água. Mas em Abril de 2021, aprovou-se as descargas das águas no mar. “Talvez no Japão eles tenham chegado à conclusão que esta era a melhor solução, mas para mim é a pior”, confessa o activista. Isto vai afectar não só a zona do Japão, mas todo mundo, com os níveis radioactivos globais a subirem”.

      E o que pode o Governo de Macau fazer para proteger a população? Joe Chan considera que pelo menos tem de haver um controlo e monitorização correcta dos poluentes radioactivos, “especialmente quando entrarem em contacto com marisco, produtos agrícolas, é necessário continuar a monitorizar para minimizar os efeitos físicos nas pessoas”. Na opinião do representante da Macau Green Union, as últimas medidas do IAM, em que apenas se vai banir os produtos com origem nas nove regiões perto de Fukushima, e talvez possivelmente no futuro controlar os níveis de radioactividade de produtos de outras zonas do japão, são práticas. “O Governo não quer ser muito agressivo, e está a fazer os procedimentos passo a passo, temporariamente acho que controlar as zonas principais é prático, mas se continuarmos a monitorizar e os níveis continuarem a subir, talvez seja preciso expandir o controlo para o país todo, e depois toda a região. Talvez ainda no futuro todos os alimentos provenientes da zona do Oceano Pacífico tenham de ser regularmente controlados”, admite.

      Para proteger os cidadãos de Macau tem de haver este controlo, mas eventualmente isto será algo que vai afectar toda a gente, sustenta Joe Chan. “É inevitável porque todo o oceano, todos os ecossistemas não têm fronteiras. Um pássaro é do Japão? Não, também migra para Macau.

       E como será que a restauração da RAEM e outros sectores alimentares dependentes de produtos japoneses vão gerir a situação? O ambientalista partilhou que já teve acesso adados que dizem que as vendas já estão em queda, mesmo antes das águas serem libertadas”. Revelando que algumas ONG andaram a testar as águas, e aparentemente já estão a haver fugas da central nuclear”, com os níveis a ultrapassarem “há muito os valores aceitáveis”, Joe Chan reconhece que “as pessoas estão com medo, claro. Provavelmente vão deixar de consumir sushi ou outros produtos japoneses durante uns tempos, por isso isto são coisas que as companhias em Macau têm de ter atenção.

      CHINA E A BOMBA-RELÓGIO NUCLEAR

      Para o professor de ensino secundário e universitário, esta experiência do acidente de Fukushima, “é uma boa lição”. Recordando que a China se tornou num dos países com mais centrais nucleares, com um aumento dramático na última década, a China devia também aprender com esta lição. “A energia nuclear tem vantagens”, argumenta, mas é também como uma bomba-relógio. O problema vai ser deixado para as gerações futuras, e no futuro elas é que vão ter de resolver este assunto”, adverte. “Será que devemos continuar a aumentar o uso de energia nuclear, especialmente os países que estão perto da zona do anel de fogo’, as zonas com mais actividade sísmica? Se houve um terramoto na China, o que vai acontecer nessa altura então? É preciso ter um plano B”, defende o ambientalista.

      “Há muitas centrais nucleares na China, a maior delas aliás é perto de Macau, a Taishan, em Guangdong”, lembra, sustentando que a seu ver “a China não tem muita escolha, porque o crescimento económico exige tanta energia”. No entanto, na sua perspectiva é preciso reconhecer que a energia nuclear não é toda má”, e se “nós conseguirmos arranjar meio de recorrer a alguma quantidade de energia nuclear para aliviar as emissões de carbono, que são tão urgentes”, esta pode ser uma boa forma de combater o aquecimento global, “mas não podemos acreditar que o crescimento económico possa continuar a subir como no passado”, admite.Temos de encontrar uma forma mais sustentável de viver, deixar apenas que a economia estabilize, que as pessoas tenham um trabalho, e assim pelo podemos conseguir prolongar a vida dos seres humanos. De outra forma, estamos a queimar as duas pontas do pavio e a reduzir a nossa esperança média de vida.

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau