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      InícioSociedadeConsumo de drogas desce para menos de um quarto em cinco anos

      Consumo de drogas desce para menos de um quarto em cinco anos

       

      Há cada vez menos toxicodependentes em Macau: de acordo com os últimos dados do sistema central de registo dos toxicodependentes de Macau, em 2022 havia apenas 85 pessoas, num claro contraste em relação aos números pré-pandemia, em que havia 424 consumidores em 2018. Os poucos consumidores que restam são, na sua maioria, homens de meia idade sem família e sem estudos superiores.

       

      O Instituto de Acção Social (IAS) divulgou recentemente os últimos dados do consumo de drogas, revelando que em 2022 houve um decréscimo de 63,2 relativamente ao ano anterior. Em Macau, desde há cinco anos que este decréscimo tem sido constante, com uma diferença de 424 consumidores em 2018, para apenas 85 pessoas no ano passado. O IAS acrescentou ainda no mesmo comunicado que tem havido uma clara diminuição de novos toxicodependentes, e uma melhoria na “taxa de persistência dos indivíduos em tratamento”. Estes valores seguem os objectivos do contexto mundial da campanha das Nações Unidas para o Dia Internacional contra o Abuso e o Tráfico Ilícito de Drogas, data que é assinalada hoje, dia 26 de Junho, por todo o mundo.

      De resto, as autoridades em Macau acompanham os esforços do país e da região, e também têm estado activas no combate ao crime de tráfico, com a China a desmantelar cada vez mais redes de venda ilícita de droga. O investimento na prevenção e tratamento é uma estratégia que, para além da penalização, tem sido desenvolvida pelas autoridades nos últimos anos, espelhando o tema da ONU para o Dia Mundial, que defende que se deve “colocar as pessoas em primeiro lugar para fortalecer a prevenção, eliminando o estigma e a discriminação”. A ONU pretende “despertar os países do mundo a prestarem atenção às acções de prevenção e tratamento da toxicodependência e a combaterem em conjunto a droga e aos seus efeitos nocivos”, recorda o IAS em comunicado.

      Nesse sentido, só em 2022, o Governo investiu em “cursos online sistemáticos de educação sobre medicamentos”, com mais de 20 mil estudantes do ensino secundário complementar a participarem em actividades educativas. Na Casa de Educação de Vida Sadia, na Areia Preta, decorreram actividades de formação de combate à droga, contando com mais de 5.000 participantes. Para além de tentar educar os jovens e a população geral, o IAS também forneceu recursos e instrumentos online e organizou “sessões de formação temática sobre medicamentos” para docentes e agentes de aconselhamento de estudantes, ajudando-os assim a “consolidar os conhecimentos sobre a prevenção da toxicodependência”, formações que contaram com a presença de mais de 600 pessoas. O departamento dos serviços sociais indicou ainda no mesmo documento que “tem vindo a desenvolver actividades de educação preventiva e de divulgação comunitária, destinadas aos diferentes grupos, incluindo encarregados de educação, estudantes do ensino superior, estrangeiros, idosos, trabalhadores, etc., tendo contado com a participação de mais de 260 pessoas”.

      Este ano, como parte do Dia Internacional contra o Abuso e Tráfico Ilícito de Drogas, o IAS e instituições particulares irão entre Junho e Agosto implementar mais de “100 actividades alusivas ao combate à droga, com o tema “Recusa as drogas para criar um ambiente sadio de trabalho”, a fim de transmitir aos residentes e ao público mensagens sobre o combate à droga e a vida saudável, e apelar à população para participar nas acções do combate à droga” indica ainda a instituição.

      O recurso a vídeos educativos e “desenhos animados” ou “banda desenhadas em quadradinhos” é outra ferramenta muito utilizada pelo IAS, campanha que está a ter visibilidade, já que apenas num mês estes conteúdos tiveram mais de 330 mil visualizações nas plataformas multimédia. Estes e outros conteúdos informativos estão disponíveis na página oficial da campanha anti-drogas da RAEM, a “www.antidrugs.gov.mo”.

       

      PERFIL DO TOXICODEPENDENTE

       

      Observando os dados do sistema central de registo dos toxicodependentes de Macau disponíveis na mesma página, é possível traçar o perfil do típico consumidor de droga da RAEM: é um homem adulto de etnia chinesa, é residente, não tem família, e não tem estudos universitários. Numa tendência semelhante à verificada nos últimos cincos anos, em 2022, das 85 pessoas registadas como toxicodependentes no território, 87.1% eram homens com idade média de 41,8 anos, e começaram a consumir drogas por volta dos 21,7. Cerca de metade destes vive nos bairros residentes do norte da cidade, 84,7% dizem não ter família, mas metade tem filhos.  Apenas 12,9 % tem estudos superiores. Metade destes toxicodependentes encontra-se no desemprego e tem registo criminal.

      Quanto ao tipo de consumo que se faz na RAEM, através destes valores, é possível constatar que em Macau não são as gerações mais jovens a consumir drogas, já que a idade média destes 85 toxicodependentes era de 52,9. Em Macau os consumidores não misturam substâncias diferentes, e apenas consomem um tipo de droga. A droga mais consumida em 2022 no território por estes adultos foi principalmente heroína (53,7) e cocaína (42), seguida da metanfetamina “Ice” (38) e de ketamina (27), percentagens que se têm mantido constantes nos últimos cinco anos.

      Já o consumo de canábis é mais popular entre adolescentes, com 75% de jovens com cerca de 17 anos a consumirem esta droga em discotecas, casas de amigos ou num “parque, esquina ou banheiro público”. Os valores do consumo entre jovens têm, de resto, descido bastante nos últimos cinco anos, de 24 pessoas em 2018, para apenas 4 jovens no ano passado.