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      Deputados apelam ao aumento da licença de paternidade e mudanças de costumes no Dia do Pai  

      O típico pai em Macau é um pai que sustenta a família, trabalhando longas horas, e que nunca “dá a parte fraca”, sendo muitas vezes uma figura ausente da dinâmica familiar que é gerida principalmente pela figura da mãe. Esta visão tradicional do papel do pai foi criticada por cinco deputados, que denunciam a pressão física e psicológica a que os homens são sujeitos, pressão muitas vezes negligenciada não só pela sociedade, mas também pelo Governo. No Dia do Pai, estes cinco homens falaram sobre a necessidade de aumento da licença de paternidade, e da adopção de várias campanhas de sensibilização para a saúde masculina e partilha equitativa das responsabilidades familiares.

       

      No Dia do Pai, assinalado ontem, o jornal chinês Ou Mun transmitiu as preocupações de diversos deputados sobre a saúde mental e física dos residentes do sexo masculino. Recordando que em Macau os homens morrem mais cedo (81,3 anos, contra a esperança média de vida de 87,1 para as mulheres), e há mais mortes por cancro e doenças agravadas na população masculina do que feminina, Lao Chan Fon, director do centro de tratamento psicológico da Associação Geral das Mulheres de Macau, salientou que “com a pressão crescente da vida urbana, os problemas de saúde dos homens também necessitam de atenção”. Datas como esta do Dia do Pai, indica, são boas oportunidades para sensibilizar os residentes “para a saúde física e mental dos homens e ajudar a aumentar a consciência e as aspirações dos homens para um estilo de vida saudável”.

      O  director do centro psicológico afirma que existe uma pressão do trabalho, e de sustento da família, que faz com que os homens descurem os seus próprios sentimentos, escondendo e negligenciando necessidades físicas e psicológicas. Para combater este clichê do homem “que nunca dá parte fraca”, é necessário que as autoridades apliquem medidas concretas, desde “inquéritos sobre a saúde dos homens” e divulgação pública desses mesmos dados, a incentivos à população masculina para fazer “exames de saúde regulares e abrangentes para detecção precoce de possíveis problemas de saúde”, sugere Lao Chan Fon.

      Já Ho Ion Sang, Ngan Iek Hang e Leong Hong Sai, da União Geral das Associações dos Moradores de Macau, destacam que têm também de ser implementadas alterações à lei, como o alargamento da licença de paternidade. Os actuais cinco dias, frisam os três deputados, “não são propícios à paternidade”, e o alargamento da licença de paternidade “não só os ajudaria a cuidar das suas mulheres e dos recém-nascidos, como também seria muito benéfico para a criação de laços familiares”.

      Analisando os valores e conceitos tradicionais de família, os representantes da União dos Moradores criticam a visão dominante, ainda presa ao “passado”, em que se vê o papel da mulher e do homem de uma forma rígida e inflexível”: há uma “falta de apoio e suporte da sociedade, uma vez que o foco está sempre na mãe e, de certa forma, o papel crítico do pai na família é ignorado”, e assim se veicula a “ideia errada de que o pai está menos empenhado na família”.

      Para agilizar esta mudança de costumes, Ho Ion Sang, Ngan Iek Hang e Leong Hong Sai dizem que, antes de mais, tem de haver uma “política de cima para baixo, conduzida pelas autoridades”, com “oferta de cursos sobre a família”, ou “aulas de economia doméstica e seminários” organizados pelo Governo em escolas primárias e secundárias.

      Segundo os deputados, os alunos vão assim poder “compreender os aspectos práticos” e ser-lhes-á “incutido o conceito de partilha equitativa das responsabilidades familiares, especialmente quando o pai é o principal pilar da família”, fazendo os jovens compreender “a distribuição das responsabilidades familiares, e que ninguém deve ter mais peso na família”.

      Esta ideia de incentivar as crianças e adolescentes a se preocuparem com os pais, recordou igualmente Lao Chan Fon, da Associação Geral das Mulheres de Macau, foi recentemente defendida pela Presidente da Comissão Europeia. Ursula von der Leyen expressou publicamente que as crianças devem ajudar os pais “a desfazerem-se da imagem tradicional do homem como “forte, inflexível e severo”, e a enfrentarem a vida, as emoções e os ajustamentos de saúde numa fase precoce”.

      Outra forma possível de melhorar as condições de vida dos homens seria a de alterar a forma como estes trabalham. Para Lee Chong Cheng, presidente da direcção da Federação das Associações dos Operários de Macau, o excesso de trabalho e o stress podem ser contornados com um aumento do número de dias férias anuais, e uma “alteração do sistema de licenças de acordo com o desenvolvimento social”, acrescentando ainda que o Governo poderia criar mais medidas, como a prestação de serviços especializados, à semelhança do que se faz em Hong Kong. A Federação dos Sindicatos de Hong Kong, explica, “criou um serviço de apoio e aconselhamento para os homens, a fim de lhes prestar um melhor apoio”, com várias actividades, como desportos e reuniões.