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      Consulado deixou ATFPM fora das celebrações do 10 de Junho. Coutinho diz que é “totalmente inaceitável”

      Pereira Coutinho está indignado com o Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong. Em causa está o facto de a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) não ter recebido nenhum convite para participar nas celebrações do 10 de Junho. Não foi só a ATFPM a ser esquecida, muitas outras figuras da comunidade portuguesa não foram convidadas, notou Coutinho, em declarações ao PONTO FINAL. Além disso, acrescentou, o Consulado português também ignorou um ofício do Conselho das Comunidades Portuguesas que solicitava um encontro com o secretário de Estado português. “Isto demonstra a má vontade do cônsul em servir os portugueses em Macau”, criticou.

       

      Pela primeira vez, a Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau (ATFPM) não recebeu qualquer convite para participar nas comemorações do 10 de Junho, denunciou ontem ao PONTO FINAL José Pereira Coutinho, presidente da associação. “É lamentável e totalmente inaceitável”, criticou.

      Segundo Coutinho, a situação não se registou apenas com a ATFPM. Dezenas de outras figuras da comunidade portuguesa ficaram também sem convite. Coutinho diz que as pessoas em causa se sentem “marginalizadas” e que “sentem a sua dignidade ofendida”.

      Questionado sobre se atribuía a responsabilidade a Alexandre Leitão, cônsul-geral português que celebrou pela primeira vez um 10 de Junho em Macau, Coutinho afirmou: “Eu não sei de quem é a responsabilidade. Eles que apurem as responsabilidades. O cônsul, como dirigente máximo, deve instaurar um processo interno para ver onde é que foi a falha no envio dos convites”, afirmou o presidente da ATFPM, que exige um pedido de desculpas formal por parte do Consulado.

      O também deputado à Assembleia Legislativa lembrou que “a ATFPM é uma das maiores e mais representativas associações de matriz portuguesa, com mais de 12 mil portugueses associados com quotas pagas” e “presta apoio sem fins lucrativos ao Consulado Geral de Portugal há mais de 20 anos para isenção do imposto de IRS e prova de vida de cerca de 3.000 aposentados e pensionistas que foram trabalhadores da administração portuguesa antes do estabelecimento da RAEM”. Além disso, “é através da ATFPM que temos três conselheiros [das comunidades portuguesas] e dois deputados [à Assembleia Legislativa de Macau]”, apontou.

      “Sinto-me triste, enquanto presidente da ATFPM, por, ao fim de 20 e tal anos, não ter tido um convite”, lamentou Coutinho. Uma vez que o convite por parte do Consulado-Geral de Portugal em Macau e Hong Kong acabou por não chegar, os responsáveis da ATFPM acabaram por aceitar o convite endereçado por Ana Menezes Cordeiro, cônsul-geral de Portugal em Cantão. “A doutora Ana Menezes Cordeiro teve a amabilidade de nos enviar vários convites para estarmos em Cantão”, frisou.

       

      CONSELHEIROS DAS COMUNIDADES TAMBÉM FORAM IGNORADOS

       

      Coutinho denunciou ainda que o Conselho das Comunidades portuguesas também foi ignorado pelo Consulado. Os conselheiros das comunidades portuguesas enviaram um ofício para o cônsul-geral de Portugal solicitando uma audiência com André Moz Caldas, secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros, que esteve em Macau em representação do Governo português no âmbito das celebrações do 10 de Junho. No entanto, “este ofício caiu em saco roto”.

      Uma vez que não houve resposta por parte do Consulado, Rita Santos, presidente do Conselho Regional da Ásia e da Oceânia das Comunidades Portuguesas, enviou um ofício para Lisboa a solicitar a mesma audiência com André Moz Caldas. Neste caso, a resposta chegou em menos de 24 horas com a audiência marcada.

      “Isto demonstra a má vontade do cônsul em servir os portugueses em Macau”, afirmou Coutinho, acrescentando: “O Consulado de Portugal em Macau está ao serviço dos portugueses de Macau. É um lugar dos portugueses e não só do cônsul”.

      Rita Santos irá entregar um relatório sobre as celebrações do 10 de Junho deste ano em Macau ao secretário de Estado português quando estiver em Portugal, no início do próximo mês, adiantou Pereira Coutinho.

      Rita Santos acabou por estar presente na recepção do 10 de Junho, na Escola Portuguesa de Macau (EPM), na condição de conselheira das comunidades portuguesas, acompanhada pelos outros conselheiros, Armando de Jesus e Gilberto Camacho.

       

      ALEXANDRE LEITÃO JÁ TINHA AVISADO QUE IRIA HAVER RESTRIÇÕES DE LOTAÇÃO NA EPM

       

      O PONTO FINAL tentou obter um comentário por parte do cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, mas não recebeu resposta até ao fecho da edição.

      Em entrevista à TDM ainda antes do Dia de Portugal, Alexandre Leitão já tinha indicado que, por as celebrações do 10 de Junho deste ano acontecerem excepcionalmente na EPM, iria haver mais rigor na lotação do espaço. “Não podemos pôr em causa a segurança e a integridade da escola”, disse.

      Além disso, o cônsul acrescentou: “Andei por vários países e nunca tinha visto uma recepção do dia 10 de Junho com acesso livre e sem convites. É uma praxe local, compreendo, faz sentido, a comunidade é muito vasta e é muito complicado escolher centenas de convites entre os muitos milhares de portugueses inscritos no Consulado”. Na entrevista, o cônsul referiu: “Estamos a enviar convites para entidades oficiais e pessoas que usualmente nos recebem. O acesso a quem não tenha convite continua a ser possível, mas sujeito à lotação do espaço”.