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      Criminalidade aumentou no primeiro trimestre deste ano

       

      No primeiro trimestre deste ano, os números de inquéritos criminais instaurados pela polícia registaram uma subida de 17,2% face ao mesmo período do ano passado. Porém, em comparação com o primeiro trimestre de 2019, houve um decréscimo de 10,6%. As autoridades registaram, no primeiro trimestre, um “aumento notável” dos crimes de burla e criminalidade informática.

       

      Wong Sio Chak, secretário para a Segurança, apresentou ontem as estatísticas referentes à criminalidade durante o primeiro trimestre deste ano, que mostram uma subida em comparação com o mesmo período do ano passado. No entanto, os números da criminalidade são ainda menores do que os registados no primeiro trimestre de 2019, antes da pandemia.

      No primeiro trimestre de 2023, as autoridades instauraram no total 3.006 inquéritos criminais, que representam um aumento de 441 casos e traduzem uma subida de 17,2% relativamente ao período homólogo do ano 2022, mas uma queda de 358 casos comparativamente com o período homólogo de 2019, representando um decréscimo de 10,6%.

      Neste período, registaram-se 62 casos de criminalidade violenta, o que reflecte um aumento de 19 casos em comparação com os 43 casos do mesmo período do ano passado, representando uma subida de 44,2%. Em comparação com os 158 casos do período homólogo de 2019, registou-se uma diminuição de 96 casos, o que representa uma redução de 60,8%.

      No que toca a crimes como rapto, homicídio e ofensas corporais graves, “continuamos a manter uma taxa zero ou uma taxa muito baixa”, afirmou o secretário para a Segurança na conferência de imprensa. Recorde-se de que, no primeiro trimestre, houve um caso de homicídio na noite de 10 de Março, em que uma mulher foi agredida até à morte numa pensão por um homem de Hong Kong, que foi detido dois dias depois.

      No que toca aos crimes contra as pessoas, como ofensas simples à integridade física, violação, abuso sexual de crianças ou sequestro, nos primeiros três meses de 2023 houve 572 casos, que representam um acréscimo de 13 casos e de 2,3%, em comparação com o período homólogo do ano transacto, mas uma diminuição de 4 casos e de 0,7%, em comparação com o mesmo período do ano 2019.

      De entre estes crimes, verificaram-se nove casos de violação, mais dois do que no período homólogo de 2022 e menos um do que no mesmo período de 2019. Registou-se ainda dez casos de abuso sexual de crianças, mais um do que em 2022. Neste caso, o número é significativamente maior do que no período pré-pandemia, no primeiro trimestre de 2019 verificaram-se apenas dois casos. Quanto ao crime de sequestro, verificou-se um caso, igual ao que se verificou em 2022. No primeiro trimestre de 2019 tinham-se verificado 82 sequestros.

      No âmbito dos crimes contra o património, foram registados 433 casos de crime de furto, o que traduz um aumento de 165 casos e de 61,6%, relativamente ao período homólogo do ano passado e, em comparação com o período homólogo do ano 2019, registou-se uma redução de 295 casos e de 40,5%.

       

      NÚMERO DE BURLAS É MAIOR DO QUE EM 2019

       

      No crime de burla, registaram-se no total 435 casos, representando uma subida de 114 casos e de 35,5%, relativamente ao período homólogo do ano passado, e uma subida de 152 casos e de 53,7%, em comparação com o período homólogo do ano 2019.

      Quanto ao crime de roubo, no total registaram-se oito casos, o que representa um aumento de 100% em relação ao período homólogo do ano transacto, mas uma redução de 57,9%, em comparação com o mesmo período do ano 2019. Relativamente ao crime de usura, vulgarmente conhecido por agiotagem, foram registados no total nove casos, representando uma diminuição de 18,2%, em comparação com o período homólogo do ano passado, e uma redução de 119 casos e de 93%, relativamente ao mesmo período do ano 2019.

      O balanço feito pelas autoridades de segurança dá ainda conta de que houve 94 casos de criminalidade informática, o que representa uma subida de 46 casos e de 95,8%, em comparação com o período homólogo do ano passado, e um aumento de 10 casos e de 11,9%, em comparação com o mesmo período do ano 2019. No crime de tráfico e venda de estupefacientes, registou-se um total de 16 casos, número idêntico ao do período homólogo do ano passado, mas um decréscimo de 12 casos e de 42,9% relativamente ao mesmo período do ano 2019.

      As autoridades fizeram também um balanço da delinquência juvenil no primeiro trimestre do ano, período em que se registaram 24 casos do género, um aumento de cinco casos e sete casos em comparação com os mesmos períodos do ano transacto e do ano 2019, respectivamente, sendo que o número de jovens envolvidos foi de 37, um aumento de 8 pessoas em comparação com o período homólogo do ano passado e inalterado em relação ao mesmo período do ano 2019.

      Em conclusão, Wong Sio Chak afirmou: “no primeiro trimestre de 2023, apesar de o número de casos registados representar um aumento em comparação com o período homólogo do ano passado, quer o número total de crimes, quer o número total do tipo de casos, são significativamente inferiores aos registados no período homólogo de 2019, ou seja, antes da epidemia”.

      “No primeiro trimestre do corrente ano registou-se um aumento notável, comparado com o período homólogo do ano passado, no que respeita, sobretudo, aos crimes de burla, aos crimes contra o património, aos crimes de pagamento online com cartões de crédito e a outros crimes cibernéticos”, afirmou o secretário, justificando a subida com “o aumento de turistas, após o alagamento das medidas de passagem transfronteiriça, com a recuperação gradual da economia e com a grande dependência da internet que o público criou durante a epidemia”.

      Wong Sio Chak também afirmou que, no futuro, “o aumento acrescido do número de turistas contribuirá para desenvolvimento da recuperação da economia de Macau, mas pode, ainda, trazer eventuais factores indetermináveis que afectem a segurança da sociedade, pelo que as autoridades da segurança manter-se-ão muito atentas a esta situação, e continuarão a desenvolver acções de sensibilização, de forma online e offline, de prevenção da criminalidade”.

       

      SITUAÇÃO IDÊNTICA NA CRIMINALIDADE RELACIONADA COM O SECTOR DO JOGO

       

      Tal como no que aconteceu com a criminalidade geral, os crimes relacionados com a indústria do jogo também cresceram em comparação com o primeiro trimestre do ano passado, mas, em comparação com o mesmo período de 2019, os números são inferiores.

      De acordo com os dados da Polícia Judiciária (PJ), no primeiro trimestre de 2023 registaram-se 158 inquéritos criminais, um aumento de 31 casos em comparação com o mesmo período de 2022, o que representa uma subida de 24,4%, mas, comparativamente ao mesmo período de 2019, regista-se uma redução de 280 casos e de 63,9%.

      “Acredita-se que a principal razão deste aumento está relacionada com o facto de, no início deste ano, em Macau e nas regiões vizinhas se terem implementado ajustamentos das políticas de passagem transfronteiriça, que foram sendo aliviadas umas após as outras, com o rápido aumento do número de turistas que visitaram Macau e com a recuperação gradual da indústria do jogo”, comentou o secretário, ressalvando: “Detectamos também que, dentro do circunstancialismo em que a polícia ajustou a implementação de medidas e reforçou a execução da lei, o número de casos relacionados com o jogo no primeiro trimestre deste ano ainda foi significativamente menor do que no mesmo período de 2019, antes da epidemia, e no mesmo período em 2020 e 2021, quando a situação epidémica era grave”.

      No âmbito dos casinos, houve 40 casos de burla, o que representa um aumento de 17,6% em comparação com o mesmo período de 2022, mas uma redução de 34,4% em relação a esse período de 2019. As situações de desobediência em relação a interdição de entrada nos casinos totalizaram 28 casos, verificando-se um aumento de 19 casos e de 211,1%, em comparação com o período homólogo do ano anterior, e em comparação com o período homólogo de 2019, registou-se um aumento de nove casos e de 47,4%.

      As autoridades dizem mesmo que, após a entrada em vigor da nova lei do jogo, “o modo de operação dos casinos satélite e dos promotores de jogo tem um rumo de posicionamento bem claro”, sendo que, “após o encerramento de várias salas VIP, não se verificou que o pessoal dessas salas se tenha envolvido em actividades criminosas”.