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      InícioCulturaMestre calceteiro Fernando Simões dá seminário sobre calçada portuguesa

      Mestre calceteiro Fernando Simões dá seminário sobre calçada portuguesa

      Há 40 anos a trabalhar a pedra, o português, radicado em Macau há diversos anos, vai falar sobre a história da calçada portuguesa, de como escolher e trabalhar a pedra, entre outras coisas. Fernando Simões, em declarações ao PONTO FINAL, defende que a arte de calcetar é uma arte que as instituições desconsideram enquanto tal e “isso faz toda a diferença”.

      A calçada portuguesa estará em discussão no próximo sábado, dia 10 de Junho, pelas 14h30, no Hall D1 do Albergue SCM com um seminário “Pavimentação Artística Portuguesa – Expansão pelo Mundo” ministrado pelo mestre calceteiro Fernando Simões, há 40 anos a trabalhar a pedra, não só em Portugal ou em Macau, mas um pouco por todo o mundo.

      Organizado pelo Círculo dos Amigos da Cultura de Macau (CAC), por ocasião das comemorações do Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o seminário procurará dar a conhecer o que é a calçada portuguesa e a arte de a construir. Ao PONTO FINAL, Fernando Simões reconheceu que o evento acontece em bom tempo e que é necessário falar de diversas coisas importantes sobre o assunto. “O processo de calcetaria é um processo, na maioria das vezes, realizado por improvisação. E esse processo ganha com a experiência e com a prática”, começou por dizer.

      A calçada portuguesa, tal como a conhecemos, remonta a meados do século XX e foi inventada em Portugal. Fernando Simões vai falar um pouco sobre essa história e sobre os mestres maiores, com alguns dos quais teve o privilégio de “trabalhar e aprender muito”. “Vou falar também da técnica e de toda a aprendizagem que tive ao longo de 40 anos, uma vez que comecei na calcetaria em 1993”, lembrou.

      Fernando Simões considera que a arte da calçada portuguesa é a arte das “coisas simples” e passa a explicar. “A rua é a montra e é na rua que nascem as coisas simples que o grande público gosta. Ao longo destes 40 anos valeu muito a pena. Mas ser simples não significa que seja fácil, porque na grande maioria das vezes surgem problemas que têm de ser resolvidos no terreno e que não estavam pensados no papel”, apontou.

      O calceteiro português enfatiza o facto de a calcetaria ser uma “arte que nasce e é aprendida na rua”, apesar de existirem escolas como a Escola de Calceteiros da Câmara Municipal de Lisboa, criada em 1986. “Com isto tudo, primeiro vem a dedicação e depois é que chega a habilidade. Estar ao lado dos grandes mestres é muito importante e, felizmente, eu tive essa felicidade”, assumiu Fernando Simões, lamentando, no entanto, que os calceteiros, ao contrário de todos os outros artistas, “não possam assinar os seus trabalhos e, talvez por isso, caiam no esquecimento”.

      A calçada portuguesa tem atravessado diversos momentos de menor ou maior entusiasmo. São várias as notícias, vindas principalmente de Portugal, de desinvestimento por parte das autoridades. Muitos se queixam que, apesar da sua beleza, a calçada portuguesa não é segura, principalmente quando chove. Apesar dos episódios, Fernando Simões desdramatiza a situação e procura dar ênfase ao facto de um pouco por todo o mundo, o interesse na calçada portuguesa – inscrita no Inventário de Património Cultural Imaterial português desde 2021. “A verdade é que a calçada portuguesa continua a existir, e fora de Portugal também, conforme se comprova com amigos meus, mestres calceteiros, que estão espalhados pelo mundo a trabalhar na arte”, referiu, lamentando, no entanto, que as instituições desconsiderem a arte e “isso faz toda a diferença”.

      FANHÕES, A “CAPITAL DO CALCETEIRO”

      Um apontamento ainda para relembrar Fanhões. A vila do concelho de Loures, em Portugal, ostenta o título de “Capital do Calceteiro” desde 2018, uma vez que foi berço e casa de muitos dos maiores vultos da calcetaria portuguesa. Para além disso, nas redondezas, muitas pedreiras existentes eram essenciais para a extracção da matéria-prima da calçada portuguesa. Fernando Simões recorda José da Clara, falecido em 2020, um dos grandes nomes da calcetaria portuguesa. “Fanhões, e em particular o Zé da Clara, são expoentes máximos da arte. Estamos a falar de gerações e gerações de pais e filhos fanhoenses que se dedicaram à arte”, destacou.

      A conversa faz parte do programa de Desenvolvimento Profissional Contínuo (CPD) e será realizado em português (com tradução para inglês e cantonês). A taxa de inscrição é de 300 patacas, sendo que para os membros da Associação dos Arquitectos de Macau (AAM) e da Instituição dos Engenheiros de Macau (AEM), a taxa de inscrição é de 150 patacas. Os lugares são limitados.

      A calçada portuguesa é um elemento único e emblemático da cultura portuguesa. O seu design diferenciado também pode ser encontrado em países como a China, Espanha, Bélgica, Malásia, Angola, Moçambique, África do Sul, Brasil, Estados Unidos da América ou Canadá. Em Macau, por exemplo, a calçada portuguesa é particularmente predominante e representa uma fusão das culturas oriental e ocidental. Muitos produtos criativos são inspirados por esta habilidade, provando ser um aspecto significativo da herança cultural do território. Fernando Simões liderou os projectos relevantes na Calçada da Igreja de São Lázaro e na área em frente à Estátua Kun Iam,entre outros.

      Nascido em Lisboa em 1969, Fernando Simões é um artista profissional especializado em mosaicos bizantinos e calçada portuguesa. As suas obras de arte podem ser encontradas em países ou regiões como Espanha, Gibraltar, Alemanha, Bélgica, França, Inglaterra, Portugal, Qatar e Macau. Trabalhou como instrutor de calçada portuguesa em vários espaços internacionais e é membro da British Association of Modern Mosaic (BAMM). Frequentou o curso de Escultura em Pedra para Principiantes no Centro Internacional de Escultura (Sintra Portugal) e cria esculturas em pedra desde 2006.