Edição do dia

Quarta-feira, 19 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
céu pouco nublado
29 ° C
29.9 °
28.9 °
94 %
3.6kmh
20 %
Ter
29 °
Qua
30 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioCulturaAlbergue SCM recorda Mio Pang Fei com exposição de seis jovens artistas

      Albergue SCM recorda Mio Pang Fei com exposição de seis jovens artistas

      Com curadoria do arquitecto Carlos Marreiros, a exposição pretende homenagear o pintor Mio Pang Fei, falecido em 2020. Alexandre Marreiros, Kit Ka, Ho Weng Chi, Sisi Wong, Wang Tou Kun e Wu Xixia são os artistas escolhidos para, cada um à sua maneira, revisitarem o homem e a obra. Desde o desenho à pintura, passando pela fotografia, vídeo, instalações, num evento organizado pelo Círculo dos Amigos da Cultura de Macau, do qual Mio fui um dos fundadores.

       

      O Círculo dos Amigos da Cultura de Macau (CAC) apresenta, no próximo dia 24 de Maio, pelas 18h30, no Albergue SCM, uma exposição que pretende homenagear o pintor Mio Pang Fei. “A recordar o Mestre Mio Pang Fei” é o título de uma mostra que revelará trabalhos de Alexandre Marreiros, Kit Ka, Ho Weng Chi, Sisi Wong, Wang Tou Kun e Wu Xixia, que estará patente até 6 de Outubro e tem entrada livre.

      Com o patrocínio do Fundo de Desenvolvimento Cultural e apoio institucional do Albergue SCM, a exposição tem a curadoria de Carlos Marreiros, que explicou ao PONTO FINAL a importância da mesma em vários aspectos. “Revisita a obra do Mestre Mio Pang Fei de forma diferente. Todos eles são artistas com visões díspares e cada um usa o seu meio que vai do desenho à pintura, passando pela fotografia, vídeo, instalações. Cada um expressa-se da sua própria maneira e partilham com o público a sua visão muito própria de Mio Pang Fei. Só isso já é motivo de grande interesse”, notou o arquitecto.

      Em segundo lugar, acrescentou ainda o macaense, o CAC pretende “fazer mais actividades sobre Mio Pang Fei. porque é uma das formas de fixarmos a sua memória, para que o Homem e a obra não sejam rapidamente olvidados nesta vida contemporânea”.

      Numa breve declaração ao nosso jornal, o também arquitecto Alexandre Marreiros – e um dos autores que vai expor – considerou que “pensar em Mio é pensar em libertação artística”. “É pintar com o braço à boleia do gesto solto e desprendido do que a memória e a mão nos foi obedecendo a fazer. É a procura de algo para que se parte sem saber onde chegar na busca do novo, do território plástico virgem, denso e ao mesmo tempo sereno e sem a presença de outros Homens. É esse afastamento do cânone, essa procura contínua e onde se pinta com todo o corpo, onde as pernas, o tronco, os braços e as mãos são um só na hora de pintar”, enfatizou.

      O legado de Mio Pang Fei tem vindo a ser recordado por diversas vezes desde a sua morte, com especial enfoque em eventos no Albergue SCM. Para celebrar a contribuição do pintor Mio Peng Fei para o desenvolvimento artístico de Macau, o CAC Já havia organizado uma sessão de homenagem ao pintor chinês em Novembro do ano passado com apresentações feitas pelo arquitecto Carlos Marreiros, Guilherme Ung Vai Meng, Noah Ng e Tong Chong, entre outras pessoas ligadas ao círculo, organismo que Mio ajudou a fundar.

      Mio Pang Fei nasceu em Xangai, na China continental, em 1936. Formou-se na Faculdade de Belas Artes da Universidade de Educação de Fujian e foi influenciado por Tou Ba Xie e Su Hai. Mudou-se para Macau em 1982 – apenas com uma nota de 100 dólares de Hong Kong no bolso, como afirmou em diversas entrevistas – depois de ter sido perseguido durante a Revolução Cultural Chinesa, um movimento sociopolítico liderado por Mao Tsé-Tung. Devido ao seu interesse pelas pinturas modernistas ocidentais, foi acusado de ser contra-revolucionário e acabou por ser preso. Foi para a Europa em 1986 para observar a arte europeia modernista. Foi fã do espanhol Antoni Tàpies.

      Ao regressar ao território, tornou-se vice-director e professor da Academia de Artes Visuais de Macau e do Instituto Politécnico de Macau (IPM). É unânime que Mio Pang Fei contribuiu decisivamente para o desenvolvimento das artes contemporâneas em Macau desde que se mudou para a cidade. O pintor encontrou o seu próprio estilo no que chamou de neo-orientalismo, um encontro da tradição chinesa e técnicas contemporâneas ocidentais. Conhecido pelas suas pinturas em grande escala, deixou de pintar por volta de 2010 muito por culpa da deterioração da sua saúde, dedicando-se nos últimos anos de vida à caligrafia chinesa. O seu abstraccionismo matérico era altamente referenciado à história e cultura chinesas.

      A última grande exposição com obras de arte de Mio Pang Fei foi realizada no resort integrado Galaxy em 2012. O artista chinês tem peças integradas em várias colecções espalhadas pelo mundo e foi galardoado com diversos prémios. Em 1999, o Governo de Macau atribuiu-lhe a Medalha de Mérito Cultural. São dezenas as exposições em que já participou, em Macau, na China continental, ou em países como Singapura, Malásia, Japão, Austrália, Portugal e Bélgica. Em 2015, Mio Pang Fei foi seleccionado pelo Museu de Arte de Macau (MAM) para representar o território na 56.ª Bienal de Veneza, em Itália. Morreu, em 2020, aos 84 anos.