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      InícioGrande ChinaChina pede a Cabul reformas nas políticas para mulheres e medidas antiterrorismo

      China pede a Cabul reformas nas políticas para mulheres e medidas antiterrorismo

      A China pediu ontem ao Afeganistão que reforme as políticas radicais que excluem mulheres do sistema de ensino e da vida pública e “adopte uma atitude mais resoluta no combate ao terrorismo”.

       

      Os comentários do porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês Wang Wenbin ocorreram após uma reunião tripartida entre China, Afeganistão e Paquistão, organizada por Islamabad, visando promover o comércio e diminuir as tensões nas fronteiras, na sequência de uma onda de ataques dentro do Paquistão.

      Wang disse que a China espera que o governo interino afegão, nomeado pelos Talibã, “alcance mais progresso na implementação de políticas internas e externas moderadas e prudentes e na salvaguarda dos direitos e interesses das mulheres e crianças, e adopte uma atitude mais resoluta no combate ao terrorismo, visando produzir resultados mais visíveis”.

      A China, por norma, abstém-se de comentar a política interna das nações com as quais deseja manter boas relações ou que pode usar na sua campanha para combater a atual ordem democrática liberal, liderada pelos Estados Unidos e países aliados.

      A China sugeriu a inclusão do Afeganistão na sua Iniciativa “Faixa e Rota”, um gigantesco projeto internacional de infraestruturas, que inclui a construção de ligações ferroviárias, autoestradas, pontes e centrais eléctricas na Ásia Central, visando criar novas vias comerciais. Mas Pequim está preocupada com o facto de o Afeganistão abrigar separatistas que se opõem ao domínio chinês na região de Xinjiang, no extremo noroeste do país.

      Wang elogiou uma declaração conjunta emitida na segunda-feira, no final da reunião trilateral, por conter, pela primeira vez, um compromisso escrito dos Talibã a indicar que vão impedir que grupos terroristas usem o Afeganistão como base de operações.

      Esse documento é de “grande importância para o futuro desenvolvimento das relações China – Afeganistão, o combate ao terrorismo na região e a cooperação em questões de segurança”, disse Wang. “Como um país vizinho amigável tradicional do Afeganistão, a China acredita que o Afeganistão não deve ser excluído da comunidade internacional”, afirmou. “O bem-estar e os interesses do povo afegão merecem atenção, o processo de paz e reconstrução do Afeganistão deve ser incentivado e a sua soberania e integridade territorial devem ser respeitadas”, acrescentou.

      Na declaração conjunta, os três lados enfatizaram a necessidade de impedir que qualquer indivíduo, grupo ou partido “use os seus territórios para prejudicar e ameaçar a segurança e os interesses regionais ou conduzir ações e actividades terroristas”. Isto inclui os Talibãs paquistaneses e um grupo militante que afirma representar a minoria étnica chinesa de origem muçulmana uigur, na região de Xinjiang, chamado Movimento Islâmico do Turquestão Oriental (ETIM, na sigla em inglês).

      Acredita-se que várias centenas, possivelmente milhares, de muçulmanos chineses vivam nos territórios do norte do Paquistão, em grande parte sem governo, mas especialistas em terrorismo questionam se o ETIM existe mesmo de forma organizada.

      Os Talibã foram rejeitados pela maior parte da comunidade internacional pelas amplas restrições impostas à oposição política e à vida cívica depois de assumirem o poder, em agosto de 2021. Estas medidas reverteram os avanços educacionais e culturais obtidos durante os 20 anos de presença da NATO e das forças dos EUA, apesar das promessas anteriores do grupo, de que moderaria a sua interpretação radical do Islão. Mais notavelmente, as meninas foram banidas da educação para além do sexto ano e as mulheres banidas da maioria dos empregos fora de casa.

      Um relatório da ONU, publicado na segunda-feira, criticou fortemente os Talibã por realizarem execuções públicas, chicotadas e apedrejamentos, desde que ascenderam ao poder no Afeganistão, e pediu aos governantes do país que parem com estas práticas. Lusa

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      Redacção do Ponto Final Macau