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      Cidadão que cancelou aviso de manifestação por alegada pressão policial diz que afinal foi “pressão pessoal”

      O cidadão que retirou o aviso de manifestação por alegada pressão policial mudou a versão da história ao prestar declarações – durante quatro horas – na Polícia Judiciária (PJ). O homem disse agora que não sentiu pressão policial, mas sim “pressão pessoal”. Assim, as autoridades concluíram que a versão inicial dos factos não correspondia à verdade. A PJ vai agora analisar se houve alguma violação da lei no âmbito desta situação. “Para já, ninguém foi acusado”, disse o porta-voz.

       

      A Polícia Judiciária (PJ) realizou ontem uma conferência de imprensa sobre o caso de um cidadão que denunciou a alegada pressão policial para que fosse retirado um aviso de manifestação. A PJ – que foi incumbida de investigar a situação pelo secretário para a Segurança – concluiu então que não houve qualquer pressão policial. Aliás, as autoridades indicaram que o homem, ao prestar declarações na PJ, alterou a sua versão, dizendo que não sofreu de pressão policial, mas sim de “pressão pessoal”.

      O caso foi relatado no passado sábado pelo portal All About Macau, a quem Wong Wai Man, presidente da Associação dos Armadores de Ferro e Aço, contou que retirou o pedido de manifestação depois de ter sido intimidado. O homem denunciou que, no início de Abril, quando apresentou o pedido de manifestação, começou a ser vigiado por agentes à paisana que o seguiam e também recebeu telefonemas anónimos a pedir que cancelasse a iniciativa.

      Na sequência da denúncia, o secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, afirmou que “a alegação do dito cidadão constituiu uma acusação grave para com a polícia” e, por isso, instruiu a PJ para fazer a investigação.

      Após a intervenção do secretário, o cidadão foi chamado às instalações da PJ para prestar declarações. O homem esteve a responder às questões dos agentes ao longo de quatro horas, segundo indicou o porta-voz. Na ocasião, Wong Wai Man acabou por dizer que o cancelamento do aviso de manifestação se deveu a “pressão pessoal”. Além disso, ele “considerou o interesse geral da sociedade e não quis que esta manifestação não fosse aproveitada por outras pessoas”, disse o representante da PJ. Por outro lado, segundo a investigação da PJ, o homem não foi perseguido pela polícia quando ia de carro, ao contrário daquilo que tinha afirmado ao portal All About Macau.

      “O que este senhor disse à imprensa não é verdade, não corresponde aos factos e não tem fundamentação”, afirmou o porta-voz da PJ. Ainda assim, a PJ vai continuar a investigar para perceber se houve alguma violação da lei no âmbito deste caso. “Para já, ninguém foi acusado”, disse o porta-voz.

      O homem tinha referido anteriormente que tinha recebido mensagens e chamadas intimidatórias que lhe pediam para cancelar o aviso de manifestação. Questionado sobre isto, o porta-voz da PJ disse que o homem não quis mostrar o conteúdo completo das mensagens que recebeu e também não revelou quem as enviou. Dos excertos das mensagens que os agentes viram, não havia nada de suspeito, disse o porta-voz.

      Na conferência de imprensa de ontem, a PJ aproveitou para falar sobre os antecedentes do homem. Segundo as autoridades, Wong Wai Man teve 16 infracções de trânsito entre Janeiro e Abril, das quais 15 foram de estacionamento e uma de excesso de velocidade – Wong Wai Man justificou o excesso de velocidade dizendo que estava a ser perseguido pela polícia.

      Além disso, segundo dados do Corpo de Polícia de Segurança Pública (CPSP), a sede da Associação dos Armadores de Ferro e Aço foi alvo, desde 2018, de cinco denúncias de outros cidadãos que diziam que aquele local era usado para exploração de jogo ilegal. No entanto, nunca foram encontradas provas do mesmo.

       

      CPSP admite agir criminalmente

       

      Após a conferência de imprensa da PJ, o CPSP divulgou um comunicado em que reitera que os relatos iniciais de Wong Wai Man não são verdade. Os comentários do homem “são completamente contrários aos factos objectivos, violando gravemente o prestígio da polícia e prejudicando a boa reputação da polícia”, diz o CPSP. No comunicado, o CPSP diz estar a estudar agir criminalmente: “Esta corporação condena de forma veemente o assunto, irá acompanhar as possíveis infracções envolvidas no incidente, estudando que as pessoas em causa serão responsabilizadas criminalmente”. “Esta corporação tem vindo a garantir, de forma suficiente, o exercício do direito de reunião e de manifestação, nos termos da Lei Básica e das respectivas leis”, lê-se ainda na nota.