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      InícioSociedadeUm edifício com rampa helicoidal junto à Igreja de S. Domingos

      Um edifício com rampa helicoidal junto à Igreja de S. Domingos

      Este projecto, de 2014, foi apresentado pela FLV – Filomena & Lourenço Vicente Arquitectos no âmbito da intervenção ao edifício junto à Igreja de S. Domingos, a cargo do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM). O edifício em causa, encontra-se situado lateralmente à Igreja, ligando-se fisicamente a um corredor lateral, apresentando uma imagem datada dos anos 80.

       

      A nossa proposta, para além da remodelação do edifício, passa por criar um novo percurso alternativo para a subida as Ruínas de S. Paulo descolando a lateral da Igreja a nível do piso térreo. Segundo o projecto, seria criado um acesso público desde a rua de S. Domingos até ao Beco da Palha através de uma rampa de inclinação ligeira que vence a diferença de cota de cerca de um metro. Este beco que existente nas traseiras do edifício pertence também ao tardoz lateral da Igreja. O beco é pouco visitado, mas usufrui de uma bonita arcada desse corredor lateral à Igreja, desconhecida da generalidade dos habitantes e visitantes da cidade.

       

      Neste beco era proposta a criação de um painel artístico de azulejos de referência colocado na parede exterior da Capela Lateral, com o intuito de criar um circuito turístico alternativo dando a conhecer a Igreja no seu todo.

       

      Seria criada uma rampa a partir do piso térreo até ao piso do pequeno auditório. A proposta era fazê-lo através de uma rampa helicoidal com uma constante de 8% de inclinação.

       

      Embora fosse uma solução questionável do ponto de vista museológico, seria sem dúvida uma forma suave de subir de nível, da mesma forma que proporcionaria um volume arquitectónico de registo.

       

      Nesta rampa, os patamares expositivos encontravam-se em cada nível, criando 6 “exhibit spots”, um bar com sala de estar, e uma sala VIP. A ascensão pelos espaços expositivos tinha o seu culminar na sala do pequeno auditório. O acesso também poderia ser feito por elevador. A sala do pequeno auditório também ela usava um nível e uma laje existente, sendo dotada de uma ‘reggie’ de apoio. Nos pisos superiores, 5.º e 6.º, propúnhamos espaços de trabalho em ‘open space’. Nesta nossa proposta era sugerida uma redução do volume do edifício original a nível superior, libertando o seu peso estrutural assim como visual.

       

      Era proposto como principal elemento o vidro como forma de reflectir o envolvente, quando observado à distância e, simultaneamente, revelar o interior do edifício, quando próximo. Tínhamos, assim, dois tipos de cortina de vidro, uma que começava no R/C com prumos verticais que iria ladear o acesso ao beco público. Esta fachada repetir-se-ia nos pisos superiores no mesmo alinhamento.

       

      A rampa helicoidal seria revestida a azulejos Viúva Lamego na cor branca. Seria o elemento conceptual escultórico por detrás da fachada de vidro agrafado. No topo da cobertura surgia um cilindro revestido também a azulejos idênticos aos da rampa, como protecção visual a todo o equipamento mecânico e técnico.

       

      O interior seria confortável, luminoso, com paredes claras e com versatilidade para apropriações de diferentes exposições de produtos variados, seja de pintura ou de escultura. Os primeiros pisos deveriam estar em constante ligação entre si através dos vazios deixados pelo afastamento das rampas das periferias, criando vários vazios com pé direito triplo, onde se poderiam expor peças tridimensionais e/ou um candeeiro ou lustre de referência, ou uma tapeçaria de grandes dimensões.

       

      A sala do auditório tinha como objectivo ser confortável, com alcatifa no chão para absorver o som geral, assim como um tecto com propriedades sonoras de absorção, e de reflexão nas zonas adequadas. Nos 5.º e 6.º pisos, que usufruiriam de vistas panorâmicas de Macau, era proposto um espaço informal de ‘open space’ como melhor forma de rentabilização do espaço. No mobiliário, era apresentado o branco como tema, e as mesas em vidro transparente com pés metálicos em aço inox, as cadeiras em couro branco com pés metálicos em aço inox. O interior, neutro na generalidade, faria sobressair os conteúdos expositivos.

       

       

      Lourenço Vicente

      Ponto Final
      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau