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      InícioSociedadeUm amontoado de livros como centro de conhecimento

      Um amontoado de livros como centro de conhecimento

      Este meu projecto, apresentado em 2012, era uma proposta para a criação de uma Biblioteca Central de Macau no local onde hoje se encontram os edifícios do Antigo Tribunal e da Polícia Judiciária, entre a Avenida da Praia Grande e a Rua Central.

       

      Uma biblioteca também será, de certa forma, um ponto onde este contacto se realiza, principalmente através do aspecto que mais a caracteriza: o Livro. Plataforma de transmissão de conhecimento por excelência, o Livro ganhou na sociedade humana um papel simbólico devido à sua importância ao longo da História.

       

      Com este projecto, pretendi despertar essa simbologia, criando uma forma que se assemelha a um amontoado de livros diversos num único espaço contido. Desta maneira, transmitia a ideia de que estamos num espaço de conhecimento vasto e variado, associando-se essa ideia à da futura Biblioteca Central subconscientemente.

      Outro objectivo deste projecto era a criação de um local público com destaque central na cidade. Uma biblioteca central, seja em qualquer cidade que se encontre, deve ser um local de grande importância e reverência para a comunidade, sendo o principal ponto de armazenamento de conhecimento, como já se aludiu.

       

      O projecto propunha um alargamento da via pedonal em frente à entrada principal da futura Biblioteca Central, equivalente à entrada do Antigo Tribunal. Tomando como inspiração teórica a Praça do Tap Seac, outro espaço onde se encontram diversos órgãos governamentais de cariz cultural, pretendia-se criar junto à nova Biblioteca Central um novo espaço aberto associado a um ponto de importância institucional.

       

      A cave da biblioteca seria composta por três pisos abaixo da cota da Avenida da Praia Grande. O pódio seria composto por cinco pisos, ocupando o espaço dos edifícios existentes, reaproveitando as suas fachadas históricas e a escadaria do Antigo Tribunal. A entrada principal da nova Biblioteca corresponderia à entrada do Antigo Tribunal, agora com um espaço de descompressão tanto interior como exterior. O pódio teria salas de leitura, centros de informações, café e loja. Na cobertura deste, encontrar-se-ia um espaço verde recreativo ligado às instalações interiores.

       

      A torre era composta por cinco pisos e deveria apresentar uma fachada de painéis de alumínio perfurado, numa disposição semi-aleatória de “livros”. Aqui, para além de espaços de leitura e do vazio já exposto, encontrar-se-iam os serviços administrativos, espaços de armazenamento de livros, espaços de exposições e um auditório no piso superior. Na cobertura, um segundo espaço verde recreativo.

      A fachada que se propunha neste projecto, composta por painéis de alumínio perfurado, possibilitariam um controlo da luz natural a que o edifício seria exposto; assim, criar-se-ia uma fachada “translucida”, caracterizada pela entrada de uma luz natural, mas indirecta.

       

      O projecto previa também a criação de um espaço vazio no edifício, percorrendo todos os andares, com uma claraboia de vidro a servir de cobertura. Garantia-se assim outra fonte de luz natural no edifício, também esta de natureza indirecta.

       

      Por outro lado, tendo em conta as questões climáticas, é muito importante contemplarem-se questões de sustentabilidade e de redução da pegada ecológica em qualquer projecto de construção e, por isso, pretendia-se criar um edifico ecológico, quer através da utilização da luz natural, como através da utilização de materiais sustentáveis.

       

      Bambu e cortiça seriam alguns dos materiais aplicados neste projecto. O bambu pode ter uma aparência atractiva semelhante à madeira natural. É um material muito forte, durável e comporta-se como uma tradicional peça de madeira, mas com um melhor comportamento na resistência à água e humidade. Esta é uma das características únicas do bambu – não absorve nem retém o calor do ambiente. Desta forma é um tipo de mobiliário refrescante e agradável (especialmente cadeiras e sofás) durante os meses de Verão. Outra característica prática do mobiliário em bambu é a sua leveza. Isso torna a limpeza dos locais mobilados com peças de bambu fáceis de limpar dada a sua fácil mobilidade. Economicamente, também apresenta vantagens. Comparando este tipo de mobiliário com o de madeira e cabedal, o que este projecto propunha era mais fácil de manter e limpar. O bambu tem um óleo específico que o mantém fresco e brilhante de forma natural durante longo tempo. É esta mesma característica que o faz ser resistente ao bolor e à acumulação de pó.

       

      Já a cortiça tem um pequeno impacto no ambiente e as práticas de colheita são sustentáveis, em primeiro lugar. Uma árvore tem de ter, pelo menos, 25 anos de idade antes de a cortiça ser retirada pela primeira vez; depois disso, a cortiça pode ser colhida a cada 8 a 14 anos, sem prejudicar a saúde da árvore. Os sobreiros podem viver até 800 anos, mas a sua esperança de vida típica é de 150 a 200 anos.

       

      Outra vantagem: a transformação da cortiça gera praticamente nenhum desperdício. De facto, o revestimento de pavimento com cortiça é na realidade um subproduto da produção de rolhas de cortiça para garrafas de vinho. Os resíduos das rolhas são recolhidos e triturados. Aglomerantes são então adicionados para que os pedaços de cortiça se mantenham juntos. Os aglomerantes normalmente utilizados incluem colas de melamina ureia formaldeído e proteínas naturais, que são relativamente estáveis depois de processadas. Pigmentos podem ser adicionados para criar diferentes cores e padrões, e o acabamento é por fim aplicado.

       

       

      Lourenço Vicente

      Ponto Final
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      Redacção do Ponto Final Macau