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      InícioSociedadeAlvin Chau condenado a 18 anos de prisão no caso Suncity

      Alvin Chau condenado a 18 anos de prisão no caso Suncity

      O Tribunal Judicial de Base de Macau condenou Alvin Chau à pena de 18 anos de prisão efectiva. Chau era o antigo responsável do grupo Suncity, considerada a maior operadora de ‘junkets’ no território. Com um total de 162 crimes condenados de jogo ilícito, associação criminosa e burla, Alvin Chau é ainda obrigado ao pagamento solidário, com outros seis arguidos que trabalhavam para a Suncity, de um valor total superior a oito mil milhões de dólares de Hong Kong, à RAEM e a cinco concessionárias de jogo.

      Alvin Chau Cheok Wa, fundador e antigo líder do grupo Suncity, foi ontem condenado a 18 anos de prisão pelo Tribunal Judicial de Base (TJB) por mais de 160 crimes de exploração ilícita de jogo, de associação criminosa e de burla ao Governo e às operadoras de jogo. No entanto, o magnata de ‘junkets‘ é considerado inocente face à acusação de crime agravado de branqueamento de capitais, não tendo sido condenado ainda por 126 dos 229 crimes de exploração ilícita de jogo em local autorizado, uma vez que os crimes já prescreveram, segundo o tribunal.

      A sentença foi proferida ontem de manhã pela juíza Lou Ieng Ha, presidente do colectivo de juízes que liderou, desde Setembro do ano passado, o julgamento do processo penal relativo ao grupo Suncity, que envolve Alvin Chau e mais 20 arguidos.

      Assumindo que a maioria dos factos alegados na acusação deduzida pelo Ministério Público tem eficácia no julgamento do caso, que compreende os documentos apreendidos no escritório de Alvin Chau, os dados de telemóvel e computador dos arguidos, bem como a escuta das conversas telefónicas trocadas entre os arguidos, a juíza considerou que Alvin Chau e o grupo Suncity exploraram ilicitamente o jogo paralelo e as apostas telefónicas e online, com uma operação transfronteiriça entre Macau e as Filipinas.

      Segundo sublinhou Lo Ieng Ha, no sistema da Suncity foram encontrados documentos e manual para funcionários sobre a exploração de apostas paralelas. “Refere-se ‘jogo paralelo’ como ‘operação’. Na verdade, é difícil associar ‘operação’ ao ‘jogo paralelo’, uma vez que este é apenas um termo normal. Se os manuais servem para enriquecer o conhecimento dos funcionários de uma situação geral, por que tornam as coisas tão obscuras? Isso reflecte que a Suncity sabia que o jogo paralelo é ilegal, portanto adoptou o codinome ‘operação’ como disfarce, de forma a esconder as suas actividades ilícitas”, indicou.

      Recorde-se que ao longo do processo de julgamento do caso, Alvin Chau rejeitou ter cometido os crimes acusados, insistindo que não tinha administrado ou estava envolvido na exploração do jogo paralelo, nem tinha lucrado com essa actividade. O empresário pediu para falar por várias vezes nas sessões com vista a explicar ao tribunal que o seu trabalho “tem sido apenas supervisão da situação financeira dos clientes, no âmbito de aprovação de crédito no jogo”.

      Já o advogado defensor de Alvin Chau, Leong Hon Man, argumentou que o Ministério Público e a Polícia Judiciária não tinham apresentado provas concretas para comprovar a existência dos alegados registos do jogo paralelo. Asseverou ainda que a Suncity “não mostrou a necessidade de promover as apostas paralelas”, visto que o grupo operou durante mais de dez anos e possuía 29 salas VIP, tendo recebido comissões das concessionárias até 20 mil milhões de patacas por ano e gerado muito mais lucros além disso.

       

      GRANDE IMPACTO À SOCIEDADE

      Manifestando uma opinião diferente, a juíza Lou Ieng Ha acredita que a Suncity dedicou-se ao jogo ilícito através das empresas de jogo paralelo – a Agência Comercial Tin e a Gestão e Consultoria Fenómenos Astronáuticos – operadas pelo 5.º arguido, Cheong Chi Kin, que admitiu no início do julgamento a prática dos crimes e confessou ser o maior responsável das actividades ilegais.

      “Sem a ordem do chefe, os contabilistas da Suncity não podiam trabalhar para Cheong Chi Kin; a secretária de Alvin Chau também informou o seu superior do conteúdo da conversa com Cheong Chi Kin sobre os cálculos das apostas paralelas, pelo que Alvin Chau e Cheong Chi Kin cooperavam no jogo paralelo”, concluiu.

      O tribunal colectivo adiantou ainda que, mesmo que a Suncity tenha anunciado o fim das apostas online em 2019, Alvin Chau continuou a dar, secretamente, instruções a subordinados para a respectiva operação nas plataformas de apostas, como a SCM e a UE.

      Durante a leitura da sentença, Lou Ieng Ha assinalou que “a grande envergadura do crime” não podia ser alcançada apenas com o esforço de Alvin Chau, mas era quem fundou, liderou e participou na associação criminosa. “O processo causou grande impacto à sociedade, a nível do valor envolvido e dimensão de participação. […] O jogo paralelo prejudica a cobrança de impostos pela RAEM e os negócios das operadoras de casinos”, criticou a juíza.

      Recorde-se que Alvin Chau, fundador da Suncity, foi detido a 27 de Novembro de 2021, sendo acusado de 289 crimes pelo Ministério Público, e tem estado em prisão preventiva no Estabelecimento Prisional de Coloane desde então. A detenção de Alvin Chau levou ao encerramento das operações das salas VIP da empresa, e o empresário deixou também de exercer o cargo de presidente de direcção e director executivo da sociedade gestora.

      Alvin Chau, além de ter patrocinado durante vários anos vários eventos desportivos e de lazer em Macau, como o Grande Prémio, foi membro nomeado do Conselho para as Indústrias Culturais da RAEM, em 2015.

       

      MAIS DOZE CULPADOS

      Além do magnata de ‘junkets‘, foram ainda considerados culpados 12 arguidos no caso. Entre eles, o 4.º arguido, Ali Celestino, o 5.º arguido, Cheong Chi Kin, o 6.º arguido, Tim Chau Chun Hee, e o 8.º arguido, Wong Pak Ling Philip, foram condenados a pena de prisão de 15 anos; o 7.º arguido, Lou Seak Fong, foi condenado a 14 anos de prisão, enquanto o 2.º arguido, Si Tou Chi Hou, e o 3.º arguido, Cheung Yat Ping Ellute, foram sentenciados a 10 anos de prisão efectiva. Foi também condenado o 11.º arguido, Leong Su Weng, a uma pena de nove anos de prisão.

      O TJB condenou ainda outros quatro arguidos, Ho Cheng I, Vicente Loi, Au Wang Tong e Dang Yonggang a pena de prisão entre cinco a sete meses, com pena suspensa de dois anos.

      Ao PONTO FINAL, Pedro Leal, advogado de Celestino Ali, executivo do departamento informático da Suncity, confirmou que vai interpor recurso para a Segunda Instância. O advogado, que também faz parte da equipa representadora de Alvin Chau, disse ontem que não concorda com a decisão, nomeadamente dos crimes de jogo ilícito e de burla. “Não estão preenchidos os requisitos do crime”, referiu. “Acho inconcebível que as concessionárias, que durante anos e anos lucraram à conta da Suncity, aproveitaram a situação para virem reclamar dinheiro a que não têm direito”, salientou ainda Pedro Leal.

       

      INDEMNIZAÇÃO À RAEM E ÀS OPERADORAS

      O tribunal colectivo pronunciou ainda que Alvin Chau e outros seis arguidos têm a responsabilidade solidária em relação aos pedidos de indemnização civil apresentados pela RAEM, representada pelo Ministério Público, e dos cinco assistentes do caso.

      De acordo com Lou Ieng Ha, o Governo de Macau tem o direito a ser indemnizado com 6,52 mil milhões de dólares de Hong Kong, a MGM GRAND PARADISE S.A. pode receber 349 milhões, a Wynn Resorts (Macau) S.A. 770 milhões e a VENETIAN MACAU, S.A. 295 milhões. Ademais, a Galaxy Casino, S.A vai ser indemnizada por danos patrimoniais com 559 milhões e a SJM Resorts, S.A com 178 milhões de dólares de Hong Kong, enquanto a Melco Resorts não solicitou a indemnização no processo.