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      InícioCulturaMel Cheong expõe xilogravuras e instalações artísticas no Centro UNESCO

      Mel Cheong expõe xilogravuras e instalações artísticas no Centro UNESCO

      Na exposição que terminou ontem, a artista revelou 25 obras e três grandes instalações, bem como mostrou que o famoso papel japonês washi “pode permitir que a impressão faça diferentes tipos de arte”. A exposição reflectiu uma nova etapa na sua vida enquanto mãe, conforme explicou ao PONTO FINAL a xilogravurista.

      Visitámos a exposição tarde, mas ainda a tempo de falar com Mel Cheong, uma artista local, especialista em xilogravura, que expôs 25 obras com três grandes instalações no Centro UNESCO.

      A exposição “Realidade e Fantasia” serve não só para apresentar os mais recentes trabalhos da artista, mas também para “permitir que as pessoas aprendam um pouco mais sobre xilogravura, especialmente como o papel japonês washi pode permitir que a impressão faça diferentes tipos de arte”, explicou ao PONTO FINAL.

      Mel Cheong, que usa com bastante frequência o círculo nas suas obras, explicou-nos um pouco do conceito desta sua última proposta. “Na exposição uso bastantes círculos, cada um representando uma alma. Estes círculos são feitos por filmes de impressão que substituem o tradicional papel manteiga. Na realidade, são subprodutos que são utilizados a absorver as cores dos gráficos, desenhos e aguarelas das minhas outras criações. Cortei-os em formas redondas e depois cosi-os em washi, reflectindo esta nova etapa na minha vida enquanto mãe”.

      A artista considera que a pandemia de Covi-19 fê-la repensar a arte e o “novo” ambiente artístico. “No sentido de tentar entender onde me inseria nesta nova realidade, apercebi-me da familiaridade do mundo que me rodeava, e de uma sensação de “desconhecido” que agora se fazia manifestar.  Assim, e por este motivo, nos objectos que compõem as minhas obras utilizo sempre os que são mais familiares, mas não das formas em que os quais são percebidos na nossa vida quotidiana – e isto de maneira a representar o novo ambiente e o novo desafio para mim”, explicou.

      Ao PONTO FINAL, Mel Cheong enfatizou ainda que, de igual modo, procura também “passar a ideia de que estas obras também se encontram em constante evolução e transformação, sendo compostas por materiais que podem ser recolhidos, usados na vida quotidiana, e devolvidos, subsequentemente, à natureza”, salientou, referindo que toda a sua obra está em consonância com doze dos dezassete Objectivos do Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas até 2030, que não são mais do que um apelo global à acção para se acabar com a pobreza, proteger o meio ambiente e o clima, bem como garantir que as pessoas, em todos os lugares, possam desfrutar de paz e de prosperidade.

      A xilogravurista conclui dizendo ao nosso jornal que “a arte é criada graças aos conhecimentos, história, cultura, e experiências de gerações que marcaram a arte de cada artista, não sendo as minhas próprias experiências e infância, pelo que tento sempre que a minha obra de instalação artística seja um canal de comunicação e de inspiração para as próximas gerações”.

      Mel Cheong é consultora da Associação Internacional de Xilogravura (Ásia), directora executiva da Associação de Xilogravura de Macau, membro fundadora do Centro de Estudo de Gravuras de Macau, tendo sido seleccionada para o “Projecto de Promoção de Jovens Artistas de Macau” e “Arts for Good Fellowship” de Singapore Internacional Foundation. As suas obras foram expostas em vários países e territórios, nomeadamente França, Japão, Portugal, Rússia, Espanha, Estados Unidos da América, Reino Unido, China, Hong Kong, Macau e Taiwan. Apesar de ser formada em Comunicação pela Universidade de Macau (UM), a artista acabou por estudar e especializar-se em impressão em xilogravura japonesa (Mokuhanga) no Centro para a Ciência do Esforço Humano. Dedica-se às áreas do design, ensino da gravura, ensino infantil, entre outras.