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      InícioSociedadeÉ quase impossível comprar paracetamol, máscaras KN95 e testes de antigénio

      É quase impossível comprar paracetamol, máscaras KN95 e testes de antigénio

      A corrida às farmácias começou quando o Centro de Coordenação de Contingência do Novo Tipo de Coronavírus anunciou o corte com a política de “Covid zero” em Macau, depois de a China continental ter feito o mesmo. Muitos são os que têm de fazer uma autêntica "jigajoga" para conseguir comprar alguns desses itens. O PONTO FINAL saiu à rua e só conseguiu comprar através dos esquemas de testes de antigénio e de máscaras. Fora isso, ouviu sempre um “esgotado” ou “não temos”.

      Açambarcamento em marcha. Por estes dias, em Macau, é quase impossível comprar paracetamol, máscaras KN95 e testes de antigénio. O PONTO FINAL saiu à rua e tentou comprar estes itens em sete farmácias do centro de Macau, sem sucesso.

      Apenas se consegue chegar a este tipo de produtos através do esquema de venda de testes de antigénio ou de máscaras disponibilizados à população, e estas últimas não são KN95, mas sim as normais cirúrgicas. Paracetamol ou fármacos semelhantes, nem vê-los. Não existem nas prateleiras das farmácias, sejam produzidos por que marca for, desde a mais conhecida à mais desconhecida. Lojas como a Mannings ou a Watson’s, por exemplo, há muitos dias que têm prateleiras vazias e, ao perguntarmos aos empregados, ninguém sabe dizer quando é que o stock será reposto.

      Valha-nos o kit anti-Covid-19 que o Governo começou a distribuir esta semana, mas cujas cotas para marcação se esgotam, diariamente, num abrir e fechar de olhos. Nós conseguimos um desses kits no centro de distribuição localizado no Largo do Lilau, talvez um dos poucos que ainda vem tendo alguma disponibilidade de marcação. “É uma vergonha, só me apraz dizer isto. As pessoas estão com um medo inexplicável que as leva a comprar tudo, mesmo que não necessitem. Eu, que estou com dores de menstruação, não consigo comprar paracetamol ou ibuprofeno. E já fui a três farmácias diferentes”, revelou uma residente de Macau de nacionalidade portuguesa que encontrámos numa das farmácias visitadas e que pediu escusa da sua identidade.

      Também ontem, testemunhámos gente que comprou máscaras KN95 – quiçá as últimas à venda na Farmácia Popular do Largo de Senado – em barda e as acondicionou em duas malas de viagem. “Devem vir da China, muito provavelmente, acabar com o stock aqui em Macau”, apontou a mesma portuguesa, enquanto se despedia, cabisbaixa, mas esperançosa de encontrar o que precisava noutra farmácia mais à frente.

      Procurámos saber junto das autoridades sanitárias do território se é possível garantir à população que o stock deste tipo de itens não se vai romper, mas até ao fecho desta edição não obtivemos qualquer resposta.

      Os casos de infecção por SARS-CoV-2 no território têm aumentado nos últimos dias, depois de o Governo local ter assumido o abandono da política “Covid zero” em consonância com o que se passa no resto do país. Tal como em 2020 – com bens de primeira necessidade –, também agora a população se mostra desesperada em obter o maior número de máscaras – se possível KN95 –, mas também dos principais tipos de fármacos que ajudam a debelar a febre ou as dores de garganta, como paracetamol ou ibuprofeno, entre outros. Alguns xaropes para a tosse e para os brônquios, bem como mucolíticos também começam a escassear. Os testes de ácido nucleico, esses, estão, gradualmente, a dar espaço ao ressurgimento, quase exclusivo, de testes de antigénio e também por isso, torna-se difícil encontrar a tecnologia na maioria das farmácias da cidade.