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      InícioCulturaEric Fok expõe “Hotel Oriental” na Casa Garden

      Eric Fok expõe “Hotel Oriental” na Casa Garden

      Um total de 30 obras é a proposta do artista que venceu a segunda edição do Prémio para as Artes Plásticas da Fundação Oriente. “Hotel Oriental” mostra a visão do artista sobre a história, a cidade, o ambiente, as pessoas e o mundo em geral. Eric Fok é, actualmente, “um dos artistas que mais se tem destacado no panorama das artes de Macau”, considera a fundação.

      O artista local Eric Fok prepara-se para inaugurar, amanhã, dia 16 de Dezembro, pelas 18h30, na Casa Garden da Fundação Oriente, a sua mais recente exposição individual intitulada “Hotel Oriental”. A mostra estará patente até dia 19 de Fevereiro de 2023.

      Um total de 30 obras, incluindo desenhos em 2D e um desenho de caixa antiga em 3D, é a proposta do artista, que estará presente na inauguração desta sexta-feira, mas que actualmente reside em Taiwan onde se encontra a fazer um doutoramento em Arte.

      “Em 2012, vendi a primeira obra da minha vida e quem a comprou foi precisamente a Fundação Oriente. Há exactamente dez anos, no mesmo local, irei rever e reflectir sobre o meu passado, esperando que o conteúdo criativo do meu trabalho seja mais amplo e profundo. Claro, também quero agradecer aos mais velhos e amigos que me apoiaram o tempo todo. Porque a obra de arte vendida há dez anos, a inocência daquela altura, sustentou-me até hoje”, começou por dizer o artista ao PONTO FINAL.

      Eric Fok foi o vencedor da segunda edição do Prémio para as Artes Plásticas da Fundação Oriente. Eric usa uma caneta técnica para desenhar no papel finos detalhes. “As suas obras assemelham-se a mapas de estilo antigo que incorporam elementos contemporâneos. Partem da história dos Descobrimentos e incorporam as mudanças nas cidades causadas pelo desenvolvimento urbano bem como elementos dos fenómenos pós-coloniais”, considera a fundação num comunicado de imprensa enviado às redacções.

      De acordo com o artista, “a exposição pretende apresentar obras que constituem mapas representativos de diferentes épocas e que focam aspectos como a exploração humana, a divisão de terras, os registos do avanço da civilização e da fome de poder e, ainda, o projecto para a construção de um mundo ideal”. “Algumas obras são sobre a guerra entre a Rússia e a Ucrânia. Por causa dos órfãos deslocados pela guerra, os brinquedos tornaram-se os seus anjos. O tempo mais feliz foi levado pela guerra. No final, os anjos também podem tornar-se órfãos. Poder, ganância e desejo mudam o mundo. O mundo, na idade das trevas, pode ver a feiura da natureza humana, mas também a grandeza da natureza humana”, notou Eric Fok.

      O artista faz ainda referência à literatura de viagens e a mapas de viajantes do Ocidente, aventureiros e missionários. O Oriente histórico é re-imaginado com base nas suas experiências, reinterpretando a origem das colónias na época dos Descobrimentos, examinando questões urbanas como o desenvolvimento e a migração populacional. “A obra final da exposição é um mapa de Lisboa. Por causa do prémio da Fundação Oriente, tornei-me artista residente em Portugal há alguns meses e fiz a minha primeira exposição individual na Europa. Por lá, encontrei muitas memórias ou fantasias confusas de Macau, e também me deu muitas memórias bonitas e exploradoras. Cada rua e prédio que desenhei lembrava-me das recordações de caminhar em Lisboa naquela época. É o ponto de partida da minha carreira artística e a ligação à Europa”, enfatizou o autor.

      Por causa da pandemia e porque decidiu aprofundar os estudos em Arte, Eric Fok deixou o território que o viu nascer há mais de um ano. “Taiwan, que originalmente era muito próxima, tornou-se muito distante. A solidão é amiga de alguns criadores. A solidão faz-me sentir falta de um determinado lugar e de alguém, e também me faz reflectir. Por vezes, confesso, é desagradável. Após o ano novo chinês, deixarei Macau novamente para voltar aos estudos”, revelou ainda o artista ao nosso jornal.

      Aos 32 anos, Eric Fok é um artista com currículo reconhecido. Depois de se ter licenciado em Artes Visuais no Instituto Politécnico de Macau, o autor tem vindo a destacar-se com os seus trabalhos, distinguidos localmente e, também, internacionalmente. Fok considera Wong Ka Long, Luís de Camões, Jao Tsung-I e Matteo Ricci as suas maiores fontes de inspiração, conforme referiu em entrevista ao nosso jornal no final do ano passado. Os seus trabalhos foram seleccionados para a “Exposição de Ilustração – Feira do Livro Infantil de Bolonha” (2013), recebeu o Prémio Soberano de Arte Asiática (2019) e foi seleccionado para a “Bienal Internacional de Arte de Macau (2021). Realizou exposições individuais e feiras de arte nos EUA, Itália, Reino Unido, Portugal, Espanha, Japão, Coreia, Singapura, China continental, Hong Kong, Macau e Taiwan. As suas obras fazem parte da colecção da Fundação Oriente, da Universidade de Hong Kong, do Museu de Arte de Macau, do Macau Galaxy, do MGM Macau Cotai e de coleccionadores de Itália, Las Vegas (EUA), Reino Unido, China, Taiwan, Singapura, Hong Kong e Macau.

      Em 2021, também numa entrevista ao PONTO FINAL, Eric Fok assumiu que a Bienal de Arte de Veneza é um dos seus objectivos de vida, mas ainda precisa de mais tempo e afirmação para poder “jogar com os melhores”.