Edição do dia

Quarta-feira, 19 de Junho, 2024
Cidade do Santo Nome de Deus de Macau
chuva fraca
30.9 ° C
32.9 °
30.9 °
84 %
5.1kmh
40 %
Qua
31 °
Qui
30 °
Sex
30 °
Sáb
30 °
Dom
30 °

Suplementos

PUB
PUB
Mais
    More
      InícioSociedadeDiplomacia da dávida e ‘modo soave’ dos Jesuítas abordados em simpósio na...

      Diplomacia da dávida e ‘modo soave’ dos Jesuítas abordados em simpósio na UM

      Um simpósio dedicado à memória, ao significado e ao valor está a decorrer até dia 21 de Dezembro na Universidade de Macau. Promovido pelo departamento de Filosofia e Estudos Religiosos, o evento procura explorar, precisamente, as noções “filosoficamente ricas” de memória, significado e valor. A professora Cristina Osswald, especialista em jesuítas, vai falar sobre “a diplomacia da dádiva e o ‘modo soave’ jesuíta nas relações China-Europa, séculos XVI-XVIII” no último dia.

      A professora da Universidade Politécnica de Macau (UPM) Cristina Osswald vai abordar o tema da “diplomacia da dádiva e o ‘modo soave’ jesuíta nas relações China-Europa, séculos XVI-XVIII” durante o Simpósio “Memória, Significado e Valor”, promovido pelo departamento de Filosofia e Estudos Religiosos da Universidade de Macau (UM), que está a decorrer de modo híbrido até ao dia 21 de Dezembro.

      A académica portuguesa, especialista mundial no legado da Companhia de Jesus, será a primeira oradora do último dia do simpósio, pelas 15h. Ao PONTO FINAL, referiu que este evento “é muito abrangente” no que à memória, significado e valor diz respeito. “É uma conferência claramente, e olhando para a escolha dos oradores, muito global. Espero uma perspectiva polifacetada, que se enquadra na questão da filosofia, mas também abordagens de gente ligada ao património. Penso que vamos ter uma boa mistura de conceitos e formas de pensar. Aconselho todas as intervenções”, afirmou Cristina Osswald, acrescentando e lamentando ser em formato híbrido, uma vez que, considera, “o valor das conferências é o de as pessoas poderem conhecer-se pessoalmente e falarem, trocando opiniões e ideias”.

      A professora da Faculdade de Línguas e Tradução da UPM levantou um pouco o véu sobre a sua apresentação durante o simpósio. “Vou falar sobre o papel das ofertas. A circulação entre a Europa e a China imperial de objectos estabelecidos para promover a amizade entre os povos. Foi uma estratégia de conversão ao catolicismo, desenvolvida pelos jesuítas, tendo sido a China um dos principais locais dessa prática”, sublinhou.

      Cristina Osswald, que admitiu alguma surpresa pelo convite que lhe foi endereçado pela directora do departamento de Filosofia e Estudos Religiosos da UM, Victoria S. Harrison – também ela oradora neste simpósio -, explicou ainda ao nosso jornal que esta estratégia jesuítica servia “para atrair as pessoas para serem convertidas, muito através da ciência e da arte, quase sempre apelando aos sentimentos”.

      O valor, admite a investigadora portuguesa, é mais do “ponto de vista económico” com os objectos trocados na diplomacia da dádiva a serem considerados “muito valiosos”. Por outro lado, esses mesmos objectos ganhavam uma memória para a vida, já de um ponto de vista político, cultural e religioso, “através da escrita, da pintura ou da gravura, por exemplo”. Por fim, no prisma do significado, a professora considera que, uma vez que os objectos circulavam, por exemplo, “entre o rei da Baviera e o imperador chinês, esse significado acaba por ser o contexto onde tudo se desenrola”.

      “Memória, Significado e Valor” é um simpósio que procurará explorar as noções “filosoficamente ricas” desses conceitos. Essas noções, de acordo com a organização, “fundamentam uma ampla gama de teorias em várias disciplinas como por exemplo a arte, a história, os estudos museológicos, a arquitectura, a arqueologia, a filosofia, os estudos religiosos ou os estudos culturais”. “Suscitam questões sobre movimento e preservação (‘Continuamos por causa do que lembramos, entendemos e valorizamos’), mas também questões práticas de futuridade (‘Como fazemos a memória, buscando novos significados e re- avaliando?’)”, pode ainda ler-se.

      O evento revela assim “uma série de perspectivas para lidar com questões como essas, que dizem respeito a questões de importância fundamental nas nossas vidas”. A conferência começou no passado dia 9 de Dezembro com a intervenção da professora da UM Victoria S. Harrison que falou, especificamente, sobre “Memória, Significado e Valor”. No mesmo dia, tempo ainda para o orador Colin Sterling, da Universidade de Amesterdão, versar sobre “Ecologias de Museus Reconsideradas: Valor Cultural na Teia da Vida”.

      Hoje, Lui Chak Keong, membro do Conselho Internacional de Monumentos e Sítios (ICOMOS) abordará o tema “Arquitectura e Memória”. Amanhã, é a vez de Charles Taliaferro, do Colégio St. Olaf, falar à plateia sobre “As Virtudes da Memória: o que lembramos e como lembramos e como isso pode destruir a alma ou melhorar a vida”.

      No dia 19 de Dezembro, o académico Jean-Paul Martinon, do Colégio Goldsmiths, propõe uma discussão em torno o tema “O tempo como ar ou a turbulenta realidade de Pirro”. O último dia do simpósio, dois dias depois, está reservado para três intervenções. Para além de Cristina Osswald, Chiara Zuanni, da Universidade de Graz, vai partilhar as memórias do passado à preservação das contemporaneidades, colectando valores e sentidos actuais. A última intervenção do dia cabe a Virgilio Rivas, da Universidade Politécnica das Filipinas, que falará sobre o tema “O Celibato do Presente”.