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      China despede-se de ex-líder Jiang Zemin

      O Presidente chinês, Xi Jinping, e vários outros altos quadros do Partido Comunista da China (PCC) prestaram ontem homenagem ao ex-líder Jiang Zemin, que morreu na semana passada.

      Jiang Zemin morreu aos 96 anos. A sua liderança ficou marcada por reformas económicas e pela abertura da China ao exterior, que culminou com a adesão do país à Organização Mundial do Comércio e a vitória de Pequim na candidatura para acolher os Jogos Olímpicos de 2008. O ex-líder chinês era também uma figura exuberante, que tocava piano, cantava em público e falava inglês com entusiasmo, contrastando com a formalidade dos seus antecessores e sucessores.

      Engenheiro de formação e ex-secretário do PCC em Xangai, a maior cidade da China, Jiang liderou a China entre 1989 e 2002. Jiang ascendeu ao poder um dia depois de tanques do exército terem posto fim ao movimento pró-democracia da Praça Tiananmen, na noite de 03 para 04 de junho de 1989.

      Durante o memorial realizado ontem no Grande Palácio do Povo, Xi Jinping descreveu Jiang Zemin como um “líder de prestígio e um grande marxista, diplomata e guerrilheiro comunista”, que liderou a China em “desafios sem precedentes”.

      Jiang abdicou do seu último título oficial em 2004, mas continuou a exercer influência nos bastidores, durante as disputas entre diferentes facções do PCC, que antecederam à ascensão ao poder do actual líder chinês, Xi Jinping, em 2012. Rumores de que Jiang poderia estar com problemas de saúde surgiram depois da sua ausência no 20.º Congresso do PCC, que se realizou em Outubro passado, e que cimentou o estatuto de Xi como o líder mais forte da China desde pelo menos a década de 1980.

      O evento contou com a presença da viúva de Jiang, Wang Yeping. O braço direito de Jiang durante parte da sua liderança, o antigo primeiro-ministro Zhu Rongji, e o seu sucessor Hu Jintao, não foram vistos durante a transmissão da homenagem, feita pela televisão estatal CCTV. Hu, que foi expulso em frente às câmaras, durante o 20.º Congresso do PCC, esteve presente na segunda-feira, na cremação de Jiang.

      Três minutos de silêncio precederam o início do evento, seguidos por sirenes e buzinas em Pequim e outras cidades chinesas, ao longo de 180 segundos.

      Xi enfatizou a persistência de Jiang em prosseguir com o processo de “abertura e reforma económica” e elogiou o seu papel no retorno à China da soberania de Macau e Hong Kong, outrora sob domínio de Portugal e do Reino Unido, respectivamente.

      O actual líder destacou a “visão” de Jiang para a “construção de um país próspero”. Xi, que usou uma pulseira preta durante a cerimónia, agradeceu ao falecido ex-Presidente por “esclarecer a relação entre o socialismo, a estabilidade e o desenvolvimento económico”. “Desejo glória eterna ao camarada Jiang Zemin”, proclamou.

      Os participantes curvaram-se então três vezes e ouviram a Internacional comunista. Xi fez o discurso ao lado de um enorme retrato de Jiang, instalado na tribuna, onde os restos mortais do ex-Presidente foram cobertos com uma bandeira com a foice e o martelo.

      Logo após a notícia da morte do antigo Presidente chinês, o Comité Central do PCC descreveu-o como um “líder notável” e um “grande marxista”, segundo um despacho publicado pela agência noticiosa oficial Xinhua. O Comité Central exprimiu “profunda tristeza” pela morte de um “grande revolucionário proletário, estadista, estrategista militar e diplomata”. Jiang Zemin foi um “comunista comprovado” e um “excelente líder da causa do socialismo com características chinesas”, lê-se na nota difundida pela Xinhua.

      A agência lembrou a carreira de Jiang, desde a juventude, quando foi “iluminado pelo patriotismo” na luta contra a ocupação da China pelo Japão, até às suas experiências durante a década de 1960, quando “foi atacado” durante a turbulenta Revolução Cultural, a radical campanha de massas lançada pelo fundador da República Popular, Mao Zedong. A Xinhua destacou igualmente o contributo de Jiang Zemin, enquanto dirigente, para a implementação de um “Estado de Direito”, para o regresso de Hong Kong à soberania chinesa, em 1997, e para a “manutenção de uma política externa independente e pacífica”. A declaração também mencionou a “Teoria dos Três Representantes”, formulada por Jiang e aprovada como parte da ideologia do Partido no poder, em 2002. Isto permitiu a integração de empresários do sector privado no PCC.

      A morte de Jiang, em 30 de Novembro, devido a leucemia e falência múltipla de órgãos, coincidiu com protestos em larga escala em todo o país, contra as medidas restritivas de prevenção epidémica, no âmbito da estratégia ‘zero Covid’.

      Ponto Finalhttps://pontofinal-macau.com
      Redacção do Ponto Final Macau