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      InícioSociedadeCriminalidade em Macau desce 16,7%, mas abuso sexual de crianças preocupa

      Criminalidade em Macau desce 16,7%, mas abuso sexual de crianças preocupa

      O número de casos de abuso sexual de crianças aumentou 53,3% nos primeiros nove meses do ano, apesar de, no mesmo período, a criminalidade em Macau ter baixado. Ao mesmo tempo, ocorreu uma “redução mais significativa” na criminalidade violenta, anunciou ontem a secretaria para a Segurança do território. A imigração ilegal também desceu 43,4%, sendo que dos 151 imigrantes ilegais, 138 eram provenientes da China continental.

      As estatísticas da criminalidade e dos trabalhos de execução da lei relativos aos primeiros três trimestres de 2022 em Macau, dados a conhecer ontem pelo gabinete do secretário para a Segurança, Wong Sio Chak, revelam, numa primeira leitura, que a criminalidade no território decresceu 16,7% nos primeiros nove meses do ano, com a “redução mais significativa” a verificar-se na criminalidade violenta. “No cômputo geral, de acordo com os dados disponíveis, nos primeiros nove meses de 2022 foram instaurados, no total, 7.329 casos de inquérito criminal pela polícia, representando uma redução de 1.473 casos em comparação com o período homólogo de 2021, equivalente a uma redução de 16,7%”, refere a secretaria em comunicado de imprensa.

      No mesmo balanço, as autoridades verificaram “uma tendência de redução em número na maioria dos crimes”, sendo que a “redução mais significativa respeita à criminalidade violenta, o que leva a concluir que o ambiente da segurança de Macau se mantém estável”.

      Durante as operações efectuadas foram detidos e presentes ao Ministério Público, no total, 2.349 indivíduos, menos 700 indivíduos do que no mesmo período do ano passado, o que representa uma descida de 23%.

      No entanto, apesar desses dados positivos, há um que sobressai e é preocupante. Os casos de abuso sexual de crianças registaram uma subida, com 23 casos nos primeiros nove meses, mais oito do que no mesmo período de 2021, o que significa um aumento de 53,3%. “Os dados mostram que as situações em que as vítimas conhecem os ofensores através de aplicações de chat têm aumentado”, pode ler-se no relatório do balanço.

      Ainda assim, nos crimes violentos, como, por exemplo, rapto, homicídio, tráfico e venda de drogas, violação ou fogo, as autoridades policiais registaram 114 casos no período em análise, contra 202 em igual período do ano passado, o que representa numa redução de 43,6%.

      Os crimes de extorsão e burla através da internet também registaram um aumento em comparação com o mesmo período do ano passado. Os casos de extorsão aumentaram em 18 em comparação com 2021, tendo, no total, ocorrido 90 crimes desta natureza, o que representa uma subida de 25%. Dentro deste tipo de casos, destaque, pela negativa, para os casos de ‘nude chat’ que representaram a maior percentagem com um total de 58 casos, o que também representa uma subida de 31,8%.

      No que concerne a casos de burlas, ocorreram no mesmo período um total de 971 crimes, uma ténue redução em 16 casos quando comparado com 2021, mas as autoridades registaramum total de 462 casos de burla através da internet, uma subida de 85 casos em comparação com o ano passado.

      Foram também registados 51 casos de delinquência juvenil, representando um aumento de cinco casos, com o envolvimento de 69 jovens, contudo menos 17 jovens do que no mesmo período do ano passado.

      Uma redução significativa na criminalidade foi verificada, segundo o gabinete do secretário para a Segurança, na imigração ilegal, com as autoridades a detectarem 151 imigrantes em situação ilegal, o que representa “uma descida de 116 indivíduos e 43,4% em comparação com o período homólogo do ano passado”. Dos 151 imigrantes ilegais, 138 eram provenientes da China continental e os restantes 13 de outros países, pode ainda ler-se.

      O documento não deixa ainda de aludir às restrições pandémicas causadas pela Covid-19. O Governo considera que as “mudanças em Macau e nas regiões vizinhas, causadas pela situação epidémica, em especial pelo surto de 18 de Junho” tem vindo a gerar “um severo impacto socioeconómico na vida da população de Macau”.

      O jogo, refere ainda o documento revelado ontem, “é uma indústria pilar de Macau e o seu desenvolvimento está intimamente relacionado com o ambiente de segurança da sociedade em Macau, pelo que as autoridades da segurança continuam a avaliar o possível impacto de vários factores de instabilidade no desenvolvimento da indústria”. “No futuro, a polícia continuará a reforçar o trabalho de prevenção e de combate às actividades ilegais relacionadas com o jogo, a fim de promover o desenvolvimento saudável da indústria do jogo”, refere ainda o documento.

      Uma última palavra para o contrabando que, este ano, esteve na baila por diversas ocasiões devido à transmissão do SARS-CoV-2 na comunidade, as autoridades detectaram 3.664 casos entre Zhuhai e Macau, tanto através das Portas do Cerco como por Qingmao. O valor total dos bens apreendidos atingiu a pouco mais de 93 milhões de patacas.