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      InícioCulturaARTM apresenta exposição anual de artes dos residentes do centro de Ka-Hó

      ARTM apresenta exposição anual de artes dos residentes do centro de Ka-Hó

      Juntamente com a Fundação Rui Cunha, a Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau revela os últimos trabalhos artísticos da comunidade residente que integra o centro naquela localidade de Coloane. Augusto Nogueira, presidente da entidade, confessa que, com as artes, os toxicodependentes “começaram a tornar-se mais autoconfiantes, responsáveis, com mais iniciativa”.

      A Associação de Reabilitação de Toxicodependentes de Macau (ARTM) vai inaugurar, no próximo dia 29 de Novembro, na galeria da Fundação Rui Cunha, pelas 18h30, a mostraintitulada “Atravessando as fronteiras interiores – É hora de viajar!” que reúne os trabalhos de diferentes peças nomeadamente pintura a óleo e acrílico, cerâmica e aguarela, elaboradas por mais de 20 residentes em tratamento do Centro de Serviços Integrados de Ka-Hó.

      A exposição, que ficará patente até ao dia 3 de Dezembro, é, de acordo com a organização, “uma viagem de descoberta do Eu, Tu, e do Nós”. “É uma viagem onde de se aprende a caminhar devagar, ao ritmo de cada um e sem pressa de chegar. A viagem da reabilitação não é um caminho tranquilo e recto, onde caminhamos sem obstáculos e dificuldades. A reabilitação é como percorrer um labirinto, que obriga a escolher novos caminhos e a aceitar o desafios diário que trás por vezes vergonha, culpa e arrependimento. Mas nesta viagem ao mais profundo do Eu, também se resgata o amor próprio, a dignidade e a vontade de viver. É uma viagem que exige motivação, disciplica e resiliência”, considera Augusto Nogueira, em declarações ao PONTO FINAL.

      E citando o escritor moçambicano Mia Couto, “a viagem não começa quando se percorrem distâncias, mas quando se atravessam as nossas fronteiras interiores”. “Fronteiras que durante largos anos foram esquecidas ou mesmo ignoradas. A coragem ajuda a percorrer os lugares desconhecidos, que estão dentro de nós e que por vezes trazem à consciência desconforto, dor e medo daquilo que se vai encontrar”, acrescenta o presidente da ARTM.

      Para o responsável, “o destino mais desejado não é chegar, é conseguir manter o ritmo, ir resistindo às armadilhas da viagem e celebrar cada conquista com esperança e alegria”. Augusto Nogueira explica que as artes têm uma quota parte muito importante da reabilitação dos toxicodependentes. “Durante estes últimos anos, as artes tornaram-se numa componente essencial no quotidiano da comunidade terapêutica da ARTM. Através de diferentes ferramentas e técnicas, os residentes expressam os seus sentimentos e exploram percepções sobre si mesmo e sobre o mundo ao redor. É um processo de constante redescoberta, onde cada mudança é um sinal positivo em prol de um futuro mais feliz”, admitiu ao nosso jornal.

      Augusto Nogueira considera ainda que “durante este processo é uma mudança constante de comportamentos”. “Com as artes, começaram a tornar-se mais autoconfiantes, responsáveis, com mais iniciativa”, refere. “Queremos mostrar à comunidade que, com a ajuda do centro, a recuperação é possível. As pessoas não devem estigmatizar e estereotipar quem está doente. Além disso, pretendemos também encorajar atitudes positivas perante as dificuldades”, concluiu.