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      Secretário assume dificuldade em fazer com que residentes ocupem vagas deixadas pela saída de TNR

      Lei Wai Nong disse ontem que é necessário que haja residentes disponíveis para preencher os trabalhos deixados livres pela saída de trabalhadores não-residentes (TNR). No entanto, isso nem sempre é fácil, assumiu o secretário para a Economia e Finanças, lamentando as dificuldades no emparelhamento de emprego. O secretário salientou, por outro lado, a determinação do Governo em mudar a imagem de Macau,desenvolvendo elementos não-jogo.

      O secretário para a Economia e Finanças, Lei Wai Nong, admitiu existirem dificuldades na execução dos trabalhos de incentivo ao emprego dos residentes, realçando que o mais difícil não está na saída dos trabalhadores não-residentes (TNR), mas no emparelhamento de emprego dos residentes.

      O responsável observou que, com os impactos sociais causados pela pandemia, é necessário considerar a conjugação do emprego, com trabalhadores locais disponíveis a preencher as vagas, antes de reduzir o número de TNR. “Caso a empresa não tenhafuncionários suficientes e adequados, empregadores e trabalhadores acabam ambos por perder, a economia entrará num dilema”, frisou.

      Por ocasião da discussão das Linhas da Acção Governativa de 2023 da tutela da Economia e Finanças na Assembleia Legislativa, vários deputados expressaram as suas preocupações sobre a situação do emprego, nomeadamente dos residentes e dos trabalhadores do sector do jogo.

      Os deputados José Pereira Coutinho e Ella Lei denunciaram ontem a carência de políticas eficazes para concretizar prioridades de empregos para locais, tendo em consideração de que os cortes na quota dos TNR acontecem muitas vezes nas pequenas e médias empresas, e não nas grandes empresas.

      José Pereira Coutinho salientou que a indústria principal de Macau continua a ser o sector do jogo, que também está, entretanto, a “sustentar dificilmente a sua vida”, sendo que o desempenho da economia actual não consegue assegurar o emprego dos residentes. “Temos 154 mil TNR no território, porque é que os locais não podem entrar nesses postos?”, disse o deputado, dando o exemplo de que os TNR existem também no sector de retalho e educação, áreas onde se existem talentos locais.

      Já a deputada ligada à Federação das Associações dos Operários de Macau (FAOM) está atenta ao emprego dos funcionários dos casinos e casinos-satélites, bem como à situação do pagamento de salário em atraso e discriminação de idosos e jovens recém-graduados na procura de emprego.

      Lei Wai Nong, neste caso, pediu a compreensão da sociedade sobre o esforço prestado pelas autoridades na matéria, revelando que já foram ajudadas quase 5.800 pessoas à procura de emprego este ano, o que bateu o recorde do emparelhamento da Direcção dos Serviços para os Assuntos Laborais (DSAL), mesmo numa “situação económica tão dura”.

      Reiterando que os trabalhos de aprovação de quotas de TNR estão totalmente de acordo com a lei e a realidade, o secretário disse que a introdução de TNR é apenas para preencher as vagas que os locais não querem e para assegurar o funcionamento das empresas.

      “Por exemplo nas lojas de luxo, já saíram mais de 300 TNR este ano, e no processo de contratação, muitos candidatos eram antigos funcionários de relações públicas das salas VIP. Não houve grande sucesso, porque cada um tem a sua expectativa salarial. O facto é que agora já não podem pagar um salário tão elevado”, apontou o secretário, mas garantiu que as empresas não devem querer apenas contratar pessoas com salário mínimo, e as autoridades não vão aprovar quotas se as empresas não contratarem locais com boa fé.

      Lei Wai Nong avançou ainda que a taxa de desemprego mais actualizada, cujo relatório vai ser publicado amanhã, registou uma queda ligeira de 5,2% para 5,0%, mas salientou que a percentagem “ainda não é baixa”.

      De acordo com o director da DSAL, o número de TNR nas seis operadoras de jogo cifrou-se em 18.514 pessoas, excluindo os operários de construção, o que representa uma diminuição de 16 mil pessoas desde o início de 2020.

      APOSTAS EM MUDAR A IMAGEM DE JOGO

      Lei Wai Nong assinalou ainda que o Executivo está a esforçar-se muito na recuperação económica, estando a economia local na fase de transformação, para evitar o excesso de dominância da indústria de jogo, como nos últimos 20 anos, o que fez com que os turistas passassem a conhecer Macau apenas como uma cidade de jogo.

      Ao recordar os impactos desse modelo económico na sociedade e no emprego durante a pandemia, o secretário enfatizou a importância e determinação em mudar a imagem de Macau através do desenvolvimento dos elementos não-jogo, tornando-se num centro de turismo e lazer integrado, “caso contrário não poderemos enfrentar a concorrência das regiões vizinhas”.

      Os próximos dez anos de concessão de licença de jogo serão “o ponto de viragem” para Macau. Lei Wai Nong espera que o desenvolvimento diversificado possa ajudar a atrair mais turistas de diferentes fontes, revitalizando a economia dos diversos bairros locais.

      O secretário notou que não é a política do Governo nem o desejo da população que apenas o Cotai floresça. “Temos de mudar a imagem do jogo. Macau tem uma história de quatro séculos que deve ser preservada e divulgada”, ressalvou. O governante ressalvou que as concessionárias também têm de cumprir o acordado nas negociações sobre os elementos não-jogos.