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      Início Cultura Francisco Ricarte inaugura exposição de fotografia na residência consular

      Francisco Ricarte inaugura exposição de fotografia na residência consular

      Gonçalo Lobo Pinheiro

      O fotógrafo revela o projecto “EmCasa”, um conjunto de 20 fotografias que procura “evidenciar registos de um tempo e espaço não precisos ou referenciados em detalhe”. “Os registos fotográficos terão sido conformados, como contraponto, com a realidade visual que nos envolve, designadamente a fascinante e vibrante Ásia, e Macau em particular”, referiu Ricarte ao PONTO FINAL.

      O fotógrafo Francisco Ricarte apresenta ao público, no próximo dia 30 de Novembro, quarta-feira, o seu mais recente projecto “EmCasa”, uma exposição de fotografia que será inaugurada na galeria da residência oficial do Cônsul-geral de Portugal em Macau e Hong Kong, comumente conhecido como Palácio da Bela Vista.

      A proposta do arquitecto de formação “consiste numa evocação emocional e visual introspectiva de territórios que têm sido redescobertos pelo autor em diversas viagens de retorno ao país que o viu nascer e acolheu, previamente à sua fixação em Macau”, pode ler-se no manifesto da exposição que terá 20 imagens, todas a cores, captadas pelo autor entre os anos de 2017 e 2019 no seu país de nascimento.

      Mais do que evidências documentais, referiu o autor ao PONTO FINAL, “a série fotográfica que se expõe procura evidenciar registos de um tempo e espaço não precisos ou referenciados em detalhe: mais que ‘momentos decisivos’, a série procura registar momentos emocionais decisivos, registando, não só o que se vê, mas também o que se sente”.

      Todos os registos “são relevantes” para o autor, “pelo equilíbrio que demonstram entre os elementos da natureza nele patentes ou sua coexistência com elementos edificados e presença humana, ou ainda pela singularidade da paisagem evidenciada, designadamente no Arquipélago dos Açores”. Em síntese, são “instantes emocionais decisivos”’ que o autor procura evidenciar.

      Francisco Ricarte admite que, “como redescoberta”, os registos que expõe “são marcados por uma nostalgia visual e procura de um tempo de equilíbrio e pausa”. “Como visão introspectiva, assumem a emoção sentida nesses locais percorridos, onde o equilíbrio das formas naturais e edificadas singulares conformam a identidade desses espaços, ainda e sempre sentidos como ‘a minha casa’”, afirma.

      Na exposição “EmCasa”, sugere Ricarte, “os registos fotográficos terão sido conformados, como contraponto, com a realidade visual que nos envolve, designadamente a fascinante e vibrante Ásia, e Macau em particular”. “Estes registos evidenciam espaços profundamente naturalizados e de um equilíbrio de sentidos prevalecente. A harmonia dos espaços descobre-se e surge espontaneamente, quer nas suas formas, quer na paleta cromática que evidenciam”, acrescenta.

      Paralelamente, e evidenciando a prevalência dos sentidos, explica-nos o autor, “a proposta musical que completa a exposição realça os aspectos de equilíbrio, harmonia e introspecção dos registos fotográficos”. “São visões complementares que se interlaçam e evidenciam um conceito de equilíbrio transcendente”, considera, acrescentando que a organização da exposição é de iniciativa e convite da Casa de Portugal em Macau, tendo contado com os apoios institucionais da Fundação de Macau e do Consulado Geral de Portugal em Macau e Hong Kong, aos quais o autor reitera os seus agradecimentos.

      Este ano, o autor já vai na sua quarta exposição em Macau. Em Março apresentou “Dark Matter” no Art Garden com curadoria de Alice Kok. Mais tarde, em Maio, expôs “ASIA.FAR” na Casa Garden. Também participou na colectiva “Seeing the Light in Black & White” promovida pela Creative Macau. Expõe os seus trabalhos, com regularidade, desde 2013.

      Antes de se tornar arquitecto profissional, Francisco Ricarte já se dedicava à fotografia desde os 21 anos, nos idos anos de 1970, quando lhe foi oferecida sua primeira câmara fotográfica reflex. Desde então, tem vindo a usar o meio de comunicação como uma expressão da sua própria visão sobre o ambiente que o rodeia. Em 2006, mudou-se para Macau e trabalhou como gestor de projecto em arquitectura até hoje. Nos últimos anos, Ricarte tem participado em diversas exposições colectivas onde apresentou os seus trabalhos fotográficos baseados principalmente nos temas paisagem e arquitectura. Aos 66 anos e, em ano de aposentadoria, o autor é ainda membro fundador e vice-presidente da associação de fotografia local Halftone.

      A fotografia tem sido um modo crítico de expressar o seu entendimento do mundo, quer no contexto da sua prática profissional de Arquitecto e Urbanista – no que diz respeito ao meio urbano – quer da sua vivência pessoal e social – no que diz respeito ao factor humano e social das comunidades que o integram.