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      Jovens têm pouca vontade de ter filhos por falta de tempo para cuidar deles

      Devido à falta de tempo para cuidados das crianças, os jovens locais estão com menos vontade de ter filhos, diz a Associação dos Jovens Funcionários Públicos de Macau, assinalando que a dificuldade em contratar empregados domésticos também agrava a carga dos pais. A associação pede o lançamento de serviços de acolhimento após as aulas em todos os jardins infantis e escolas primárias, de modo a satisfazer a procura dos pais.

       

      A exigência da dupla jornada de trabalho profissional e cuidados das crianças tornou-se um dos factores principais que contribuem para desestimular os casais de ter filhos. A Associação dos Jovens Funcionários Públicos de Macau destacou que a falta de empregados domésticos e a difícil situação de emprego têm tornado mais pesada a carga dos pais, e este cenário fez com que os jovens locais tenham menos vontade em procriar.

      Segundo a análise de opiniões recolhidas entre os jovens trabalhadores da função pública, citada pelo Jornal Chengpou, a associação apontou que a pandemia da Covid-19 provocou vários impactos nesta questão. “Devido aos surtos e às restrições, o número de empregados domésticos disponíveis a trabalhar no território continua a diminuir, e o custo de contratação de pessoal de cuidados infantis disparou”, realçou.

      Face à subida da taxa do desemprego e subemprego, a garantia do emprego parece cada vez mais importante para as famílias e o trabalho ocupa mais tempo na vida quotidiana das pessoas.

      “Para ter filhos, os casais terão de enfrentar uma dupla tarefa no dia a dia. Os jovens ouvidos pela associação acreditam que, apesar da queda na taxa de natalidade envolver muitos motivos, é consensual que a questão de cuidar de crianças afecta a vontade de ter filhos”, revelou, frisando que os trabalhadores da administração pública ouvidos concordam que Macau tem condições para lançar uma reforma na política sobre os cuidados infantis.

      A associação considera ser necessário o Governo promover mais medidas amigas das famílias, particularmente os serviços de cuidados à criança, para responder à “procura fundamental” dos pais e para incentivar a vontade de procriação.

      Sugeriu que, embora não existam leis e regulamentos vigentes em Macau que obriguem as escolas a prestarem serviços de cuidados, as autoridades estudem formas de desenvolver o serviço universal de cuidados das crianças nos jardins infantis e nas escolas primárias, tendo o organismo observado que os cuidados no local onde estudam é uma medida conveniente e segura para os menores.

      Actualmente, a maioria das escolas permitem que os alunos fiquem no campus durante o horário de almoço, com fornecimento de refeições pagas. Quanto ao acolhimento depois das aulas, muitos pais locais optam por enviar os menores para centros de apoio pedagógico complementar, para estudarem e terem atenção até aos pais terminarem o trabalhoe forem buscar as crianças.

      “As instalações das escolas são projetadas para os alunos, o local é espaçoso e pode ser usado tanto para estudo quanto para actividades desportivas, sem dúvida um local melhor para acolhimento depois das aulas. A medida pode ainda reduzir o tempo que os alunos levam para se deslocarem do campus para o centro de apoio pedagógico, evitando acidentes no trânsito”, abordou.

      A associação julga que o custo dos serviços de cuidados infantis deve ser relativamente barato e estável, uma vez que as escolas não precisam de pagar rendas elevadas como os centros existentes. “Embora seja difícil implementar totalmente o serviço de acolhimento em todas as escolas em Macau, é possível implementá-la gradualmente, com investimento de mais recursos humanos”, disse o organismo.

      A Associação dos Jovens Funcionários Públicos recomenda que os serviços de cuidados abrangentes nas escolas devem incluir o fornecimento de almoço e acolhimento após as aulas, até pelo menos às 19 horas. Acredita ainda que, perante a baixa natalidade, o Governo deve ponderar a atribuição de subsídios para o acolhimento de crianças às famílias com pais trabalhadores, de modo a reduzir a pressão financeira sobre os cuidados dos filhos.