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      InícioEconomia"Devemos considerar Hengqin como uma nova casa"

      “Devemos considerar Hengqin como uma nova casa”

      António Lei, director dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, defendeu e promoveu a aposta na Ilha da Montanha na conferência “Hengqin: Investimento e Desenvolvimento Económico”, que se realizou ontem na Fundação Rui Cunha. O responsável sublinhou a importância de Hengqin para o futuro da RAEM e disse que “devemos considerar Hengqin como uma nova casa”.

      “Hengqin é muito, muito, muito importante para o futuro de Macau”. A frase foi dita ontem por António Lei, director dos Serviços de Desenvolvimento Económico da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin, na conferência “Hengqin: Investimento e Desenvolvimento Económico”, organizada pela Fundação Rui Cunha e pela Câmara de Comércio e Indústria Luso-Chinesa.

      António Lei lembrou que “Hengqin tem o que Macau não tem, por exemplo, o espaço, as oportunidades e uma ligação ainda mais forte com o interior da China”. Hengqin, recorde-se, tem como objectivo dar ferramentas à RAEM para desenvolver indústrias que permitam a diversificação da sua economia. Ao mesmo tempo, pretende ser “um novo lar” para os residentes de Macau. “Devemos considerar Hengqin como uma nova casa”, disse ontem António Lei.

      Actualmente, a Ilha da Montanha tem três jardins de infância, três escolas primárias, duas escolas secundárias e uma universidade pública. Há ainda um hospital público. Está a ser construído o Novo Bairro de Macau, onde os cidadãos da RAEM vão poder residir no futuro e há ainda seis apartamentos “para talentos”, onde ficam alojados os quadros qualificados que trabalham na zona. Segundo os números apresentados por António Lei, há actualmente 56 mil empresas registadas em Hengqin, incluindo 5 mil com capital social de Macau.

      O responsável ressalvou que “Hengqin não pensa só em Macau, mas também pensa na comunidade portuguesa e pretende enriquecer o papel de plataforma que Macau desempenha na cooperação entre a China e os países de língua portuguesa”. “Hengqin está a desenvolver-se e nós queremos contar não só com a comunidade chinesa de Macau, mas também com a participação da comunidade portuguesa”, afirmou, acrescentando: “Em termos de vida, ao contrário de muitas zonas novas na China, Hengqin já é muito sofisticado, tem cinema, tem centro comercial, jardim, escola, hospital, até tem restaurante português; é preciso ir e conhecer”.

      António Lei também deu o exemplo de algumas políticas que estão a ser implementadas em Hengqin para atrair residentes de Macau. Por exemplo, o imposto sobre os rendimentos é de 15% no máximo e as empresas registadas em Hengqin só precisam de pagar 15% de imposto sobre rendimento das pessoas colectivas.

      O responsável explicou ainda que, no futuro, a ideia é flexibilizar o acesso à Ilha da Montanha para quem vem de Macau e levantou a hipótese de a passagem fronteiriça ser feita através de reconhecimento facial.

      “Hengqin tem de ser uma das zonas mais abertas da China, acompanhando Macau, acolhendo diferentes pessoas de diferentes países e diferentes culturas”, indicou. Lei defendeu ainda que a ideia passa também por permitir que a Ilha da Montanha seja uma porta aberta para que empresários internacionais entrem no mercado chinês e, ao mesmo tempo, que empresários chineses avancem para o mercado internacional.

      O actual director dos Serviços de Desenvolvimento Económico de Hengqin ingressou na função pública em 1994, tendo desempenhado diferentes cargos em vários serviços públicos. A partir de 2012, passou a assumir sucessivamente os cargos de director-adjunto do Gabinete Jurídico e de Fixação de Residência, director do Centro de Apoio Empresarial de Macau e Director do Departamento de Promoção Económico e Comercial com os Mercados Lusófonos junto do Instituto de Promoção do Comércio e do Investimento de Macau (IPIM).

      2023 será “um ano fundamental” para impulsionar Hengqin

      Hengqin também é um tema em destaque nas Linhas de Acção Governativa (LAG) para 2023, apresentadas na terça-feira pelo Chefe do Executivo. No documento, lê-se que “o ano de 2023 será um ano fundamental para a materialização da meta da primeira fase do aprofundamento da construção da Zona de Cooperação Aprofundada entre Guangdong e Macau em Hengqin”. “Iremos impulsionar aprofundadamente a articulação das regras e dos mecanismos na Zona de Cooperação Aprofundada, no sentido de impulsionar o desenvolvimento das principais indústrias, a integração da vida das pessoas, a elevação constante do nível do desenvolvimento integrado entre Hengqin e Macau, proporcionando aos residentes de Macau um espaço mais amplo para criar negócios, trabalhar e viver”, diz o Governo. Nas LAG, o Executivo também anunciou para o próximo ano a construção de um Centro de Ciência e Tecnologia Sino-Lusófono, “atraindo projectos de inovação tecnológica dos países de língua portuguesa a instalarem-se em Macau, na Zona de Cooperação Aprofundada e na Grande Baía”.