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      PJ admite impossibilidade de investigar algumassuspeitas no caso Suncity

      Foi ouvida ontem a última testemunha da Polícia Judiciária no julgamento do caso relativo a Alvin Chau, ex-responsável do grupo Suncity. O agente líder da investigação do caso revelou na sessão de audiência que a PJ não conseguiu fazer a investigação nos locais onde teve lugar o alegado jogo ilícito. Contudo, os factos foram adoptados na acusação após uma análise dos documentos alegadamente relacionados com o jogo paralelo.

       

      A investigação policial do caso relativo ao grupo Suncity, cujo processo está actualmente em curso de julgamento no Tribunal Judicial de Base, ainda não está totalmente concluída, admitiu a Polícia Judiciária (PJ). A testemunha ouvida na audiência de ontem, enquanto investigador principal do casorelativo a Alvin Chau, disse que as autoridades estão a trabalhar para recolher mais provas acerca do caso, e algumas alegações de factos foram remetidas ao Ministério Público (MP)sem investigação no local onde decorreram as alegadas práticas de crimes devido à “falta de condições”, ou por causa da pandemia.

      Terminaram ontem os testemunhos dos agentes da PJ. De acordo com o líder da task force responsável pela investigação, Lau Weng Kun, o grupo Suncity operou as actividades de jogo paralelo em 229 locais no território, incluindo as salas VIP geridas pelas diversas empresas de ‘junkets, bem como nas áreas de jogo nos casinos das concessionárias.

      Neste âmbito, a testemunha confirmou que a análise foi baseada numa tabela de negócio captada no servidor da Suncity, alegadamente relacionada com o jogo paralelo. “Após a operação policial deste caso, as salas VIP em questão foram quase todas encerradas durante um mês, não conseguimos fazer a investigação no local”, asseverou.

      A acusação deferida pelo MP indicou, no entanto, que a empresa exerceu apostas paralelas também em algumas zonas de jogo de fortuna e azar ainda existentes, como o “Galaxy Banyan Tree”, onde tiveram lugar “três casos de jogo paralelo em 2014, envolvendo 15 milhões de dólares de Hong Kong”. O advogado defensor de Alvin Chau questionou assim se as autoridades policiais falharam na investigação desses locais.

      “Já perguntámos às concessionárias se aconteceram tais coisas no seu casino, disseram que não. Algumas salas VIP fecharam, e outras não conseguimos identificar onde são. Mas essas informações estão correspondentes à tabela da Suncity”, destacou o agente Lau.

      Além disso, a testemunha reconheceu ainda que não era possível encontrar todos os jogadores relacionados para comprovar a análise. “A pessoa que joga não tem de ser otitular da conta do jogo e que peça a troca de fichas. Entre mais de 200 movimentos de verbas de apostas paralelas que rastreámos conseguimos apenas identificar alguns jogadores, não podem entrar em Macau, por causa da pandemia, e assim já não temos maneira de interrogá-los”, realçou.

      Recorde-se que, segundo o relatório de análise da PJ, o grupo Suncity procedeu, entre Dezembro de 2013 e Março de 2021, a mais de 62 mil jogos com apostas paralelas, envolvendo um volume de troca de fichas (Rolling Chip Turnover) de 823,77 mil milhões de dólares de Hong Kong, o que fez com que a empresa tenha obtido lucros ilícitos de 21,52 mil milhões de dólares de Hong Kong.

      O magnata dos ‘junkets e o principal arguido do caso, Alvin Chau, voltou a solicitar para fazer um esclarecimento no final da sessão de ontem, desafiando a credibilidade dos factos alegados pela PJ, uma vez que partes dos númerosmencionados são “irrazoáveis” e não conforme a realidade económica de Macau naquela altura. “Como provam que os dados são verdadeiros? Acusam 229 crimes aqui apenas poruma tabela de Excel?”, questionou.