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      Coutinho diz que Governo está a discriminar comunidade lusófona

      “Desnecessárias, desproporcionais e discriminatórias”. É assim que José Pereira Coutinho descreve as medidas de contenção da Covid-19 do Governo de Macau, que fizeram com que o último dia do Festival da Lusofonia fosse cancelado. Na Assembleia Legislativa (AL), o deputado falou mesmo em discriminação em relação à comunidade lusófona. Coutinho denunciou também “desorganização e irresponsabilidade” nos centros de saúde devido às medidas anti-epidémicas do Executivo.

      José Pereira Coutinho criticou as medidas de contenção da Covid-19 do Governo de Macau que levaram ao cancelamento do último dia do Festival da Lusofonia e de consultas nos centros de saúde. Na reunião plenária de ontem da Assembleia Legislativa (AL), o deputado descreveu as medidas do Governo como “desnecessárias, desproporcionais e discriminatórias”.

      Depois de terem sido detectados dez casos nos últimos dias, o Governo avançou para duas rondas em massa de testes de ácido nucleico. Coutinho diz que os testes provocaram o cancelamento de vários atendimentos e consultas médicas nos centros de saúde sem que os cidadãos tivessem sido informados. O deputado denunciou a situação no Centro de Saúde dos Jardins do Oceano, na Taipa: “Presenciei pessoas em jejum a queixarem-se contra estas irresponsabilidades e alguns com frascos de urina nas mãos, na maioria idosos que tiveram de regressar às suas casas. Uma total desorganização e irresponsabilidade, sem explicações minimamente aceitáveis por parte deste centro de saúde”.

      O antigo conselheiro das comunidades portuguesas criticou também o cancelamento do último dia da 25.ª edição do Festival da Lusofonia, “o evento multicultural de excelência da RAEM, que constitui uma importante partilha da cultura das comunidades de língua portuguesa com a cultura chinesa”.

      O deputado eleito pela via directa lembrou que o evento foi cancelado abruptamente, “sem que houvesse a mínima consideração, nem critério, para essa drástica decisão”. Salientando que a decisão causou prejuízos às associações e participantes, Coutinho frisou que a medida foi “desnecessária, desproporcional e discriminatória, porquanto ainda não se registava um número elevado de infecções, que estariam circunscritas, de acordo com as autoridades, e onde não foi aplicado o mesmo critério a algumas outras festas que decorreram no mesmo dia”. Por isso, Coutinho questionou o Governo se serão adoptadas as mesmas restrições para eventos como o Grande Prémio de Macau, que se realiza daqui a duas semanas, e ao Festival da Gastronomia.

      Coutinho afirmou que a decisão contraria o discurso oficial da “promoção da cooperação entre a República Popular da China e os países de língua portuguesa”. “As autoridades do território ainda não reconheceram ao Festival da Lusofonia a importância cultural que lhe deve ser atribuída, não o incluindo no calendário de eventos da Direcção dos Serviços de Turismo, e considerando este evento uma actividade do tipo ‘Parque Temático’, como foi referido no discurso inaugural do evento, o que revela uma falta de sensibilidade na avaliação da organização do grande evento popular de Macau, e dos seus 25 anos de história, de convívio e de intercâmbio cultural”, sublinhou.

      “Esta postura ambígua do Governo de Macau em relação às actividades desenvolvidas por Associações de Matriz Portuguesa, e no âmbito de cooperação com a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), associada a decisões discriminatórias em relação à comunidade lusófona, é um factor desmotivante e de frustração para o contínuo empenho, dedicação, esforço e amor à RAEM, destas entidades”, salientou o presidente da Associação dos Trabalhadores da Função Pública de Macau.

      Em conclusão, o deputado pediu ao Governo que considere a atribuição de um subsídio de compensação às associações envolvidas, dados os prejuízos que o cancelamento acarretou. Pereira Coutinho também pediu uma revisão à estratégia de cooperação com as associações de matriz portuguesa no âmbito do aprofundamento das relações sino-lusófonas e as decisões relativas à implementação de medidas restritivas decorrentes da Covid-19.