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      InícioSociedadeDelta do Rio das Pérolas apresenta níveis preocupantes de degradação

      Delta do Rio das Pérolas apresenta níveis preocupantes de degradação

      Essa é uma das conclusões de um estudo internacional liderado pela portuguesa Maria João Feio, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC). Rios como o Mekong, o Yangtze e a zona costeira de Zhejiang também revelam degradação nos ecossistemas ribeirinhos.

      O Delta do Rio das Pérolas, que banha Macau, apresenta níveis preocupantes de degradação nos seus ecossistemas ribeirinhos. A conclusão, que também engloba na China o estudo de rios como o Mekong, o Yangtze e, ainda, a zona costeira de Zhejiang, é de um estudo internacional liderado pela académica Maria João Feio, do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) e da Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra (FCTUC) e publicado na revista Global Change Biology, e mostra preocupantes níveis de degradação dos rios em todo o mundo, anunciou a Universidade de Coimbra (UC) em nota de imprensa. “É essencial continuar a monitorizar os rios em todo o mundo, desde aqueles onde nunca se fez nada a outros que viram os seus programas serem suspensos. Além disso, é essencial planear medidas de recuperação e o nosso estudo mostra que estabelecer áreas protegidas para rios ou melhorar as florestas são soluções eficientes”, considera a investigadora do MARE/FCTUC.

      O estudo reuniu três dezenas de investigadores de todo o mundo e visou analisar o estado biológico dos rios, da forma mais ampla possível e com base em dois bioindicadores usados na monitorização dos rios – os macroinvertebrados bentónicos e os peixes. Desengane-se que o problema está apenas neste lado do mundo. A nível mundial, a situação não é nada famosa.

      Foram analisados conjuntamente resultados de programas de monitorização de 45 países (64 regiões de estudo) de todos os continentes e, em particular, um grande número de áreas de países pertencentes ao designado Sul Global, “que têm as maiores reservas de biodiversidade de águas doces do mundo, mas que têm sido menos estudadas ou cujos dados não são conhecidos”, indica Maria João Feio, citada pela nota de imprensa, clarificando que entre esses países estão, por exemplo, a “China, Nepal, Nigéria, Brasil, África do Sul, Vietname ou Camboja”.

      Esta investigação contém também dados de áreas consideradas hotspots de biodiversidade, como é o caso da Amazónia e de países como o Japão ou a Coreia do Sul, que até agora não estavam acessíveis à comunidade internacional. Os cientistas analisaram igualmente a influência do desenvolvimento humano e alterações antropogénicas sobre a qualidade biológica dos rios, “o que é essencial para perceber que medidas devem ser implementadas a nível global”, defende a investigadora.

      Os resultados deste estudo mostram “preocupantes níveis de degradação nos ecossistemas ribeirinhos, com menos de metade dos troços estudados em boa qualidade biológica (42 a 50%, dependendo do elemento biológico – peixe ou invertebrados) e cerca de 30% severamente degradados. As piores condições foram encontradas em climas áridos e equatoriais”, destaca ainda Maria João Feio, que sublinha a existência de “má qualidade físico-química da água especialmente em África, na Ásia e na América do Sul”.

      Em oposição, outra das conclusões da investigação, demonstra que o aumento da área de floresta e a melhor qualidade da água são factores que estão associados a melhor qualidade biológica dos rios.

      O estudo revela que, por exemplo, cerca de 63% dos grandes rios já não correm livremente, notando-se que isto é particularmente relevante quando se sabe que está a ser planeado um grande número de novos aproveitamentos hidráulicos para a América do Sul e Ásia.

      Maria João Feio considera que as conclusões gerais do estudo reflectem a perda de biodiversidade das águas doces, bem como a alteração nos padrões de distribuição das espécies, nomeadamente com o crescente aumento de espécies invasoras, altera o funcionamento dos ecossistemas ribeirinhos, levando à perda de serviços fornecidos por estes ecossistemas às populações”.